09.03.2012 | 09h38


OPINIÃO / ANA ADÉLIA JÁCOMO

Atendimento no SUS



Meu filho tem um plano de saúde, graças a Deus. Eu e meu marido conseguimos realizar este sonho há pouco tempo. Após anos, contratamos uma assistência médica e estamos muito felizes e aliviados por isso. Contudo, nem sempre foi assim e para milhões de brasileiros isso não é possível. Há um dermatologista amigo da família que só atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, como meu bebê estava com umas manchas na pele que não curavam, decidi levá-lo ao tal médico conceituado.

Para minha profunda tristeza, o atendimento já começa ruim desde a distribuição das fichas. Não são apenas alguns médicos que maltratam os pacientes, mas certas atendentes, porteiros, faxineiras. Enfim, é uma cultura da humilhação que perpetua no sistema de Saúde nacional. Por mais que programas de televisão denunciem, por mais que a população cobre, parece que nada resolve o mau atendimento.

Mas, enfim, alguns podem pensar: “Qual o problema de se consultar pelo SUS? Já que é de graça podemos aguentar qualquer situação, pois estamos precisando”. Há que se mudar esse pensamento. Não estamos consultando de graça, nós pagamos por isso. São as verbas do dinheiro público que sustentam os hospitais, os salários médicos e de toda equipe. É nosso dinheiro que compra os remédios. Somos roubados o tempo todo. Políticos desviam montantes que deveriam melhorar a pasta e assistimos a tudo perplexos e calados.

Mas, retomando a consulta.. O médico nos recebeu como se fôssemos um incômodo, um estorvo e presenciei minha mãe – que era minha acompanhante – ser tratada extremamente mal. Reagi, é claro. Retirei minha amada daquele local e fomos embora, espero que para nunca mais voltar. Mas as criticas não são vãs e nem tampouco abrange uma questão pessoal. É uma questão coletiva. Escrevo pensando em uma sociedade, em um país.

Essa pontuação é até clichê, mas Cuiabá sediará uma Copa do Mundo em 2014 e um pronto-socorro mediano é tudo que temos? Policlínicas sem medicamentos, sem equipamentos, sem remédios e filas, muitas filas. Isso é tudo que temos? É fato que usufruímos de um sistema ruim, mas ter que aguentar aqueles cartazes com os dizeres: "É crime desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela" já é demais. Não é crime destratar um paciente doente que precisa de ajuda médica?

Vale lembrar que desde 30 de dezembro o governador Silval Barbosa baixou um decreto proibindo os avisos. A Ordem dos Advogados do Brasil entendeu que os "avisos" funcionam como uma ameaça aos usuários do serviço público e uma defesa preventiva para o servidor, que veta a possibilidade de qualquer reclamação em relação ao péssimo atendimento.

 

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