07.06.2019 | 08h37


ROSANA LEITE

Em defesa delas

As estatísticas de violência contra as mulheres, dentro e fora de casa, são gritantes

Todos os anos a Associação Nacional dos Defensores e Defensoras Publicas – ANADEP - abraça a uma campanha para divulgação por todo o país. Esse ano o #Em Defesa Delas ganhou corpo, para fomentar os direitos humanos das mulheres. 

As estatísticas de violência contra as mulheres, dentro e fora de casa, são gritantes. Desde o advento da Lei Maria da Penha, quando o Poder Público passou a quantificar os números, percebe-se que aumentam e diminuem timidamente. Ainda não foi possível, mesmo com tanta boa vontade, frear a sanha dos agressores, que teimam em continuar desmerecendo mulheres, as tratando de cidadãs de segunda categoria, fazendo com que a violência seja constante.

 
Preocupada com a situação vivenciada, mencionada associação vem unindo esforços para que as mulheres deixem de passar por situações de humilhação e constrangimento.

Violência dentro de casa, abusos e toda forma de violência sexual, violência institucional, violência obstétrica, violência contra as mulheres em situação prisional, violência contra as mulheres negras, e por aí afora... O que mais precisamos para o momento é que as mulheres possam conhecer os seus direitos, para que sobrevivam à violência.

Apesar de muito trabalho e de divulgação quanto a esses direitos, o Brasil é um dos países campeão em feminicídios. As ideias patriarcais ainda habitam o consciente e inconsciente de muitos e muitas. Existem mulheres que compreendem que são culpadas pelas violências dentro dos lares. Outras dizem ser culpa delas as cantadas enfrentadas nas ruas.

O tratamento desigual para filhos e filhas é visível naturalmente nos lares, fazendo com que o machismo prolifere. Quando mães e pais mostram, durante a criação e educação, que os meninos são superiores às meninas, a probabilidade de o gênero masculino querer a superioridade para o resto da vida é grande. Existe enorme preocupação das Defensorias Públicas quanto à garantia dos direitos humanos.A divulgação dos trabalhos dos Núcleos de Defesa da Mulher das Defensorias Públicas, denominados nacionalmente como NUDEM, também faz parte dessa empreitada. Algumas mulheres costumam procurar os NUDEMs antes da confecção de boletim de ocorrência, a fim de terem a certeza de que estão sendo vítimas de violência doméstica e familiar. Na ocasião, todas as informações são prestadas, inclusive, as fases processuais.

O comprometimento da Instituição com os direitos humanos é premissa, porquanto, promovemos esses direitos diariamente.

Apesar de a cor verde representar as Defensorias Públicas, na #Em Defesa Delas, o lilás é o predominante, simbolizando a cor que acompanha o movimento feminista.

Contagiar a sociedade com a campanha, que deixa de ser temporária para se tornar objetivo das Defensoras e Defensores Públicos é a missão.                   

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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