09.04.2012 | 08h32


OPINIÃO / GABRIEL NOVIS NEVES

Corrida de 8 de abril



Manhã típica cuiabana, com temperatura desumana. Às seis horas deste domingo de primeiro de abril - marco inicial dos festejos comemorativos aos 293 de Cuiabá - entra no ar o som possante de um hiper super sistema de som, em decibéis incompatíveis à saúde humana, anunciando e convidando a população para a Corrida Ecológica.

Para os madrugadores da área de ação da poluição sonora, proibida por lei municipal, foi mais um desrespeito ao cidadão e à Casa de Leis.

Aqueles que costumam recuperar no domingo as horas de sono perdidas durante o trabalho semanal, um castigo.

Estava cumprindo com a minha estatutária caminhada matinal, que faço há anos, e cheguei ao local da concentração dos corredores, e da poluição oficial sonora permitida pela lei da falta de respeito ao cidadão.

Com a minha máquina fotográfica do iPhone documentei farto material, para nunca mais me esquecer dessa corrida de vários discursos políticos durante o período do esquenta.

O calor insuportável e a largada da Corrida Ecológica atrasada preocuparam os médicos presentes. Um pouco antes das nove horas é acionada a buzina da largada.

Segundo os organizadores do evento, menos de duas mil pessoas de todas as idades e sexo, pegaram o chip da corrida. 

O que me despertou a atenção foi a quantidade de soldados da polícia militar e viaturas, um pelotão de soldados do Corpo de Bombeiros, e respectivas viaturas, além de ambulâncias e equipes médicas completas para o atendimento de emergência.

Indignado, fiquei a me perguntar. Se as policlínicas e o Pronto Socorro estão sem médicos - segundo a Secretaria de Saúde Municipal - em uma cidade avassalada pela dengue, de onde foram retirados esses profissionais para decorarem a festa de aniversário da eterna capital?

E os inúmeros policiais militares - que não vemos durante a semana em uma das cidades campeãs de arrombamentos de caixas eletrônicos?

Do combate ao crime organizado, que faz o que quer na terra de Pascoal Moreira Cabral, com drogas sendo comercializadas em pontos fixos?

E a violência considerada fato normal, e sua impunidade nem mais sendo percebida?

Deus me livre se precisar de auxílio dos briosos militares do nosso Corpo de Bombeiros, com efetivo insuficiente para atender a demanda da capital.

Com um calor de deserto, muitos policiais militares, ambulâncias, carro dos bombeiros, políticos e aspirantes a um carguinho, e até “atletas”, iniciou-se os festejos de mais um aniversário da nossa judiada Cuiabá.

Não sei como terminou a corrida no clima desértico, e nada sobre as ocorrências. Quem presenciou o início não precisa adivinhar o final da novela.

*Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá.


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