13.08.2019 | 08h33


ONOFRE RIBEIRO

Dante, Mauro, desafios

Ambos iniciaram suas gestões dentro de enorme crise financeira do Estado

Todo mundo sabe que a História não se repete. No máximo, se assemelha.

As gestões Dante de Oliveira e Mauro Mendes estão separadas por 24 anos. Dante em 1995 e Mauro em 2019. Ambos iniciaram suas gestões dentro de enorme crise financeira do Estado. Em 1995, quando Dante começou, para cada 1 real arrecadado, o Estado devia 3 reais. Depois de uma série de manobras políticas acabou por fazer uma pesada reforma administrativa.  A sociedade compreendeu a necessidade, embora uma parte dela tenha pago um preço muito alto.

Mauro Mendes assumiu a gestão em idêntica situação de crise. O enredo é diferente, mas é uma crise financeira que espalha os mesmos efeitos destruidores daquela de Dante. No início da gestão Mauro tomou algumas medidas duras e terá que tomar outras ainda. O ambiente político é diferente. O serviço público não tinha o peso que tem hoje e a gama de direitos difusos e confusos o transformou num poder paralelo. Não é fácil mexer nele. Por sua vez, os poderes eram menos politizados do que são hoje.

Agora a equação comum aos dois. Dante foi muito penalizado politicamente pela reforma, mas conseguiu reeleger-se governador em 1998. Porém, no segundo mandato faltou-lhe outra causa relevante. A memória popular esqueceu-se da reforma e pediu mais. Faltou-lhe um planejamento estratégico de um lado. De outro, a própria dinâmica da situação pós-reforma trouxe avanços importantes na economia e na percepção política para o Estado. Faltou-lhe essa capacidade de planejamento.

Com Mauro o risco parece semelhante. A crise inicial da sua gestão, era crescente e foi contida. Mas ainda não foi solucionada. O tema crise é do pleno conhecimento da sociedade que tem apoiado o governador sem discutir. Tirando os professores que fizeram uma greve contestando isso, as demais categorias, os poderes e a sociedade política e econômica compreendeu.

Portanto, resta ainda no primeiro mandato ao governador Mauro Mendes fazer aquele planejamento que a Dante coube no segundo mandato e que, na sua ausência, arruinou-o na eleição para o Senado em 2002. Portanto, as semelhanças são claras. Dante já morreu e nos deixou a sua história e lições. A Mauro restam 3 anos e quatro meses de gestão. A crise acabará junto com o fim da crise do Estado brasileiro.

Portanto, a pergunta que une Dante e Mauro persiste: o que virá depois do fim da crise. A resposta tem a cara que terá o seu futuro político.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.


Confira também nesta seção:
21.08.19 09h08 »  Seguro agrícola
21.08.19 08h54 »  Verba indenizatória (VI)
21.08.19 08h51 »  Industrializar para crescer
21.08.19 08h47 »  Tipificação do stalking
20.08.19 09h06 »  Liberalismo
20.08.19 09h04 »  Agroterrorismo
20.08.19 09h00 »  As criptomoedas e o Fisco
20.08.19 08h45 »  Urbanismo
19.08.19 11h00 »  Sentir-se velho
19.08.19 08h20 »  Preservação

Enquete

ABUSO DE AUTORIDADE

Você concorda com aprovação da Lei para punir juízes?

Concordo: MP e Juízes erram muito e prejudicam pessoas de bem

Não concordo. A aprovação da lei é que é um abuso

Bolsonaro deveria vetar a lei

Bolsonaro deve sancionar a lei

  • Parcial

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER