14.02.2020 | 07h55


OPINIÃO / VICENTE VUOLO

Carmel

Cidade praiana é um recanto romântico que sempre tive a vontade de conhecer

Depois de Los Angeles, a minha viagem pela Califórnia seguiu rumo a costa norte até a cidade praiana de Carmel, um recanto romântico que sempre tive a vontade de conhecer.             

Na verdade, o caminho até Carmel é um dos trechos mais interessantes da viagem da costa, pois atravessa a estrada panorâmica 17 – Mile Drive, passando pela famosa Peebble Beach com campos de golfe espetaculares e a cidade costeira de Pacific Grove, conhecida pelas suas casas vitorianas, por seus museus, pela migração anual das borboletas-monarca (de asas laranjas com listas pretas e manchas brancas), pelo escritor estadunidense Jonh Steinbeck (Nobel de Literatura de 1962) e pelo passeio na famosa Cannery Row, que se notabilizou por causa do romance de Jonh Steinbeck “ A Rua das Ilusões Perdidas (Caravana de Destinos)” transformado em filme em 1982.               

Ao chegar em Carmel, esta estância abastada, repleta de galerias de arte e lojas, logo percebi aquelas ruas perfeitas que parecem cenário de filme, observando os telhados das casas que de tão diferentes, sinuosos e charmosos, já viraram cartão postal da cidade. Inclusive, as casas mais famosas são abertas à visitação, mediante prévio agendamento.

A vegetação na praia também é uma particularidade da região, com suas árvores contorcidas. Um dos trajetos mais lindos é caminhar pela praia até o final da Carmel Beach, repleto de casas encantadoras e ciprestes, árvores com distribuição cosmopolita, frequentes no hemisfério norte, mas não há nenhuma espécie nativa do Brasil.                 

Outra característica da cidade é a possibilidade de degustar vinhos deliciosos. O interessante das degustações de vinho em Carmel é que os salões de degustação estão bem próximos uns dos outros e em pouco tempo pode-se degustar diversos vinhos diferentes. Existe o “Carmel Wine Walk”, um passaporte inteligente que te dá direito a fazer degustações em 10 das 14 vinícolas da cidade. O passaporte custa 100 dólares.                 

Para proteger a cidade de um crescimento desenfreado, há uma série de leis super rígidas. Uma delas, é que Carmel não pode ter nenhuma loja ou restaurante de rede, o que torna o comércio de Carmel muito autêntico e bem diferente de outras cidades turísticas da Califórnia.         

Entre os vários eventos culturais da cidade está o festival de Bach mais importante da América, o Carmel Bach Festival, que irá celebrar sua 83ª temporada em 2020 com 15 dias de apresentações, palestras e eventos educacionais. Como sempre, o foco não está apenas em Johann Sebastian Bach, o compositor germânico que cativou o mundo. Mas, também, em muitos artistas que ele influenciou, como Handel, Mozart, Brahms e tantos outros.               

Outras atrações que fogem do óbvio são a “Carmel Mission”, um dos locais mais importantes da história da Califórnia, que conta sobre o povoamento da região e a catequização dos indígenas por padres franciscanos espanhóis. A arquitetura original do prédio, e os cinco museus instalados em seu interior proporcionam ao público uma impressionante viagem no tempo.              

O turismo é hoje em dia uma das mais férteis indústrias de serviços, movimenta bilhões de dólares e milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, o Brasil ainda teima em não dar-lhe importância. Não dedicamos-lhe o lugar que merece nos nossos planos de desenvolvimento e poucos são os recursos para investimento na área. Uma pena!

Vicente Vuolo é economista, cientista político e coordenador do movimento pró VLT. 

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