12.12.2019 | 08h29


VICENTE VUOLO

Nos trilhos de Florença

Florença tem 380 mil habitantes; é um pouco maior que Várzea Grande

Depois de percorrer as províncias de Campânia (Nápoles e Pompeia), Lazio (Civitavecchia e Roma) cheguei na Toscana pelo porto de Livorno passando por Pisa até chegar a cidade de Florença. Um lindo monumento ao Renascimento, o despertar artístico e cultural do século 15.

Para compreender melhor as obras de arte e arquitetura renascentistas de Florença (ou Firenze), busquei o seu passado, começando pelas colinas do vilarejo Fiesole nos arredores da cidade, fundada pelos etruscos antes da era Cristã. Fiesole, é chamada “mãe de Florença”, já que a cidade nasceu como uma colônia romana somente em 59 a.C.

No século 6º, Florença foi capturada pelos Lombardos (os de barba longa) e, depois da Idade Média, emergiu como uma cidade–estado independente. No século 13, um ativo comércio de lãs e tecidos, apoiado por um poderoso setor bancário, tornou-se um dos centros mais importantes da Itália. O controle político pertenceu inicialmente às guildas (Associação de Comerciantes) e, mais tarde, à República Florentina.

Com o tempo, o poder foi transferido a famílias nobres. A mais influente era a dos Medici, uma dinastia de banqueiros extremamente rica. Florença ficou sob o domínio quase inabalável dos Medici durante 3 séculos. Nesse período, a cidade foi o coração cultural e intelectual da Europa. Pintores, escultores e arquitetos corriam para Florença enchendo as ruas, igrejas e palácios com algumas das mais grandiosas obras já vistas.

Em 1737, os Medici desapareceram, deixando a cidade sob o controle da Áustria (e, por pouco tempo, de Napoleão) até a Unificação Italiana em 1860.

Hoje, a cidade é considerada o berço do Renascimento. Tornou-se célebre também por ser a cidade natal de Dante Alighieri, autor da Divina Comédia, que é um marco da literatura universal. É cenário, também, de obras de artistas do Renascimento, como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto di Bondoni, Sandro Boticelli, Rafael, Donatello, entre outros.  

Um de seus pontos turísticos mais emblemáticos é o Duomo, catedral com cúpula de telhas de terracota, projetada por Brunelleschi, e o Campanário de Giotto que é a torre campanária dessa catedral Santa Maria del Fiore. A Galleria dell’Accademia exibe a escultura de “Davi”, de Michelangelo. A Galeria Uffizi exibe “O Nascimento de Vênus”, de Boticelli, e “A Anunciação” de Da Vinci.

Quando percorri a pé pelo centro da cidade, pude perceber que os carros são proibidos em várias vias e que, diferentemente das maiores cidades da Europa, Florença não tem metrô.    

A alternativa encontrada para resolver o problema da mobilidade urbana foi o Veículo Leve sobre Trilhos. A GEST (Gestione del Servizio Tramviario) é a operadora de serviço de transporte público responsável pelas linhas de VLT de Florença desde 2004.

A GEST tem 2 linhas de VLT em Florença: A linha mais longa da GEST é a T1. Essa linha de VLT começa em Careggi-Ospedale e termina em Vila Costanza. A área de cobertura é de mais de 11 km e tem 24 paradas. A linha mais curta é a T2, que começa em Unità e termina no Aeroporto Américo Vespúcio. A linha de VLT percorre 6 km e tem 13 paradas.

Além do VLT, a ferrovia atende de forma rápida e ágil os que visitam a cidade. O local recebe por dia mais de 400 trens (regionais e de alta velocidade), cuja origem e destino são Roma, Veneza, Milão, Munique, Viena, Nápoles, Pisa, entre outras.

É importante salientar que Florença tem pouco mais de 380 mil habitantes, um pouco maior que Várzea Grande (que está aguardando a conclusão das obras do VLT).

O turismo é uma importante fonte de recursos para a região. A Itália recebe, ao ano, cerca de 56 milhões de turistas. Quase igual a sua população. O Brasil recebe menos de 7 milhões, menos que os turistas que passam por Florença anualmente, cerca de 10 milhões.

O Brasil tem um potencial enorme para o turismo. Mas não aproveitamos isso. Preferimos investir no desemprego e no atraso. Um dos exemplos dessa infelicidade é como gerimos nossa infraestrutura urbana. Os gestores, por cálculos inexplicáveis e por interesses inconfessáveis, preferem manter os ônibus poluentes a dar o salto ao VLT. Estamos perdendo a oportunidade.

VICENTE VUOLO é economista e cientista político.

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