11.12.2019 | 08h18


GILSON NUNES

A carne não é vilã

Ela está sendo usada, como efeito cascata, para justificar outros aumentos

Tudo indica que existe uma interpretação errônea sobre a lei da oferta e da procura. Não sei bem o termo técnico/contábil, mas, entende-se. Refiro-me sobre os preços elevados da carne. Há um descompasso de preços nos açougues, em todo o Brasil, por conta das exportações da carne bovina, para a China.

Vamos tentar entender a situação, que tem virilizado nas redes sociais, inclusive. Quando a produção de qualquer produto agropecuário está em baixa, por motivos quaisquer, o valor comercial dos mesmos e pertinentes, também sobem. É aceitável. Mas quando se trata de exportação de qualquer produto que se tem de sobra, como é o caso da carne bovina, o valor a ser cobrado por ela, em razão da escassez que a exportação provoca, para o consumo interno, não deveria sofrer alteração à maior, pois o que se lucra com ela, haveria de suprir essa escassez. Pelo menos é o que pensa a sociedade. 

O que é bom para o Brasil, parece não ser para a sociedade. Essa colocação parece ser incoerente, mas não é. O Brasil é do povo e o povo pertence ao Brasil. Essa segunda afirmação parece unir as duas ideias desse parágrafo. Vamos entender. Quando um representante do Brasil vai para a Europa, Ásia, África, EUA e outros países da América do Sul, a maioria das vezes é para divulgar os valores comerciais do Brasil, com o intuito de exportá-las. Fato este que inclui, também, a instalação de outras empresas em nosso território.

Neste caso, até isenção de impostos são negociados. Um dos objetivos, todavia, é gerar emprego. No caso da carne, com as exportações, vai aumentar as atividades trabalhistas, principalmente ao que tange o Padrão de Qualidade do produto. Todavia, também há de se pensar que haverá um grande crescimento de ativos para o PIB. Ora, por esse prisma, pergunta-se: por que então, aumentar o preço da carne para o brasileiro, considerando que o Brasil passa a ganhar mais? E a contrapartida, que é o salário do trabalhador, continua o mesmo? Algum economista em evidência, por competência técnica, ajude a mim e a sociedade a entender melhor essa dicotomia. 

O Brasil, através de seus governantes, sabe que anos atrás, o petróleo era quem ditava a economia de nosso pais. Quem fazia imposições, inclusive de recessão, corte de gastos, era o FMI. O Brasil, por sua vez, na condição de devedor, acatava, tinha que entrar na onda pra manter a procissão. Mas, nos dias de hoje, por mais que que o Brasil não esteja “tão bem das pernas”, por falta de competência dos governos – saquearam-no de tal forma, que a vergonha ignorou a palavra “Constrangimento” dos atores responsáveis – ainda assim, sutenta uma das maiores economias do mundo, chegando a ficar em sétimo lugar no ranking mundial. 

A carne, voltando ao assunto, não é a vilã do enfraquecimento da economia do Brasil. Pelo contrário, ela está sendo usada, como efeito cascata, para justificar outros aumentos de outros produtos, no sentido de garantir o equilíbrio da balança comercial brasileira, como o do petróleo, por exemplo. 

Verdade seja dita: o que é que o povo tem que fazer para deixar de pagar por aquilo que ele não deve, ou que não é de sua responsabilidade? Por incrível que pareça, no frigir dos ovos, parece que nem tudo que ´bom par o Brasil, é bom par o povo. Até quando a política vai continuar incidindo negativamente na vida dos brasileiros, colocando de um lado o pais e de outro o povo que dele emana?

GILSON NUNES é jornalista.

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