27.03.2020 | 09h14


OPINIÃO / ANA CRISTINA FELDNER

Não é gripezinha, como também não foi uma 'marolinha'

Após o pronunciamento do presidente da República percebi que criou uma crise política tão grande que qualquer tentativa de conversar sobre o Covid-19 seria interpretada de forma política. Porém, hoje me sinto compelida a refletir alguns pontos: 

1- O isolamento por 2, 3 meses ou até um ano, se torna inviável; independente de crise financeira, mas pelo simples fato de que quando liberar a população, de uma vez, o pico de contaminação se dará da mesma forma; 

2- Os países que ignoraram o isolamento inicial de 15-20 dias pagaram um altíssimo preço; esse período serve não só para impedir a contaminação geral, como para o país adotar outras medidas (construção de leitos, etc).

3- Até agora essa PANDEMIA tem contaminado (de forma geral) a classe social mais alta (aqueles que viajaram para o exterior) e esses tem acesso a planos de saúde e hospitais com leitos e UTI, no entanto é inevitável que a contaminação atinja a classe menos favorecida, que não dispõe de tantos leitos; 

4- Quando isso ocorrer o poder público deve passar a regular os leitos  privados, mas alguém pagará essa conta! Como os radicais que andam defendendo a perspectiva econômica costumam dizer: "Não existe almoço grátis"! 

5- O tempo médio de ocupação de um leito para tratamento da Covid-19 é de 2 a 3 semanas... Ou seja, a rotatividade do leito não é alta e também não será barata! 

6- Liberação imediata da população, como defendido no pronunciamento do presidente, não significa fomento na atividade econômica; todas as empresas podem estar abertas e não terem faturamento suficiente (repito que estou considerando o isolamento de 15 a 20 dias e não por tempo superior);

7- O número de casos confirmados no Brasil não está altíssimo pelo simples fato do teste só ser realizado nos casos graves. É fundamental a realização do teste em massa, não apenas nos casos graves! O poder público precisa se empenhar nesse ponto! Para vcs analisarem, Nova Yorque realiza 16 mil testes por dia!!! Só com testes em massa poderá identificar e isolar quem tem o vírus e está assintomático (essa pessoa continua transmitindo o vírus );

Identificar quem já foi infectado e nem sabe (ou seja, já tem imunidade e não precisa mais de isolamento)

8- Não existe confirmação científica que o vírus tem baixa carga viral nos países tropicais ou de clima quente; 

9- A pandemia no Brasil está no começo, ainda não atingiu o pico!!

10- Temos a obrigação de cuidar da população com mais de 60 anos! É importante o isolamento deles, mas temos a obrigação de lembrarmos que são pessoas e não um número frio dentro de uma estatística de letalidade! 

Conclusão: esse distanciamento social inicial (15-20 dias) é fundamental para a pandemia não sair do controle! Quem puder cumprir que o faça! Não devemos nos alarmar além do necessário, como também não se pode minimizar a seriedade do caso. Estima-se que 70%  das transmissões foram de pessoas assintomáticas ou com poucos sintomas. 

Façamos cada um a sua parte, seguindo as recomendações de especialistas, neste caso os cientistas e profissionais da área da saúde!! 

 **Resumindo: não se trata de uma " *gripezinha* ", como um dia o tsunami econômico não chegou no Brasil como uma " *marolinha "!!!* 

Ana Cristina Feldner é delegada da Polícia Civil em Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











(1) COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

Leitor   27.03.20 20h31
Que se isole quem pode. Milhares de comerciantes e autônomos precisam trabalhar para comer, o país não pode parar! O grupo de risco, +60 anos, devem sim ser isolado, pessoas com doenças crônicas também. A fome e suicídios vão matar mais que o corona vírus. Eu apoio o presidente Bolsonaro. Só não entende quem não quer e pode ficar isolado em casa, com seu salário altíssimo do governo garantido.

Responder

17
16
ricardo  28.03.20 08h56
A OMS “recomenda” e não “decreta” o Isolamento Social como governadores e prefeitos. Isolamento social =FIQUE EM CASA. Voce tem algum motivo imprescindivel para sair de casa, se não for indispensavel não saia. (ex: vou comprar um carro; uma camisa; um perfume; um shampoo – nada disso é vital, pode aguardar alguns meses para adquiri-los. Vou comprar remédio – não precisa sair de casa pois a farmácia faz a entrega domiciliar. Vou almoçar no restaurante- não é necessidade relevante pois voce pode fazer em casa, e etc..). Logicamente se todos seguirem o Isolamento Social proposto pelos cientistas e médicos, gradualmente os comércios não essenciais interrompem ou diminuem as atividades. É esse o motivo das propostas de ajudas economicas dos governos em todo o mundo. A interrupção gradual da economia em consequencia do Isolamento Social FACULTATIVO da população. Toda a população vai contrair o virus COVID-19. A função da recomendação do Isolamento Social é para qua o virus seja transmitido de maneira mais lenta ao longo do tempo e não sobrecarregar o sistema de saúde. Ex. Um milhão de infectados em um mês sem o isolamento social facultativo, ou um milhão de infectados ao longo de nove meses com o isolamento social facultativo. Com os governos estaduais e municipais DECRETANDO o fechamento de todo comércio não essencial uma avalanche de ações judiciais contra os cofres públicos estaduais e municipais irão se avolumar na justiça, além do que é impraticavel manter a economia parada ao longo de nove meses ou mais. É uma questão de consciência pessoal, não pode ser imposta pelo governante.

Responder

2
2

Confira também nesta seção:

TV REPÓRTER

INFORME PUBLICITÁRIO