08.04.2012 | 15h17


WILSON FUÁ

Cuiabá e suas histórias



Dia 08 de Abril, comemora-se o aniversário desta Terra Mãe daqueles que nasceram no Centro da América do Sul, ao completar 293 anos Cuiabá pode ser considerada com uma cidade ainda em formação, quase três séculos depois muito se fez e muito se está por fazer, mas a partir deste mês Cuiabá receberá grandes obras em forma de presente, vindo por força da Copa do Mundo. Cuiabá será transformada e preparada para receber o maior acontecimento da sua história, será um evento assistido por milhões de telespectadores do mundo inteiro.

Alguns desinformados não acreditam e torcem contra os grandes investimentos que estão a aportar nesta cidade, disparam críticas dizendo que o Estado ficará endividado, será que Cuiabá não merece esses investimentos? Mas importante que os palpiteiros de plantão saibam que  todos os recursos para construção da Mobilidade Urbana, (viadutos, trincheiras, passagens de nível), virão através de convênios com o governo federal (DNIT), com o custo apenas de contrapartida para o Estado (10 a 15% do valor). São obras que a Prefeitura de Cuiabá jamais poderia realizar com arrecadação própria e por financiamento não teria capacidade de endividamento. A realização a Copa de 2014, foi o grande presente para Cuiabá, e dentro desse pacote de presentes, estamos recebendo o que mais interessa que é a transformação da cidade, a modernização da suas vias, o VLT - o mais moderno transporte de passageiros; um estádio moderno e com a cara do Pantanal, são investimentos que Cuiabá merece e também uma preparação da cidade para  daqui 08 anos,  dispor de toda  estrutura de uma grande metrópole ao completar os seus 300 anos.

São gerações e gerações de cuiabanos, que defenderam as fronteiras deste país e defenderam heroicamente os limites até além do Tratado de Tordesilhas, e diante da grande extensão continental do Brasil,  enfrentaram séculos de isolamento, tendo apenas as vias fluviais como meio de transporte, e neste aniversário podemos sentir no ar a felicidade em forma de perspectiva para o começo das obras. Cuiabá tornou-se a cidade das oportunidades, aqui flutuam por todas as partes grandes interesses comerciais, turísticos.  O importante é que hoje todos nós que nascemos aqui temos orgulho de ser cuiabano, amando e defendendo tudo que diz respeito as nossas tradições, como  verdadeiros filhos defendendo a sua própria mãe, Cuiabá terra mãe de todos nós. A magia de viver em Cuiabá, acontece porque  vivemos o nosso propósito de vida. É só vivendo aqui é que conseguimos entender o significado de tudo isto que existe como forma de gentileza ao receber os visitantes. É por estar vivo em Cuiabá, que passamos entendemos que  nada  nos falta em forma felicidade e por isso temos  jeito festivo de ser.

Mas, antes das transformações que a cidade ira passar, este é um momento de reflexão e recordação dos grandes momentos vividos nesta cidade acolhedora e hoje considerada com  cidade das oportunidades. Todos nos somos estrangeiros, pois chegamos a esta parte do mundo através dos nossos ancestrais, ás vezes entre percalços e logo somos apresentados a uma nova vida. Uma vida que nos exige uma rápida adaptação, contornos de obstáculos, escolhas de amigos(as), e até mesmos estratégias de sobrevivências nesta terra de muito calor. Quem vem para cá, veio por  escolha e aqui começaram a escrever a sua vida de acordo com livre arbítrio, são novos cuiabanos que serão responsáveis  por suas  próprias  caminhadas. Portanto, Cuiabá poderá ser o fim da sua estrada, e aqui ficará sua bagagem de vida, conhecimento, derrotas e vitorias  construída e que ficará em forma  de herança aos seus filhos que serão os novos cuiabanos por  conseqüência da sua escolha. Será que ao escolher Cuiabá para sua morada definitiva foi uma escolha sábia, ou os seus caminhos foram traçados ao encalço dos caminhos de outras pessoas?

Aqui em Cuiabá todos os estrangeiros (paus rodados) são bem recebidos e com o passar do tempo,  começam a assimilar os costumes locais, o sotaque, o amor à terra, e logo recebe um apelido e vira cuiabano,  mas alguns oferecem uma forma de resistência, mantendo na íntegra os seus costumes, não aprendem o desdenham do sotaque do lugar, dificilmente deixarão de ser estrangeiros neste Brasil de tantas raças e nacionalidades.

Cuiabá e suas histórias, cada rua, cada beco, em todos os cantos desta cidade tem história.

Será que não tem nenhum vereador que possa propor a instituição da “Semana do Movimento Rusga”, ao invés de ficar dando Título de Cidadão Cuiabano, para qualquer um endinheirado (possíveis financiadores de Campanhas)? Os vereadores deveriam estar criando leis que obrigue o Prefeito a abrir espaços em forma de Literatura, Teatro e Movimentos Culturais   para que os nossos jovens possam ter o entendimento do que foi a Movimento Rusga, porque ele existiu e o resultado dele como movimento revolucionário, e o que foi feito dos lideres?  Porque os cuiabanos matavam os traidores com bala de prata?

Porque Cuiabá foi a segunda cidade do País a desenvolver esse movimento político?

E acima de tudo para dar um sentido de exaltação dessa passagem histórica para todos os cuiabanos, fatos que aconteceram aqui nas ruas de Cuiabá, e principalmente informar que movimentos iguais a este aconteceram concomitantemente em cinco estados do Brasil no período de 1832 a 1.838.

A Rusga aconteceu no dia 30 de maio de 1834, durante a tarde a ala dos radicais liberais reuniram no Campo D’Ourique (hoje Praça Moreira Cabral), e esquematizaram para a noite a maior matança de portugueses já ocorrida no País até então, (o movimento Farroupilha acontece em 1.835 e o de Cuiabá foi em 1834), e  através de grupo armado eclode o que ficaria conhecida como a Rusga Cuiabana, dentre os considerados como líderes da rusga citamos alguns revoltosos: Pascoal Domingues de Miranda; Braz Pereira Mendes; José Jacinto de Carvalho; Bento Franco de Camargo; José Alves Ribeiro; Euzébio Luís de Brito; Manoel do Nascimento e Antonio F. Mendes.    

Neste dia 08 de abril, ao relatar esse movimento, que fique  historicamente homenageado todos aquele  heróis que lutaram no Movimento Rusga pela liberdade do comércio e de livre pensamento aqui.

Que todo aniversário da nossa querida cidade verde, sejam criado espaços comemorativos que possa relembrar dos famosos cuiabanos que ficaram inseridos na história do país, como:

1 - Marechal Eurico Gaspar Dutra (Um cuiabano Presidente da República do Brasil);

2 - Marechal Candido Mariano da Silva Rondon ( Considerado Mundialmente como o Patrono das Comunicações);

3- Filinto Muller, (Ex-senador pelo PSD e ex-presidente do Congresso Nacional, militar e advogado,  é lembrado por muitos como personalidade mato-grossense que marcou época);

4 - Joaquim Duarte Murtinho (Cuiabá, 7 de dezembro de 1848 — Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1911) foi um político brasileiro liberal. Estadista, ganhou fama por restaurar as finanças republicanas no governo Campos Sales (1898-1902).

5 - Gov. Dante Martins de Oliveira ( Conhecido Nacionalmente como o “Homem das Diretas Já”, movimento pela redemocratização do país) e outros.

08 de abril, como cuiabano temos que homenagear aqueles que fazem parte da  nossa Cultura, como grandes escritores: 

-  D. Aquino Correia,  Rubens de Mendonça; Silva Freire; Moises Martins; Lenine Povoas, Liu Arruda, Ives Cuiabano, Manoel Wenceslau Leite de Barros, utiliza muito a temática do Pantanal e outros, muitos outros.     

08 de abril, dia de sentir saudade da velha Cuiabá, viajar no tempo e reviver  a boemia dos amores comprados nos Cabarés do Baú Sereno, do Bar Internacional com as mesas onde se reuniam os intelectuais e idealistas, Bar do Biano que nos finais de tarde era o ponto de encontro sagrado dos moradores dos bairros do areão, lixeira e bandeirantes, Choppão onde se misturam toda a estratificação da formação e diversificação de pensamentos pulsantes da cidade , Bar Soraia – boemia pesada unindo o centro e os bairros, das Boates Sayonara, Balneário Santa Rosa e Tabaris, ali a boemia dançava, bebia, amava e vivia as grande noitadas.

Ser  boêmio cuiabano é acima de tudo, saber  comemoram tudo:  se ele estamos vivos nada mais justo que comemorar a nossa existência, se não tem nada a comemorar, a chegada de mais um amigo ao redor da mesa, já é um motivo. Pelos olhos dos boêmios vê-se  como é lindo o amanhecer   nas  ruas e nas esquinas de Cuiabá,  tomando uma Cerva bem gelaaaada, com  os  bares lotados de apreciadores da noite  com muitas gargalhadas , muita mulherada, muita conversa fiada   e   curtindo uma boa música ao vivo. Dizem que Cuiabá não dorme, porque dia e noite pulsa a vida.

Saudade das festas religiosas: São Benedito, Senhor Divino e São João, de repente ao fechar os olhos parece que voltamos a sentir  os sabores e cheiros do Chá com Bolo após as missas,  em nossas memórias ficaram as lembranças aqueles rasqueados chamados de “limpa banco”  executados pela Banda de música do Mestre Inácio, lá pelo lado do Bairro do Baú, ali eram realizados  os grandes bailes de Beleca e Juja, eram festas de fazer noite virar dia e dia virar noite.

Saudade do clássico vovô, Mixto e Dom Bosco, dutrinha lotado, Gurizada dependurada nos muros, a espera do hino nacional, onde os policiais ficavam em posição de sentido, e eles pulavam para dentro do estádio. Saudade daquela voz marcante de Ivo de Almeida nas suas narrações vibrantes, até parecia que iria voar da cabine e descer no gramado. Como era bom ver os torneios inícios, com os grandes  batedores de pênalti pelo Dom Bosco – o Tom e pelo Mixto – o Ruiter, eram pênaltis sem fim.

Parabéns Cuiabá no seu 293 aniversário, como sinto orgulho de ter nascido aqui e  só por isso sou feliz, agradeço  por este momento único, que é a felicidade de escrever sobre este lugar abençoado,  ficarei sempre satisfeito e honrado por este dom da vida de ser filho de Cuiabá.

*Wilson Carlos Fuá é especialista financeiro e recursos humanos.
 

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