10.11.2019 | 07h55


DUMARA VOLPATO

A nossa morada

Estar conectado com a nossa essência é o que nos basta, é onde encontramos a nossa casa

Em tempos de mudanças tão repentinas, ter um lugar para se sentir em casa é um sonho perseguido por muitos em meio à multidão que habita esse planeta Terra. Sim, estamos falando aqui daquele lugarzinho seguro onde você pode ser você mesmo. E é a respeito disso que conversaremos hoje.

A palavra casa tem sua origem no latim que quer dizer “morada” ou “moradia” e, partindo desse conceito, podemos incialmente pensar em um espaço estruturado que abriga o indivíduo e o protege dos fenômenos naturais externos. Aqui essa definição poderá lhe trazer uma imagem de uma casa que pode ser de alvenaria, de palafitas, até de ouro, você pode imaginar a casa dos seus sonhos. Um lugar que lhe oferece segurança e conforto para descansar, sim e isso hoje em dia pode ser o sonho de muitas pessoas. Como é bom ter um lugar para chamar de seu. Entretanto, poderia lhe perguntar, caso morasse na casa dos seus sonhos sem as pessoas que você ama, sem poder compartilhar suas alegrias ou apenas interagir com alguém para mostrar seu coração, você seria feliz?  Você se sentiria completo? Você se sentiria capaz de enfrentar todos os seus medos e suas inseguranças? Eu acredito que não. Onde de fato encontro esse lugarzinho abençoado para chamar de lar?

Existe um lugar que é único, uma morada ou “casa” como você prefira chamar, que foi feita exclusivamente para você, nenhuma outra pessoa nesse imenso universo terá igual. Pode ter até semelhante, mas não iguais. Acho que você já sabe do que estou falando, certo? Sim, estou falando do seu próprio ser, de você mesmo, do seu corpo e daquilo que lhe torna possível animá-lo. A essência que habita em seu ser e lhe faz único nessa imensidão. Um lugar que para muitos ainda é desconhecido, que nos oferece segurança, capacidade para lidar com qualquer adversidade do meio.  E diante desse novo conceito de lar, me deparei com algumas reflexões: o que estou fazendo para que minha casa esteja sempre limpa e arejada? Como estou cuidando desse corpo que me acolheu com tanto carinho e me oferece condições para desempenhar minhas atividades? Como estou cuidando de meus sentimentos e pensamentos para que tenha mais saúde e prosperidade nessa jornada nesse planeta? E essas reflexões me colocaram em movimento, um movimento interno de busca pelo real sentido da vida. Será que estou utilizando de todos os instrumentos e ferramentas que disponho ao meu alcance para contribuir para algo? Para um mundo melhor?

Foram essas questões que me motivaram à  uma jornada de autoconhecimento, um encontro comigo mesma.  Diante dessas e outras perguntas vi a necessidade de regressar, de retornar ao início, olhar minunciosamente para meu passado, fazer um estudo da minha infância, da minha origem - e aqui digo um reencontro com meus pais e, não de encontrá-los pessoalmente, mas sim de um reencontro de  sentimentos. Vi-me uma menina diante de uma história que ainda não conhecia, a minha história, história essa que doía e ainda dói às vezes, mas que com o passar do tempo e o exercício em lê-la e estudá-la a tem deixado mais interessante e mais bela. Encontrei-me com uma nova forma de senti-la e vivenciá-la e assim aceitá-la. E só assim conhecer meus sentimentos, aquilo que me faz vibrar o coração. Esse movimento me deu capacidade de enfrentar meus medos, minhas inseguranças, expandir meus limites e encontrar a minha essência. E aqui é o caminho de casa.

Encontrando a nossa essência, a segurança passa a ser nossa companheira onde quer que estejamos, em qualquer lugar, em qualquer cidade, em qualquer País, estaremos em nossa casa. Então, se nosso caminho tomar outra direção, estaremos sempre em casa, ligados a essa conexão com que há de mais profundo em nosso ser e que está conectado com aquilo que há de mais profundo no universo.

Nesse sentido Bert Hellinger diz: “O mais profundo de nós não tem começo. Foi antes de entrarmos em nossa vida. E fica além desse tempo, exatamente como era antes. Onde há a parte mais profunda do nosso ser é onde estamos permanentemente em casa. Onde quer que estejamos e aonde vamos, estamos inteiramente em casa”.

Estar conectado com a nossa essência é o que nos basta, é onde encontramos a nossa casa, o nosso lugar de segurança. Não precisamos da aprovação de ninguém para ser feliz, não precisamos mais de coisas para ser feliz.  Aprendemos a ser felizes conosco, rir e chorar de nossas confusões e embaraços, e nos orientar e conduzir por nosso coração, nada mais será estranho para nós, seremos um com todos e todos serão um conosco.

DUMARA VOLPATO é advogada e Terapeuta em Constelação Familiar com Curso em Hellinger Sciencia pelo Instituto Hellinger do Brasil; Formação em Constelação Familiar pelo Instituto CreSer de Campo Grande – MS; Curso de Aprofundamento em Novas Constelações e Curso de Análise Transacional pelo Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier; e Praticante Profissional de Cura Reconectiva e Reconexão, pelo The Reconection, Califórnia – EUA. E-mail: dumaravolpato@gmail.com

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