30.05.2020 | 08h51


OPINIÃO / ONOFRE RIBEIRO

Estado e o verde-amarelo

É nesse ponto que estamos neste exato momento. O Estado impatriótico versus o Estado patriótico

As últimas memórias de conflitos envolvendo a sociedade e o Estado com graves desdobramentos para o povo, foram a morte do presidente Getúlio Vargas em 1954, a renúncia do presidente Jânio Quadros em 1961, e a derrubada do presidente João Goulart em 1964. Mas houve outras anteriores.

Cito, porque estamos vivendo outra etapa de conflito de natureza semelhante. Desde a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao governo, a divisão interna do país se acentuou de maneira radical. Para uns, trata-se da radicalização oriunda da campanha eleitoral quando se defrontaram petistas versus bolsonaristas. Isso é fato.

Mas não é só isso. Se voltarmos um pouco no tempo vamos esbarrar na campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 quando a divisão do Brasil entre PT e PSDB (leia-se Aécio Neves). Quero lembrar que na época circularam milhares de mapas do Brasil dividido em dois. Um vermelho e outro azul. O Norte e o Nordeste ligados numa linha reta de leste a oeste, vermelha e a parte sul do país em azul. Pior.

A ideia transmitida era a divisão do país em duas macrorregiões: uma atrasada, em vermelho, e outra desenvolvida em azul. Já era a radicalização mostrando a sua cara!

Passamos por isso e sobrevivemos como nação. Mas a presidente Dilma não conseguiu pacificar o país porque o seu partido entendeu que poderia sobreviver sem ela. Juntar os pedaços e reconstruir-se para a próxima eleição. Não deu. O que houve todo mundo sabe.

A eleição em 2018 refletiu isso numa outra forma. A radicalização mudou de linguagem. Já não era o PSDB. Um desconhecido PSL e um desconhecido candidato que falava uma linguagem de nacionalismo adequada ao momento.

A imagem do Brasil em cor vermelha estava impregnada no imaginário popular. A outra parte também já não era azul.  Surgiu como verde e amarela. Estava estabelecido um novo conflito entre os nacionalistas e os não-nacionalista. O lulopetismo simbolizava o vermelho socialista.

O saldo tornou-se rigorosamente radical.

O lulopetismo foi derrotado. O novo discurso oficial verde-amarelo passou ao imediato combate ao vermelho. A origem militar do presidente Bolsonaro trouxe junto as fardas militares, caracterizadas pela defesa do verde e do amarelo que representa o patriotismo. Síntese do novo discurso que ainda vigora: o patriotismo versus qualquer tese que tenha outra cor.

É nesse ambiente que o Brasil entrou. O Estado brasileiro, regulado por uma Constituição Federal que privilegiou as corporações públicas, começou a derreter rapidamente. As corporações precisam se defender porque seus privilégios a caracterizam como pertencente à linha não-patriótica. Não totalmente verdadeiro, mas não totalmente inverídico. 

É nesse ponto que estamos neste exato momento. O Estado impatriótico versus o Estado patriótico. Claro que isso não vai terminar bem. Tudo indica...!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

 

 

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(1) COMENTÁRIOS

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John Doe  30.05.20 10h58
Patriotismo ? Balela Veja, eu tenho um amigo que é empresário, ele tem 20 funcionários, ele não paga INSS, não paga FGTS, sonega, tem gato na energia da empresa, pegou isenção do governo estadual mas não cumpriu as exigências, não paga IPTU, omiti os bens na DIR, e nas suas redes sociais ele é verde e amarelo, é o Brasil acima de todos. Eu tenho 50 funcionários, pago tudo certinho, declaro tudo, meu carro não é finan, e eu meu amigo, se colocar na balança os lucros obtidos nas respectivas empresas, eu não ganho metade do que ele ganha. Aí eu te pergunto, quem é o patriota ?? Quem é que está pensando no Brasil? Quem paga os impostos ou quem sonega ?

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