10.09.2012 | 11h34


VALORIZAÇÃO

Região do Coxipó desperta o interesse de investidores

Aporte de aproximadamente R$ 350 milhões de empresas privadas e dos governos está atraindo novamente o setor empresarial e desenhando um novo cenário para o futuro para a localidade



 

Construção de pontes, viaduto, hospital, e pavimentação de ruas e avenidas transformam a “vocação” imobiliária e o desenvolvimento econômico da região do Coxipó, onde aproximadamente R$ 350 milhões estão sendo aplicados.

Nesse cenário os “fantasmas” da incerteza no cumprimento de promessas políticas começam a perder força com o início de grande parte das obras públicas federal, estadual e municipal. Com investimentos de R$ 120 milhões, o novo hospital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) de 250 leitos será construído em uma área de 45 mil metros quadrados às margens da rodovia Palmiro Paes de Barros (km 16,9), onde funcionarão também todos os cursos da área de saúde em 147 hectares, incluindo a faculdade de Medicina, cuja obra do prédio está em fase adiantada.

Conforme a pró-reitora de Planejamento da UFMT, Elisabeth Aparecida Furtado de Mendonça, o processo licitatório está em andamento e o cronograma prevê o término da construção para março de 2014, antes da realização da Copa. Avia de acesso a Santo Antônio de Leverger também é o destino do novo parque de exposições de Cuiabá, cujas obras ficam prontas em 2014. O atual parque no bairro Porto dará lugar ao Fan Park, obra exigida pela Fifa para a Copa do Mundo.

É consenso que a escolha de Cuiabá como cidade sede do Mundial de futebol motivou a realização dos projetos de mobilidade urbana por toda a Capital mato-grossense, além de Várzea Grande. Das 9 obras definidas para o Coxipó, 7 já saíram do papel e juntas totalizam R$ 52,4 milhões.

Dentre elas, duas pontes estão sendo construídas, uma delas ligando a rua Antônio Dorilêo (bairro Cophema) até a avenida Beira Rio com 155 metros de cumprimento e 12,8 m de largura, com aporte de R$ 5,15 milhões.

Projeto de uma 3ª ponte na região, interligando o Parque Atalaia, em Cuiabá, e o Parque do Lago, em Várzea Grande, está pronto, mas o valor estimado ainda está sendo analisado pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa). Ela interligará os entroncamentos dos terminais do VLT nas duas cidades, do Coxipó e do aeroporto.

Importância dela virá a médio e longo prazos, prevê o assessor especial da Secopa, Rafael Detoni, ao destacar que facilitará o acesso dos moradores de Várzea Grande ao hospital universitário e da população cuiabana ao aeroporto, já que o Plano Diretor da Infraero prevê a mudança do terminal de passageiros para a margem da avenida 31 de março.

De responsabilidade da Secopa, essa ponte é o único projeto que ainda aguarda a definição de data para abertura da licitação, que para a tão esperada duplicação de 4,42 km da avenida Arquimedes Pereira Lima está marcada para este mês (dia 19). A obra na via está estimada em R$ 26,1 milhões, e inclui o alargamento de 2 pontes.

Mas a grande expectativa gira em torno do terminal do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) que será implantado na região, no entroncamento da rodovia Palmiro Paes de Barros. No trecho de 3 km do VLT, do total de 22,2 km, que estão no Coxipó, o investimento calculado é de R$ 136 milhões com a infraestrutura para funcionamento do modal de transporte, sem contar o material rodante (trem). Essa é a única obra licitada através do Regime Diferenciado de Contratação (RDC).

Para Detoni, por causa da Copa, o Coxipó volta a aparecer no cenário de ocupação. O assessor lembra que, entre nas décadas de 70 e 80, a região se consolidou por ser entrada da cidade. Mas a estagnação ocorreu nos anos seguintes em razão da legislação urbana que incentiva a ocupação interna. Agora, os empreendedores da construção civil visualizam as oportunidades na região, aguardando mais confiantes a conclusão das obras públicas nas avenidas e ruas, algumas também realizadas pela gestão municipal, através do Programa Poeira Zero, como a do bairro Parque Atalaia (R$ 18,6 milhões).

Relatório de pesquisa de mercado desenvolvido pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais, Comerciais e Condomínios de Cuiabá e Várzea Grande (Secovi) identifica 20 lançamentos imobiliários verticais a serem entregues de 2011 a 2015 em 15 bairros da região Sul. Pelas atuais características do Coxipó, por estar longe do centro e ser considerada periférica, o maior volume de empreendimentos tem perfil de público nas Classes C, D e E. 
“Ainda não há produto de alto padrão por causa da distância e da dificuldade de trânsito”, explica o presidente do Secovi, Marco Sergio Pessoz, reforçando que os investimentos públicos darão condições para que essa característica mude com o tempo. De toda a forma, os canteiros de obras, como o Complexo Viário do Tijucal (R$ 30,1 milhões), já geram valorização das áreas próximas, traçando o mesmo caminho dos proprietários de terrenos localizados no entorno da avenida das Torres.

A resistência de visualizar o potencial e acreditar no desenvolvimento de uma região já não se justifica naquela localidade, avalia o empresário e gestor imobiliário, Guilherme Franco de Carvalho. “Pelas estruturas já existentes, a Fernando Corrêa e a Palmiro Paes de Barros, e por aquelas que estão projetadas ou em construção, como as pontes do rio Coxipó, o novo parque de exposição e o hospital universitário vão dar uma ‘sacudida’ na região”.

Há 2 anos essa foi a aposta do empresário Paulo Boscolo, proprietário da concessionária Mitsubishi. Mudança de endereço da loja para a avenida Fernando Corrêa da Costa, longe dos demais estabelecimentos do segmento, gerou preocupação e até discussão entre os sócios. A distância foi compensada pelo espaço ampliado de 3 para 10 mil metros quadrados e pelo investimento em marketing. “Torço agora para que venham cada vez mais negócios do setor e concessionárias para cá”.

Turismo Coxipó - Com aporte de R$ 1,5 milhão, a orla do tradicional bairro São Gonçalo Beira Rio passará por revitalização. Os recursos são provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), de um total de R$ 250 milhões a serem geridos pela Secretaria Estadual de Turismo (Sedtur). Silvana Fêlix Campos, 24, saiu de Cáceres há 2 meses para encontrar um novo futuro na Capital.

Gestante de 6 meses, ela e o marido, Degvam Silva de Oliveira, 33, compraram uma peixaria na comunidade e já investiram cerca de R$ 15 mil, metade do previsto por eles. Casal será ainda sócio de uma pousada localizada ao lado do restaurante. A reforma do imóvel manterá as características da região ribeirinha e deve ficar pronto até o fim do ano. Enquanto isso, Silvana se inscreveu em 2 cursos de capacitação do governo.

“Quando chegar a Copa, a gente também tem que estar preparado”, afirma Oliveira, comemorando os investimentos na comunidade.

Melhoria há muito tempo esperada, lembra Antônia da Silva, membro da Associação das Ceramistas. “Se não fizer nada, aqui não terá suporte para a Copa”, diz o vendedor Juliano Batista. Ele e o amigo, o piscicultor Péricles Correia, 22, aproveitam os fins de semana nas peixarias instaladas no bairro histórico.











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