16.05.2020 | 08h00


OPINIÃO / LUIZE MENEGASSI

A batalha silenciosa dos profissionais da educação

Esses profissionais precisam ser vistos, reconhecidos, enxergados por todos.

Todos os dias desde o primeiro dia de pandemia temos vistos muitas pessoas se dedicando às outras, em todas as profissões, e inclusive aqueles que não possuem formação profissional, mas são indispensáveis no dia a dia da sociedade.

Atendentes de farmácia, operadores de caixas de farmácias, de supermercados, repositores de alimentos, pessoas que fazem o transportes de alimentos, combustível, remédios, motoristas, entregadores de todas as ordens, médicos, enfermeiros, técnicos, atendentes dos hospitais, psicólogos,  assistentes sociais, padres, sacerdotes, bispos, pastores, emissários de Deus, dentre tantos que vem se dedicando ao próximo, sem qualquer interesse, apenas pelo amor em servir àquele que tanto precisa.

Temos visto na internet muito conteúdo gratuito, pessoas que se dedicam a auxiliar os outros ultrapassando a barreira da distância física, conteúdos de todos os tipos, de todas as ordens, movimentam as redes sociais, o WhatsApp, os e-mails, chegando de todos os lados, em uma velocidade que jamais foi imaginado por ninguém.

Mas merece aqui uma reflexão, sem retirar todo o mérito de todas as demais ocupações e profissões, mas deve ser registrada a batalha silenciosa travada por TODOS OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO tanto da área pública como da privada.

Todos! Sem qualquer exceção! Desde as recepcionistas das escolas, assistentes, auxiliares, professores, profissionais da cozinha, do refeitório, da limpeza, todos!

Dentre as lutas diárias neste período de pandemia, a batalha silenciosa que os professores tem travado merece ser reconhecida e é digna de um olhar mais atento.

Aqueles que sempre tiveram como centro da atenção crianças e adolescentes, aqueles que sempre tiveram contato físico, abraços, beijos, trocas recíprocas e diárias de afeto misturado com conteúdo (porque faz parte do processo do aprendizado essa troca de carinho e dedicação), agora se desdobram para fazerem o que em sua maioria nunca fizeram: aulas 100% online, aulas através do computador!

Vejam, os pais no decorrer de todo esse período relatam as dificuldades no acompanhamento das crianças e adolescentes nas aulas online, as reclamações são inúmeras, seja falta de atenção, de disciplina, de que as crianças não absorvem os conteúdos, uma lista longa... 

Agora, merece destaque o professor que antes gerenciava em sua sala de aula todos os aspectos do aprendizado, os detalhes e características de cada aluno para a condução do seu aprendizado, e de repente, se viu sem os seus alunos (razão do exercício da sua profissão), se viu fora da zona da sua regular atuação, qual seja, sua sala de aula, fora do aconchego das paredes em que naquelas horas de trabalho conseguia com a troca contínua fazer parte da vida de cada um dos seus alunos.

Conhecemos muitos professores apaixonados pelo que fazem, conhecemos professores da rede pública que ultrapassam diversas barreiras físicas e psicológicas para fazer o seu trabalho, professores da rede privada, professores de cursinhos, do ensino superior, seja da rede privada ou pública.

Esses profissionais precisam ser vistos, reconhecidos, enxergados por todos.

Com o apagar das luzes, eles foram chamados para um campo de batalha que eles não dominam, não conhecem, do conforto de saber qual o caminho para chegar ao resultado da sua profissão, que é compartilhar e ser um guia para a construção do conhecimento do outro.

Com o apagar das luzes e a chegada da pandemia, foram tirados das suas salas de aula, do convívio diário e fortalecedor com os seus alunos, com a comunidade escolar, e foram chamados para desbravar uma área quase que totalmente desconhecida para a educação infantil e fundamental, bem como para tantas outras.

 os seus alunos.

Eles sofrem no escuro.

Ao mesmo tempo, muitos foram chamados ao sacrifício da redução das horas trabalhadas, da incerteza do pagamento dos seus salários, da incerteza da manutenção das vagas nas redes públicas e privadas.

Foram chamados para uma batalha para a qual jamais foram preparados, jamais foram treinados, uma batalha da sobrevivência e manutenção dos seus empregos, e ao mesmo tempo para a reinvenção, na transformação da construção do conhecimento.

Somos testemunhas desses profissionais que atualmente tem levantado a cabeça, tem escolhido lutar esse combate, levantado a cabeça e partido em busca de capacitação, estudado afinco em busca de criar uma aprendizagem rica e afetiva em um momento que as crianças e os adolescentes mais precisam deles, porque eles também sofrem.

Os professores foram chamados a saírem das suas salas de aula, a fazerem logins em salas de aulas virtuais, a prepararem aulas virtuais, foram chamados a fazer o desconhecido, e lutam diariamente.

Cada aula é sim uma batalha. Preparar uma aula online, conseguir a atenção virtual de uma criança ou adolescente em meio a tantas outras coisas mais interessantes existentes e em curso em cada unidade familiar é uma luta, conseguir o engajamento dos alunos, dos pais, dos familiares no auxilio da construção desse momento pois muitas crianças não conhecem ainda os recursos e estão aprendendo a manusear os aplicativos e programas de comunicação, sem falar em tantas famílias que não o possuem, ou ainda só possuem um que precisa ser compartilhado por todos.

Essa luta silenciosa merece voz. Merece ser vista e reconhecida por todos.

Os professores estão sendo chamados, questionados, avaliados pelo seu resultado no aprendizado dos alunos, então sendo chamados à inovação, a reinvenção da sua profissão, à nova realidade na entrega do conteúdo e de uma nova formatação na construção do conhecimento e merecem ser vistos, merecem o nosso olhar, o nosso reconhecimento.

E mesmo com todas as incertezas no meio educacional, e também na vida de cada profissional, eles seguem nas trincheiras da batalha. Ao contrário do que pensam, eles não pararam, eles não deixaram de buscar, de estudar, de se capacitar, de explorar o desconhecido. 

Eles seguem e merecem o nosso apoio e reconhecimento pela batalha que travam todos os dias, merecem o nosso olhar, o nosso agradecimento pelo empenho, pela dedicação e especialmente pelo amor com que escolhem todos os dias seguirem. Nosso reconhecimento a todos os profissionais da educação que seguem na batalha pela construção do nosso futuro.

Luize Calvi Menegassi Castro é advogada e sócia proprietária do Centro Educacional Bebê Prime.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











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