20.01.2013 | 08h21


OPINIÃO / GABRIEL NOVIS NEVES

Horóscopo

Reconheci no telefonema um especial amigo, embora já tivesse esquecido, ao desligar o telefone, a previsão do meu horóscopo.



Há um tempo perguntei a um antigo e tarimbado jornalista, editor do jornal mais lido da cidade, qual a seção preferida pelos leitores.


Sem pensar ele me respondeu: “horóscopo”.


Fiquei surpreso. Imaginava que política, futebol e coluna social seriam os vencedores dessa pesquisa empírica.


Os anos se passaram e, quase ao “dobrar o cabo da boa esperança,” comecei a escrever para jornais.


Todas as vezes que encaminho os meus artigos para a redação lembro-me do velho jornalista.


Os adversários que havia escolhido – política, futebol e sociedade, continuam fortíssimos concorrentes para um articulista amador.


Imagino ter que enfrentar uma coluna que advinha o futuro das pessoas baseado no estudo do sol, da lua e dos planetas!


Com uma atração irresistível na pátria das superstições, quem teria ainda tempo disponível para uma olhadela na seção dos articulistas?


Iniciei então a prestar atenção nas pessoas que leem horóscopo através de perguntas discretas, porém especulativas.


Sem o apoio de qualquer instituto de pesquisa, fiquei impressionado com o número elevado de leitores que mantém o hábito de consultar o seu futuro antes das manchetes dos jornais.


Eu mesmo me descobri um dependente na leitura dessas diárias previsões, seja no trabalho, no amor ou saúde.


Interessante, é que o leitor do horóscopo não comenta o seu prognóstico do dia, a não ser para pessoas da sua mais absoluta confiança.


A futurologia, mesmo sendo considerada uma ciência astrológica, sofre tremenda discriminação dos materialistas.


Politicamente não é correto falar sobre esse assunto, embora seja o predileto dos políticos.


Na Bahia, o horóscopo do dia corre três vezes: manhã, tarde e noite – nos moldes do jogo do bicho.


O enorme sucesso dessa leitura é que ela é curta e o seu esquecimento é imediato, não alugando massa encefálica.


Pelo menos comigo é assim. Leio com atenção o que os astros dizem e, no final da leitura do jornal, não me lembro mais das recomendações


Dia desses recebi um telefonema de um colega exultante com a leitura do meu horóscopo.


Enquanto ouvia a leitura sobre o meu futuro, esforçava-me para lembrar daquilo que tinha lido cedo no meu jornal.


A felicidade do meu colega me contagiou, não sobre o planejamento traçado pelos astros para este complemento de tempo, mas por saber que tenho amigo.


Reconheci no telefonema um especial amigo, embora já tivesse esquecido, ao desligar o telefone, a previsão do meu horóscopo.

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