10.04.2020 | 08h00


OPINIÃO / MARCELO AUGUSTO

Made in Brasil

Estamos vendo a batalha de preços do petróleo ajudar a crise econômica causada pelo coronavírus

Matematicamente, a relação entre a quantidade demandada e o preço de um bem ou serviço pode ser expressa pela chamada função demanda ou equação da demanda. O preço de uma economia de mercado é determinado tanto pela oferta como pela demanda. (Teoria da oferta e demanda)

Ok, estamos vendo a batalha de preços do petróleo ajudar a crise econômica causada pelo coronavírus chinês. Só para lembrar, o coronavírus chinês é um exemplo de pleonasmo redundante que vem se afirmando não só como uma cepa produzida na China, mas também como razão para existir de uma nova figura de linguagem, o pleonasmo redundante, as quais o mundo insiste em fazer de conta que não percebe.

Pois bem, é fácil perceber que a ajuda referida no primeiro parágrafo foi para piorar ainda mais as crises de saúde e econômica mundial. Por outro lado, também agiu e age como coadjuvante na melhora das coisas para a China. É, é isso mesmo, olha a China aí de novo gente!

Pois é, ela só teve a ganhar com a crise do petróleo porque depende muito dessa commodity. Então, com o preço baixo do produto a China consegue compra mais por menos e fechar grandes contratos a preços adequadamente baixos. Mais ou menos o que estão fazendo com outras commodities estratégicas e estas dizem respeito ao que nosso país produz como a soja, o milho, carnes, minério de ferro, etc, etc.

Pois bem, com o crescimento econômico daquele país devido as mudanças em sua forma de fazer política externa, principalmente a econômica, a China tornou-se a segunda nação mais poderosa do mundo econômico.

Esse desenvolvimento trouxe benefícios aos chineses das castas mais próximas do comando do partido comunista e por tabela melhorou a vida de boa parte da população secundária, o trabalhador, aquele que querendo ou não tem que fazer o que é mandado, o chinês periférico, o antigo camarada. Isso significa entre outras coisas a necessidade de melhorar a qualidade de vida, de moradia, de transporte e de alimentação. Tem que ser para todos, afinal à população pobre chinesa não será para sempre cega, surda e muda.

É por aí que o governo chinês poderá caminhar para uma situação complicada por assim dizer. Aquele tipo de situação que ficará cada dia mais difícil de controlar até para um país forte e intolerante com a desobediência aos preceitos fundamentais de seu regime ditatorial. O colapso alimentar.

Pronto, chegamos ao âmago da questão, a parte que nos toca diretamente. Aliás, a nós, aos EUA e a Argentina, para citar alguns dos principais produtores de alimentos do mundo.

De novo cabe uma exclamação do tipo “é isso aí gente”, só que diferentemente daquela situação lá do início do texto, desta vez soa mais como um “olha nós aí gente!”.

Somos nós quem produzimos, somos nós quem ofertamos, somos nós quem devemos ditar o preço. Nada será mais correto que administrar nossos estoques de alimentos em regime de guerra.

É assim que a China faz nestes momentos com sua produção de máscaras, respiradores e tudo o mais que afeta o mundo nessa crise de saúde que vivemos. É assim que devemos fazer para sobreviver a crise de alimentos que virá como uma das muitas consequências da pandemia causada pelo covid-19, o coronavírus chinês.

A situação oferece dificuldades difíceis de transpor, mas também mostra a importância de tomarmos decisões inadiáveis para proteger e gerenciar com austeridade o que produzimos de mais precioso, alimentos e outros insumos básicos.

Não tivéssemos sido travados pela incompetência dos governos anteriores deveríamos estar processando aqui a maior parte de nossa produção agropecuária e em quantidade suficiente para alimentar o mundo. Mas não, não temos essa capacidade agora porque aqueles governos optaram por incentivar a exportação de nossos produtos “in natura”.

Quantos empregos foram jogados fora pelos responsáveis por erros estratégicos e políticos do passado? Quanto deixamos de crescer por não processarmos quase nada de nossa produção agropecuária?

Quantas estradas deixaram de ser pavimentadas, ferrovias implantadas e hidrovias utilizadas por interferências internacionais, pela corrupção engendrada, orçada nos desvios e pelos sobrepreços de obras e serviços? Quanto deixamos de produzir ao não reduzir nossos custos de transporte e por não utilizar incentivos honestos e adequados ao processamento de grãos e carne nas próprias regiões produtoras?

São muitas perguntas, mas a resposta cabe em um só parágrafo.

A resposta reside no que fizeram os governos que se seguiram a partir de março de 1985 quando foram abandonadas as propostas contidas nos Planos Nacionais de Desenvolvimento, os PND’s, que foram deixados de lado quando ainda estavam em plena implementação. Foram jogados fora para afastar a possibilidade de que a boa herança deixada pudesse ser reconhecida um dia como a alternativa correta para prosseguirmos com a continuidade de nosso desenvolvimento econômico e social no ritmo e nas proporções que haviam acontecido nos anos anteriores.

Aqueles planos, saibam os mais jovens e relembrem os mais velhos, propunham exatamente isso a que nos referimos nos parágrafos atrás. Esses PND’s foram elaborados para também promover a descentralização e a desconcentração do desenvolvimento do país que naquela época já se concentrava na região sudeste e que por não terem sido implementados em sua totalidade ainda estão nela concentrados em detrimento do resto do país.

Nos seis últimos anos dos governos militares, a dispeito da segunda crise do petróleo e da crise econômica que se abateu sobre o mundo o Brasil pela primeira vez recorreu ao FMI. Mesmo assim, nosso PIB cresceu 13,93%, com média de 2,34% ao ano.

Esse período também foi marcado pela anistia ampla total e irrestrita, pela extinção do bipartidarismo e pela campanha das Diretas já.

A partir de então José Sarney tomou posse como Presidente da República no lugar de Tancredo Neves em um golpe do Congresso Nacional, esse sim um golpe contra a Constituição vigente na época. Seu governo ficou marcado pelo plano econômico fracassado e por ter entregue aos brasileiros uma inflação de 1.972,91% ao final de seu mandato. Depois dele, sabemos muito bem tudo que aconteceu.

Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











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