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07.12.2019 | 07h55


OPINIÃO / NATASHA CREPALDI

Dermatite atópica

São lesões avermelhadas, que coçam muito e, às vezes, descamam

Nesta época do ano, de calor intenso e chuvas ainda tímidas, a dermatite atópica costuma incomodar quem sofre com esse processo inflamatório crônico. Causas externas como poeira domiciliar, pelos de animais, produtos de limpeza, amaciantes de roupas e tecidos sintéticos são gatilhos das crises. E tem mais, estresse emocional também impacta na saúde da pele.

Dermatite atópica são lesões avermelhadas, que coçam muito e, às vezes, descamam, mais comum em crianças. Para se ter uma ideia, até 20% das crianças possuem dermatite atópica. Sabe aqueles bebês com bochechas vermelhinhas? É importante avaliar se é dermatite atópica, pois se positivo, essa vermelhidão deixa a criança irritada. Geralmente, elas se localizam na face das crianças pequenas e nas dobras do joelho e cotovelo das crianças maiores e dos adultos. Na maioria dos casos, a criança tem familiares com asma, rinites e alergias e elas também podem apresentar a dermatite associada a estas doenças.

Ainda não se conhecem as possíveis causas da dermatite atópica, mas há evidências de que predisposição genética e histórico familiar de atopias influenciam o aparecimento da enfermidade.

Por uma predisposição genética, a pele do paciente atópico é produzida com defeito, o que provoca uma perda da função de barreira protetora cutânea, ou seja, a gente fica sem um escudo de proteção forte. Assim perdemos água da pele e aumentam os riscos de infecções, pois pele seca, com microfissuras são mais vulneráveis aos agentes infecciosos.

Ela é crônica, porém não significa que não tem controle, daí importante tratar para evitar que piore. Uma criança sem tratamento para dermatite atópica vai ter mais verrugas, moluscos, problemas virais e micoses. Então, o ideal é tomar banho com água morna para fria, com pouco sabonete, aplicar hidratantes indicados para pele com dermatite atópica até três minutos após o banho, manter as unhas curtas das crianças, evitar roupas sintéticas e amaciantes, enxaguando bem as roupas para tirar totalmente o sabão.

É fundamental fazer um controle de fatores alérgicos do ar da casa onde a criança vive, como pó, pelos, insetos, pólen. Quando ela estiver em casa, realizar limpeza úmida para evitar que a poeira se intensifique no ar.

Vale lembrar que o ambiente da criança com dermatite atópica não deve ter bichinhos de pelúcia, estofados e cobertor. Lembrar que elas são mais ativas e devemos ter mais atenção com o emocional da garotada, pois quando abalado, os sintomas pioram. A maioria dos casos melhora com hidratantes, mudança de hábitos e com medicamentos em cremes. E claro, não se automedique, busque sempre um médico especialista para lhe orientar.

NATASHA CREPALDI é médica especialista e mestre em dermatologia, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), da American Academy of Dermatology (AAD), e da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV).

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