09.06.2012 | 09h43


GABRIEL NEVES

Greve sem graça



Os professores da nossa universidade federal entraram em greve geral.

É um direito constitucional e democrático este tipo de protesto. O que estranho é que a nossa universidade acaba de sair de uma eleição livre, em que todos os problemas da vida acadêmica foram exaustivamente debatidos com toda a comunidade universitária.

A proposta da continuidade foi amplamente aprovada logo no primeiro turno, deixando para trás dois excelentes candidatos.

Presume-se, com esse resultado, que a aprovação dos primeiros quatro anos da nossa reitora, não deixou margem para uma substituição, pois transformação no serviço público atualmente é impossível.

As universidades públicas brasileiras perderam toda a sua autonomia e foram transformadas, pelo poder central, em uma imensa repartição pública fornecedora de diplomas superiores e de pós-graduação.

A questão da falta de autonomia foi discutida durante o período eleitoral e, pelo resultado da eleição, aceito por ampla maioria daqueles que compõem a academia: alunos, professores e servidores.

Atualmente os alunos querem apenas os seus certificados de colação de grau e vão se virar no mercado de trabalho.

Os professores sonham com um título de mestrado e doutorado, para se aposentarem em tempo integral, e dedicação exclusiva com um bom salário.

Os servidores são os grandes sacrificados, com salários e reajustes abaixo da inflação oficial e sem planos de cargos e carreiras.

Pois bem. Os docentes entraram em greve por prazo indeterminado. Reivindicam o que foi debatido no período eleitoral, como o concurso público para 176 vagas existentes.

A resposta da nossa re-reitora foi clara e muito honesta: “A universidade não possui autonomia para realização do concurso. Precisa dos distantes e políticos Ministérios da Educação e do Planejamento para obter essa autorização”.

Com essa bancadinha inexpressiva que nos representa em Brasília, é fácil concluir que essa é mais uma greve da nossa querida UFMT que morrerá de inanição.

A prioridade do MEC neste momento é acionar os seus representantes nos Estados (reitores), para que consigam diploma de Doutor Honoris Causa para o presidente que enterrou, ou cremou a autonomia das universidades brasileiras.

No mínimo, acho muito sem graça e inoportuna essa greve atual, que irá prejudicar vinte mil alunos.

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