06.12.2011 | 07h38


UBIRATAN BRAGA

A revolta dos nobres

Passa longe a convicção de que o Estado anda bem das pernas. De forma silenciosa, alguns empresários estão ensaiando retirada pela tangente. Isso mesmo, algumas grandes empresas estão levantando suas plataformas para outros estados menos incipientes no quesito “beneficio fiscal”.

Há quem diga que a tal da concessão não passa de balela. Outros consideram de “lixo fiscal”.  Fator motivador: energia, comunicação e combustível mais caros do Brasil.

O beneficio, a meu ver, deve ser mantido, renovado, ampliado, valorizado e gerenciado com inteligência. Acredito que todos que querem desenvolvimento, também, pensam assim.

Goiás é um exemplo. R$ 10 bi de investimento em 10 meses aportados por conta da concessão. O Espírito Santo abocanha R$ 1.8 bi anual somente com o beneficio fiscal da importação Ou seja: o governo concedeu e as empresas investiram. No Goiás, indústrias automotivas e segmento farmacêutico se instalaram pela facilidade propiciada pelo governo.

Para se ter uma idéia, mais recentemente, a CCJ da Assembleia/GO aprovou o projeto de lei nº 2.247/11, de autoria do deputado Wagner Siqueira (PMDB), que concede benefícios fiscais para compra de bicicletas adquiridas por pessoas físicas no Estado de Goiás.

O peemedebista argumentou que a medida garante ao ciclista um privilégio fiscal que facilita a aquisição de meio de transporte seguro, econômico, saudável e ecologicamente correto. A matéria recebeu parecer favorável. Isso é apenas uma pequena mostra.

A fuga das empresas é preocupante, muito preocupante, pois postos de trabalhos estão sendo ceifados à julgar a já saída das empresas Gabriela; Grupo Caseli; RS Pneus; Braimex Trading, que trocaram Mato Grosso por Goiás; São Paulo; Minas; Espírito Santo; Santa Catarina e Paraná e a reboque outras ensaiam essa mudança.

A Vicunha talvez não venha. Ou os legisladores freiam a corrida ou o estado vai à bancarrota ou algo nesse sentido. E mais: algumas indústrias estavam mirando investimentos para esta banda e desistiram pelo aviso daqueles que saíram. E se a onda pega, como será? Como pensar em industrialização primaria? Como aquecer exportações? Como, como?  Ôh! Serafim cadê tu? Ôh Paiaguás reaja!

O prisma de que a retirada esvazia o cofre palaciano é pertinente. Isso por conta da política fiscal de Mato Grosso regida por decretos e atos afeitos às vontades empresarias, as normas legislativas e a insegurança jurídica como grande vilã.

Como arrecadar no futuro sem elas aqui? Todos sabem que 100% de nada é nada.  Silval cadê tú? Ainda dá tempo. Chame técnicos e não fiscalizadores. Chame a vontade política e não político com vontade. Chame a Assembleia, pois ela tem tentado te chamar e não ouves.

Os nobres estão reclamando, mas reclamam em silêncio pela peculiaridade que a educação exige. 

UBIRATAN BRAGA é jornalista, radialista e publicitário em Cuiabá.

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