02.04.2012 | 08h53


ONOFRE RIBEIRO

A Copa e alma mato-grossense



No programa “Hora Marcada” da última quinta-feira, na TV Estrela, canal 17, conversei com os jornalistas Kleber Lima e Rosana Vargas. Lá nasceu a provocação para este artigo. Talvez possamos classificar como um grande equívoco, a nossa despreocupação com a parte cultura e do turismo na Copa do Mundo de futebol, que se realizará na capital de Mato Grosso em 2014. Vamos aos fatos.

Todos os enfoques do governo para a copa estão no estádio de futebol, nas obras de mobilidade urbana e no VLT. Tá certo. Mas o que fazer com grandes massas de pessoas do mundo inteiro que virão assistir os jogos da copa? Cada jogo dura 90 minutos, mais o tempo de deslocamentos, entrada e saída do estádio, quem sabe, chegue a 180 minutos, ou três horas. O que um visitante fará nas outras 21 horas restantes? Vamos dizer que ele durma oito horas. Restarão ainda 13 horas. Certamente ele quererá procurar lugares pra visitar e pra comer. Esses lugares existem, mas estão completamente fora do planejamento do evento.

Jogos da copa implicam obrigatoriamente em turismo. Nisso estamos a zero. Eventos culturais e o aproveitamento da história e da cultura, muito pior. Estão completamente fora. Mas o turista terá 13 horas do seu dia à toa. Resumindo: a copa do mundo é muito, muito, mas muito mais do que simples futebol. Esse tempo bem preenchido será um campo fértil para novos negócios e para revitalizar a cultura e a alma mato-grossenses a partir da capital do estado.

O mundo lá fora, vive uma terrível aridez de alma. Tecnologias em excesso, solidão em excesso, vida absolutamente prática e racional, pressões sociais e econômicas, deixando poucos espaços para manifestações de alma. Quem visita Estados Unidos, Europa, Japão e agora a China, fica impressionado com a vida das pessoas de lá: frias e distantes entre si, até mesmo da família. E nós aqui, com uma alma gigante, alegre, com cultura, com belezas naturais virgens, e essa gente aberta, sorridente e acolhedora.

Mais do que os jogos, a alma cuiabana e mato-grossense serão o nosso grande atrativo. Mas em meio a esse mundo de possibilidades, há alguns dias cogitou-se de extinguir as secretarias de Cultura e de Turismo. Isso indica a desimportância atual de ambas para esse cenário do futuro bem próximo.

Concretamente é preciso dizer: muito maior do quaisquer obras físicas, as “obras” invisíveis ligadas à alma mato-grossense são muito mais importantes para quem chegar. As obras físicas ficarão para nós como herança da copa. Mas a alma mato-grossense será a herança de nossa alma no espírito árido de quem virá de longe nos visitar e ver os jogos.

Urgente pensar nisso, com a mesma preocupação como agora preocupam as obras físicas para a Copa. Mesmo que seja preciso bater bumbo em frente às secretarias de Turismo e de Cultura para elas acordarem pra o seu importante papel nisso tudo. Kleber Lima e Rosa Vargas estão cobertos de razão!

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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