29.11.2011 | 10h45


VALDO CRUZ

Dilma, aliados e o bom comportamento



A reforma ministerial vem aí e os partidos da base aliada, aposta o governo, querem enviar sinais de bom comportamento para a presidente Dilma Rousseff.

Alguns querem ampliar seu espaço (PMDB e PSB), outros buscam mantê-lo (PDT, PP e PC do B) e há aqueles que desejam reconquistar territórios perdidos (PR). Sem falar no novato PSD.

Daí a confiança do Palácio do Planalto de que pode contar apenas com seus aliados no Senado, maioria tranquila na Casa, para concluir ainda neste ano a votação da DRU (Desvinculação da Receita da União).

Tanto que, pelo menos por enquanto, a orientação palaciana é de recusar acordo com a oposição para acelerar a votação da DRU Ðtucanos e democratas queriam em trocar votar a regulamentação da emenda 29, que garante mais verbas para a saúde.

A avaliação de assessores presidenciais é que a base aliada, mesmo insatisfeita com o tratamento dispensado a ela pelo Planalto, não tem para onde correr.

Afinal, a oposição ao governo Dilma está desarticulada, a presidente tem boa avaliação pública e, até aqui, só fez ganhar com as sucessivas demissões de ministros Ðmesmo tendo agido nos episódios muito mais como reação ao noticiário.

Quem tentou abandonar o barco dilmista, como o PR ao perder o Ministério dos Transportes, recuou. Trabalha, agora, para ganhar nova pasta na reforma prevista para janeiro. Tanto que votou fechado com o governo na Câmara dos Deputados durante a tramitação da DRU.

O fato é que a base aliada ainda tenta se adaptar ao estilo Dilma. A petista seguiu o tradicional roteiro do toma-lá-dá-cá na distribuição de ministérios para seus aliados, mas nas últimas trocas não atendeu plenamente os desejos dos governistas.

Na hora de liberar emendas parlamentares, tem ficado muito mais na promessa do que no seu cumprimento. Dos R$ 6 milhões acenados por parlamentar, liberou na média apenas a metade.
Mesmo assim, a base aliada dilmista tem votado basicamente seguindo os desejos do Planalto. Não sem fazer aqui e ali ameaças de troco --até agora não cumpridas.

É bom destacar que estamos no primeiro ano de mandato e, por enquanto, os aliados têm receio de enfrentar de frente a presidente Dilma. Até quando, a conferir.

*Valdo Cruz, é repórter especial da Folha e colunista da Folha.com. Cobre os bastidores do mundo da política e da economia em Brasília

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