04.12.2019 | 07h58


JOÃO EDISOM

América do Sul e o ano de 2019

Como veem, 2019 não será facilmente esquecido na América do Sul.

Chegou dezembro de 2019 e possivelmente a América do Sul irá registrar na história como o ano dos conflitos de interesses diversos que colocaram o regime democrático dos países e o modelo governamental a prova.

No Brasil, o ano começou com a posse do presidente Jair Bolsonaro, o primeiro eleito com discurso de enfrentamento das forças postas (esquerda e centro esquerda) desde a redemocratização ocorrida exatamente há 30 anos (1989). Porém, a consolidação deste governo ainda depende das reformas, que estão lentas e complicadas.

Na Venezuela houveram as maiores crises e confrontos de rua, tendo um presidente auto proclamado (Juan Guaidó) que, apesar dos diversos conflitos, não consegue subir ao trono nem tirar Nicolás Maduro do poder. Os conflitos e mortes ainda não cessaram.

Na Colômbia houve a violência nas campanhas eleitorais municipais deste ano.  Deixaram a marca de sete candidatos assassinados, oito vítimas de atentados, um sequestrado e outros 53 ameaçados. Em agosto os ex-líderes das Farc anunciaram uma ruptura com o acordo de paz.

No Equador, tendo que lidar com uma situação econômica muito difícil e estando com uma popularidade baixa e sem perspectivas de reeleição, o presidente Lenin Moreno promoveu cortes drásticos dos subsídios aos combustíveis, resultando em vandalismo, saques e violência policial.

No Paraguai a oposição e as ruas se mobilizaram para pedir o impeachment de Mario Benites, envolvido num escândalo que envolve a energia de Itaipú.

No Peru, frustrado em suas tentativas de fazer reformas políticas e seguindo com sua agenda anticorrupção em um país cuja classe política foi amplamente afetada pela operação Lava Jato, o presidente Martin Vizcarra dissolveu o Congresso e pediu novas eleições com apoio popular.

No Chile a indignação contra um aumento no preço da passagem do metrô em Santiago se transformou em um enorme movimento contra o governo de direita democraticamente eleito de Sebastián Piñera. Mais de 20 pessoas já morreram nos confrontos, centenas ficaram feridas e outras centenas foram detidas. O conflito segue sem data para acabar.

Na Bolívia a presidente Evo Morales, através de uma manobra jurídica, disputou o quarto mandato. Após ele ter sido declarado vencedor em uma eleição coberta de suspeitas de fraude, a população foi às ruas e Morales acabou renunciando e se exilando no México. No vácuo de poder deixado pela renúncia de Morales e de sua linha sucessória, a senadora Jeanine Áñez assumiu o Executivo interinamente para convocar novas eleições.

A Argentina vive uma profunda crise econômica que levou milhões à pobreza. O país elegeu um novo presidente ainda no primeiro turno. O ambiente, porém, está altamente polarizado. O presidente Maurício Macri deixa a Casa Rosada em dezembro para que os peronistas Alberto Fernández e sua vice Cristina Kirchner assumam o governo. Mais crises a vista.

O Uruguai, o mais equilibrado de todos, nos surpreendeu, pois termina o ano com uma eleição que ficou quase empatada, demonstrando uma clara divisão onde os governistas perderam o poder depois de mais de quinze anos para um governo mais voltado a direita.

Como veem, 2019 não será facilmente esquecido na América do Sul.

João Edisom possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso, especialização em Psicologia Educacional pela Universidade Federal de Mato Grosso e mestrado em Educação pela Universidade de Cuiabá. 

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