24.02.2012 | 07h32


WILSON CARLOS FUÁ

A gota que faltava



Quando as nossas relações são mais  extensivas, estamos  propícios a  nos irritar com as reações exageradas das pessoas que fazem parte do nosso meio. E, geralmente  não conseguimos  sentir ou ver o sofrimento e desacertos emocionais daquela pessoa que pensamos conhecer, e ao  fazermos um pequeno comentário ou uma brincadeira, num ato surpreendente  – eis que essa pessoa passa a nos agredir verbalmente,  chora, ou torna-se agressiva demais conosco.

"Em nossas vidas muitas vezes não nos  importamos com o limite dos outros, para explicar o peso sobre os desgastes,  vamos descrever  a figura de linguagem, usando a imagem de um boxeador, que depois de sofrer uma saraivada de golpes, permanece em pé, ao ir para o descanso, bastou o treinador  abaná-lo  com uma  toalha, ele foi à lona, foi nocauteado”.

Quantas vezes você já deu uma seqüência de golpes muito duros nas pessoas que fazem parte do seu relacionamento, naturalmente pensando que os outros são obrigados a assimilar esses golpes  sem reclamar, quando de repente,  por um comentário ou uma causa irrelevante, podemos  levar o nosso amigo ou o nosso amor ao chão de forma desastrosa, e mesmo assim  a julgar-nos tal reação como exagerada e desproporcional tendo em vista causa tão mínima, a causa mínima foi a gota  que  transbordou da taça de sofrimento, acumulada por anos e anos de brincadeiras debochadas. Mesmo o ex-amigo ou o ex-amor sendo forte na assimilação dos golpes, e finalmente ao abaná-lo com a  toalha levou-o  a nocaute apesar de muitos anos de relacionamento.

Como seres humanos temos os nossos momentos de fragilidade e nesses momentos de fraquezas, podemos reagir com agressividade ou palavras rudes às pessoas que amamos porque nesse dia o nosso limite chegou ao fim.

Muitas vezes somos alvos de piadas, risos, desprezo de pessoas próximas a nós, e com o passar do tempo, a fraqueza e a assimilação tornam-se uma arma muito forte capaz de destruir um amor, um relacionamento de amizade de anos, e dessa amizade ou desse amor ficará a saudade  atropelada pela  ignorância do afastamento,  do vazio e do passado que se foi,  ficará pelo resto da vida o julgamento dos nossos ex-amigos ou ex-amores, e desse julgamento errado, se não fizermos um exame de consciência dos nossos atos, erradamente veremos apenas os outros  como afiadores de machado que foi usado no corte que destruiu  um grande relacionamento.

Dentro de nós existe um monge capaz de enfrentar tudo e até a temida morte, mas  existe também um monstro que a qualquer momento escapará do nosso controle e destruirá tudo que construímos com muito cuidado, mesmo depois de  muita assimilação de golpes duros que machucaram por anos e anos, até que chegou naquele momento final e o limite transbordou. 

Fim de um limite, tudo ficará para traz, aquele colo que nos acolheu, aquelas mãos que sempre nos ajudaram a levantar; aquelas alegrias que nos proporcionaram  as melhores gargalhadas e mesmo as lágrimas que foram enxugadas, tudo será passado, até aquele olhar que sempre nos admirava como um  ser adorado e amado virou a esquina e desapareceu.   A vida nos faculta o direito e o dever de fazermos nossas escolhas. Ninguém é totalmente perfeito ou imperfeito, tudo é questão de saber se controlar. Muitos  indivíduos arrogantes que se acham donos do mundo, não conseguirão nada a não ser um espaço tão pequeno, onde ficarão presos em suas próprias  ações desajustadas.

Não se surpreenda com as ações das pessoas, porque a explicação da vida  encontra-se dentro de cada um de nós e todas as respostas que procuramos, constitui em  observarmos bem a nossa volta e levarmos tudo que vemos pra dentro de nós mesmos.  Às vezes julgamos apenas o nosso próximo – sem entender que das nossas brincadeiras em forma de humilhação,  pode ter sido a gota que transbordou a taça do sofrimento daqueles que nos suportaram por muito tempo, sem reclamar e que naquele dia era o dia do basta.

Temos que controlar nossos impulsos e emoções, principalmente quando forem prejudiciais às pessoas que nos amam ou que dependem de nós. Caso contrário quando a chama desses sentimentos se apagarem, e ao olharmos para o caminho que percorremos, estaremos  computando apenas destroços das nossas vidas.

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa.
E qualquer desatenção,
Faça não,
Pode ser a gota d’água”
Chico Buarque de Holanda

Economista Wilson Carlos Fuá – É Especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos
Fale com o Autor:  fuacba@hotmail.com
 

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











(2) COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

Antonio  24.02.12 16h02
me identifiquei !

Responder

0
0
Maria Luiza - contadora  24.02.12 12h02
muito bom esse artigo!

Responder

0
0

Confira também nesta seção:
21.09.19 07h55 »  Brasil x Queimadas
21.09.19 07h55 »  Paulo Freire
21.09.19 07h55 »  Advogado não precisa de privilégios
21.09.19 07h55 »  Turismo
20.09.19 08h14 »  Cassação de Selma é patifaria contra a Lava Jato
20.09.19 07h55 »  Plante esta ideia
20.09.19 07h55 »  Impunidade
20.09.19 07h55 »  A importância da ciência
20.09.19 07h55 »  Setembro Amarelo
19.09.19 08h32 »  Centro Histórico de Cuiabá

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER