10.06.2019 | 08h46


ONOFRE RIBEIRO

Bomba de efeito retardado

Setor privado deve se unir para defender interesses e pressionar a máquina estatal

Nas últimas semanas tenho conversado em particular ou em grupo com importantes líderes empresariais do Estado a respeito de alguns temas.

Por exemplo: o papel das instituições representativas dos setores. Ou, a carga tributária. Ou a penalização dos setores produtivos com aumento da carga de impostos para bancar os custos crescentes do Estado. E, por fim, o preconceito que se formou na sociedade contra os empresários, alimentado pelo serviço público e pelos dirigentes governamentais. Na prática, isso representa uma bomba de efeito retardado, pode explodir sem mais nem  menos.

Apesar de tantas frentes a serem enfrentadas, só há um caminho. Seria as representações empresariais tomarem posições políticas em nome exatamente dos setores que representam: comércio, indústria, serviços, agricultura e pecuária, transportes, dirigentes lojistas.

O que houve com as representações públicas? A representatividade parlamentar faliu junto com a falência dos partidos. Os poderes faliram. As universidades faliram. Os poderes executivos faliram. O funcionalismo público faliu. Mas nem por isso o Estado deixou de gastar cada vez mais para prestar serviços abaixo da crítica.      

No entanto, os empresários foram demonizados pelo Estado porque os impostos arrecadados já não bastam pra pagar as contas de salários, da previdência e das despesas sempre crescentes. Nesse caso, só resta às federações, no caso estadual, se organizarem pra ter voz política e enfrentar a onda negativa que o Estado joga-lhes nas costas. Por sua vez, o Estado só aumenta os seus custos.     

Junto com as federações todas as instituições privadas precisam se juntar como vozes capazes de construir teses e propostas que se contraponham ao poder crescente e às despesas irresponsáveis da chamada máquina pública.     

Exemplos não faltam. Os incentivos fiscais que em qualquer outro Estado são aplaudidos em Mato Grosso foram demonizados. Funcionalismo público quer os recursos a serem incentivados para pagar-lhes os salários. Já o Estado avança sobre os setores produtivos e criminaliza-os pra pagarem mais impostos.     

É uma equação delicada. O Estado não mudará jamais, por mais que prometa. As corporações nunca abrirão mão de benefícios e de privilégios, nem dos seus custos crescentes. O setor privado é quem deve se unir para defender os seus interesses e pressionar a máquina estatal. Contudo, a pergunta cruel é: existem líderes empresariais capazes de conduzir esse jogo

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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