07.12.2012 | 12h00


OPINIÃO / JOSÉ LACERDA

Hidrovias, História e Marinha (II)

Considerada a rede hidrográfica mais extensa do mundo, a Bacia Amazônica ocupa uma área total de cerca de sete milhões de km²



 

O Brasil possui uma das mais extensas e diversificadas redes fluviais do mundo, dividida em 12 regiões ou bacias hidrográficas. Mato Grosso tem o privilégio da natureza de três, dessas bacias, passarem por seu território: a Amazônica, a Tocantins- Araguaia e a do Paraguai. São verdadeiras riquezas de mananciais de água doce de importância ecológica, social e econômica, fazendo integração nacional e com outros países da América do Sul, como no caso das Bacias Amazônica e do Paraguai.
 

Considerada a rede hidrográfica mais extensa do mundo, a Bacia Amazônica ocupa uma área total de cerca de sete milhões de km² e percorre a Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela. É, também, compartilhada por sete estados: Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso.


Já a Bacia do Rio Paraguai, ao longo do seu percurso rumo ao sul, recebe vários afluentes importantes como o Cuiabá, o São Lourenço, o Taquari, o Miranda e o Negro. Abrange uma área de um milhão de km², sendo 33% no Brasil – Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – e o restante na Argentina, Bolívia e Paraguai.


O primeiro plano estratégico oficial do Brasil Colonial para a utilização da aquavia foi a Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão ( entre 1797 a 1800), que facilitava chegar- até a capital colonial de Vila Bela - alimentos, vestimentas, ferramentas, medicamentos e todo gênero de produtos, vindos de Portugal e da Europa pelo Atlântico, entrando pelo Rio Amazonas.


Antes mesmo da criação oficial dessa companhia, as hidrovias Guaporé-Madeira-Amazonas já eram utilizadas, desde 1742, para o comércio de riquezas minerais e contrabandos, pelos portugueses e espanhóis, mesmo com o impedimento da coroa portuguesa. Foi um dos motivos que originou a iniciativa de criação da Capitania de Mato Grosso (em 1748) para maior controle e vigilância da região e garantir os limites da fronteira oeste pelo Tratado de Madri (1750).


Por via fluvial, do porto de Cuiabá chegava-se até a foz do Rio Manso, alcançando as águas do Arinos, Juruena, Tapajós e Amazonas. A rede hidrográfica compensava as desfavoráveis condições de isolamento e afastamento do litoral atlântico.


No lado da bacia paraguaia, após a solução do conflito provocado pela questão política da navegabilidade do Rio Paraguai, Mato Grosso recebeu grande influência dos povos dos países platinos, no final do século XIX, devido a ligação pelo intercâmbio comercial e as conexões fluviais no transporte de passageiros vindos da Argentina, Uruguai e Paraguai.


Como afirma o conceituado historiador mato-grossense Lenine Póvoas, todas as cidades ao longo do imenso vale dos rios da bacia platina passaram a viver da navegação fluvial que vinha, desde Montevidéu, no Rio Prata ( às portas do Atlântico), até Cuiabá, o ponto mais remoto do sertão adentro, deixando fortes influências culturais nas populações ribeirinhas do estado. Havia um movimento de pessoas vindas da Europa, principalmente italianos e espanhóis, que já tinham passado pelas Repúblicas do Prata e vinham tentar a vida em Mato Grosso, no final do século XIX.


Também, no final do século XIX e início do século XX, a bacia do Paraguai teve grande importância no comércio internacional, enviando produtos extrativistas aos países platinos e para a Europa.


Nos dias de hoje, as bacias hidrográficas de Mato Grosso têm a presença constante da Marinha do Brasil para garantir a segurança nacional.


O governo de Silval Barbosa e a Marinha Brasileira atuam em conjunto nas operações de segurança e de integração da região mato-grossense, no combate a crimes transfronteiriços e ambientais, realizando fiscalizações, inspeções e patrulhas navais.


Na Operação “Ágata 5”, só na área de jurisdição do Comando do 6º Distrito Naval, os navios da flotilha de Mato Grosso e as embarcações da Capitania Fluvial do Pantanal percorrem, diariamente, mais de 820 Km fluviais, empregando seus militares, navios, embarcações e aeronaves.


As aeronaves pertencentes à Marinha participam do esforço de vigilância e ao combate às queimadas, transportando equipes do Ibama e do Corpo de Bombeiros e orientando os militares que atuam no trabalho de apagar o fogo das queimadas.

 

*José Lacerda é Secretário-chefe da Casa Civil do Governo de Mato Grosso

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