23.11.2011 | 11h29


REINALDO DO CARMO DE SOUZA

Ainda bem que existe o outro!



Uma coisa mais irritante nas empresas é o perfil psicológico de funcionários que querem se eximir de suas responsabilidades, colocando a culpa nos outros. Como dizem os americanos, “passar o macaco”, é devolver a tarefa ao seu chefe ou aos seus pares, contando com uma das desculpas tradicionalmente aceitas na cultura das empresas brasileiras.

No Brasil, talvez este comportamento possa ser explicado, uma vez que é esse o processo natural de autodefesa contra uma chefia autoritária e burocratizada, onde não se admitem erros ou omissões.

O jogo de empurra, empurra é uma instituição nacional. Até mesmo os governantes utilizam-se desse processo, pelo temor de tomar iniciativas que possam gerar polêmicas. O medo de criar caso faz com que o brasileiro prefira “deixar como está, para ver como fica”.

O tempo, muitas vezes, resolve por si só as questões, justificando assim a atitude preguiçosa das pessoas. Como critica destrutiva campeia fácil, só aumentará a crença de que tomar qualquer iniciativa gera tantos riscos, que é melhor não fazer nada, embora frequentemente em administração de empresas “mais vale uma decisão errada no tempo certo do que uma decisão certa no tempo errado”.

Os conceitos populares arraigadas na cultura do nosso povo são levados para dentro das empresas, gerando atitudes negativas no desenvolvimento dos negócios. Às vezes, o costume, a urgência, a hierarquia rígida, a confusão de funções, o excesso de auto-estima e importância, geram a fuga da responsabilidade pela iniciativa, daí a existência de uma verdadeira tabela de desculpas. Veja abaixo:

1.      Ainda não fui informado;

2.      Estou tão ocupado que não tenho tempo;

3.      Estou com tanto trabalho que não posso fazer;

4.      Não sabia que você tinha tanta pressa;

5.      Ainda estou aguardando aprovação do “chefe”;

6.      Estou aguardando meu chefe chegar para lhe perguntar;

7.      Ninguém me disse que era para continuar;

8.      Sempre fiz dessa maneira;

9.      Como poderia saber que não era assim?

10.  Esqueci!

11.  Pensei que já havia dito;

12.  Achei que não era importante;

13.  Este não é o trabalho;

14.  Não compete ao meu departamento;

15.  Não fui contratado para isso.

Aproveite esta tabela e exercite o seu potencial de desculpas. Após o resultado, tente pelo menos eliminar as nove primeiras. Não deixe que o outro leve a culpa. Para de se desculpar! Dê soluções!

* Reinaldo do Carmo de Souza é professor do Programa de Expansão Universitária da Universidade de Cuiabá.

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