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08.01.2012 | 10h27


OPINIÃO / KATIANA PEREIRA

Mataram o rock em Cuiabá



Como ouvinte e apreciadora de rock and roll resolvi escrever esse artigo para, quem sabe, as casas noturnas locais se preocuparem em agradar a esse público que está carente de atrações.

Em Cuiabá, é cada dia mais difícil sair de casa para escutar uma boa música. Bares, boates e demais estabelecimentos do ramo parecem que esqueceram que existem pessoas que não gostam de escutar sertanejo, funk e pagode, pois é praticamente só isso que nos é oferecido.

Casas tradicionais da capital se renderam ao funk e ao sertanejo universitário. É preciso ter muita sorte para conseguir uma programação para o fim de semana que não seja embalada por uma trilha sonora que contenha "Ai se eu te pego. Ai ai se eu te pego".

Temos, sim, uma casa noturna que atende o público que gosta de rock, e é até um lugar agradável, perto do Instituto Federal de Educação. Mas, poxa, tem que ser a mesma banda sempre? Sim... todas as sextas-feiras, é sagrado a banda tocar. É uma banda boa, tem história por aqui, mas tudo tem limite. E pior é que o repertório da banda é o mesmo, há pelo menos uns cinco anos.

Estão me avisando que aqui tem outra casa que toca rock, ela fica localizada no centro de Cuiabá. Conheço o local e não me agrada. Explico os motivos. Existe um estereótipo de que o apreciador de rock é aquele sujeito de cabelo grande e ensebado, que usa camisa de banda, tênis All Star e correntes espalhadas pelo corpo.

Acham ainda que o roqueiro é sempre sem grana, que só pode pagar uns R$ 10 de ingresso... Aí, oferecem casas noturnas que não valorizam o dinheiro gasto lá. Têm empresários que devem pensar que quem gosta de rock não gosta de ar-condicionado, banheiro lavado e cerveja gelada. E tem mais... Acreditam que tocando os eternos sucessos de Pink Floid, Led Zepellin, The Doors agradam os clientes. Tem música nova que foi lançada e que são despresadas por músicos, que devem pensar que já aprenderam tudo.

Abram os olhos, empresários. Roqueiro gosta de coisa boa, por isso é tão seletivo no gosto musical. E quanto às bandas de rock: tá na hora de sair do porão e ir pro palco. Aposto que muitos vão agradecer.

KATIANA PEREIRA é jornalista em Cuiabá e repórter do MidiaNews.

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(2) COMENTÁRIOS

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Waldelir G. Costa  09.01.12 09h01
Quero parabenizar voce Katiana Pereira, sou morador da grande Cuiabá a 5 anos, tenho filhos que gostam de Rock and Roll, e infelizmente so temos dois locais onde podemos ouvir um pouco de qualidade musical, eu notei que no Mato Grosso o "gosto musical" é pra outro estilo, mas nosso estado é grande e muito miscigenado culturalmente, e nós merecemos ser respeitados e valorizados por gostarmos de Rock, lembrando que muitas das musicas que fazem "sucesso" nas noites locais são versões de nossas musicas antigas.

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Marcos Campos  09.01.12 09h01
Concordo em número gênero e grau. Faltam empresários com culhões e coragem para entender que Cuiabá tem uma tradição roqueira desde os anos oitenta, com bandas cantando músicas próprias e versões ao invés de covers requentadas. Desde que surgiram, bandas como a Strauss e Lynhas de montagem tocavam em bares com casa cheia sem ter de apelar para o mesmo repertório e pras músicas de FM. Mas nunca ouve dias tão sombrios na música cuiabana que perdeu sua identidade e seus espaços pros "ai se eu te pego" da vida. Haja paciência. Quando será que vão trocar de banda no Clube de esquina? O poder público nbão investe nada em cultura e projetos como o sexta-feira na praça simplesmente não existem mais. Socorro. Um abraço nessa pessoa que chamou esse assunto tão perfeitamente abordado. Parabéns pela visão e pela lucidez de suas palavras.

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