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12.12.2011 | 10h02


OPINIÃO / GABRIEL NOVIS NEVES

A Caneta

O que eu chamo de puxadinho, nada mais é do que a varanda



Saí de casa no início da tarde para comprar uma mesa e quadro cadeiras para colocar em um puxadinho que fiz no meu apartamento.



O que eu chamo de puxadinho, nada mais é do que a varanda que, depois de derrubadas as paredes que a isolava da sala de jantar, integrou-se ao ambiente de maneira aconchegante.

Como a família cresceu, eu ficava muito incomodado por ver parte dela (as crianças) comendo na copa. Nunca me conformei com essa separação espacial na hora do “comedor”. Queria toda a família reunida.


Por uma dessas coincidências da vida, redescobri a varanda. Para falar a verdade, redescobriram para mim. Em visita rápida a um vizinho aqui do prédio fiquei encantado com a reforma por ele feita – justamente na varanda. O aproveitamento que ele fez daquele espaço, praticamente morto, me inspirou a copiá-lo. E copiei.


A reforma já está na reta final, faltando somente pequenos detalhes. E um desses detalhes, é justamente a aquisição de mais uma mesa com quatro lugares.


Visitei algumas lojas de decoração e, no fim da tarde quente, depois de discutir com vendedores preços, modelos, cor etc., desisti. Estava me sentindo cansado e desanimado. E ciente de que eu, simplesmente, não daria conta de cumprir esse encargo sozinho – e acho que nem acompanhado.


Mas, Deus é testemunha que tinha acordado com o firme propósito de cumprir essa missão. Mas, simplesmente desisti. Não tenho a mínima paciência para esse tipo de trabalho, nem qualificação técnica.


Lembro-me que, ao sair de casa para a aquisição dos móveis, pensei cá comigo: “moleza, só entrar na loja, escolher e comprar – simples assim”. Triste engano. A coisa não é assim tão simples.


Simples é comprar uma caneta. Esta compra eu sei fazer, afinal, caneta é um dos meus instrumentos de trabalho. E como eu as pesco! Estava próximo a uma papelaria e entrei.


Então aconteceu! A vendedora me mostrou uma variedade tão grande de canetas que fiquei momentaneamente confuso. “Meu Deus! – pensei. Será que também não vou dar conta de comprar uma simples caneta?”


Nessa hora, um senhor que a tudo presenciava, e que deve ter percebido a minha dúvida, me chamou pelo nome e disse: “é caneta que o senhor está precisando?” Diante da minha afirmativa, ele falou: “me acompanhe até o carro que eu tenho um presente para o senhor.”


Acompanhei-o até o carro. Ele tinha um verdadeiro almoxarifado daquelas maravilhosas canetas de publicidade. Deu-me algumas da marca “Mueller” e falou que, se eu aprovar a caneta, ele seria o meu distribuidor oficial – bastava um telefonema.


Assim que nos despedimos anotei a palavra “caneta” para estrear os meus textos desenhados pelo presente recebido.


Voltei para casa sem os móveis pretendidos, com um bom estoque de caneta e com a lembrança de uma máxima de Clarice Lispector: “que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”.

 

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