17.09.2019 | 08h53


CASO PASTOR

Polícia Civil apreende celulares e computadores de Flordelis em operação

Delegacia de Homicídios cumpre mandados dentro da investigação da morte do pastor Anderson. Crime completou três meses esta semana



Policiais da Divisão de Homicídios do RJ que investigam a morte do pastor Anderson do Carmo cumpriram nesta terça-feira (17) quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados à deputada federal Flordelis (PSD).

As equipes apreenderam celulares de Flordelis e de duas netas dela: Lorrayne e Rayane. Ainda foram retidos computadores e tablets, além de documentos.

Dois dos filhos do casal estão presos pelo assassinato. A polícia ainda apura a motivação para o homicídio.

A suspeita é que Anderson foi morto por motivos financeiros e desavenças sobre a gestão patrimonial da família.

Onde as equipes estiveram

 

 

  • Local do crime, em Niterói;
  • Casa em Jacarepaguá, na Freguesia;
  • Gabinete no Centro do Rio, na Rua 1º de Março;
  • Apartamento funcional em Brasília, na Asa Norte.

 

O advogado Fabiano Migueis, que defende Flordelis, disse ao G1 que a operação já era prevista, tendo em vista a abertura do segundo inquérito para investigar a deputada.

A assessoria de Flordelis afirmou que "a operação é um ato da investigação policial e, como tal, não precisa ser comentado pela deputada".

Filhos são réus

 

Há um mês, dois filhos do casal se tornaram réus. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público do Rio contra Lucas de Souza e Flávio Rodrigues pelo assassinato do pastor.

Flávio é filho biológico de Flordelis. Lucas foi adotado. Eles terão que aguardar o julgamento em regime fechado.

De acordo com a denúncia do MP, Flávio vai responder por porte ilegal de arma de fogo. A acusação diz que foi ele quem atirou no pastor. Já o irmão teria sido seu cúmplice ao comprar a arma do crime.

Os dois são acusados de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), com pena prevista de 12 a 30 anos.

 

A DH espera fazer no próximo sábado (21) a reprodução simulada do crime. Na semana passada, investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo estiveram no local do crime e intimaram dez pessoas.

Flordelis foi notificada posteriormente.

O objetivo da reconstituição, além de eliminar contradições, é descobrir se uma terceira pessoa participou do assassinato.

Caso chova, a simulação será adiada.

Investigação é do RJ, diz STF

 

Na volta do recesso do Supremo Tribunal Federal, dia 1º de agosto, o ministro Luís Roberto Barroso decidiu que o caso não tem relação com o mandato da parlamentar. Por isso, determinou a retomada da investigação no Rio de Janeiro.

Troca de acusações

 

No fim de agosto, Wagner Andrade Pimenta, conhecido como Misael, disse à polícia que a mãe adotiva foi a mentora intelectual do assassinato.

Misael afirmou que Flordelis manipulou os filhos até encontrar um que tivesse coragem para matar o pai adotivo.

Outros três filhos adotivos também prestaram depoimento e implicaram a mãe.

A defesa de Flordelis negou.

"É muito sórdido tudo isso que o Misael tem feito com ela. Difícil de entender. O que ela percebe no Misael é uma ambição imensurável. Situação que ela começou a notar quando ele quis atropelar o projeto político do grupo e ser candidato a deputado estadual na eleição passada", dizia a nota divulgada pela assessoria da deputada.

Para Flordelis, o atual vereador não gostou de ser preterido pela família. Segundo a nota, houve uma briga entre Misael e o pastor Anderson para decidir quem seria o candidato à Prefeitura de São Gonçalo nas eleições de 2020.

Trama começou em outubro de 2018

 

A TV Globo obteve o relatório final da Polícia Civil sobre o assassinato do pastor Anderson do Carmo. O documento mostra que há indícios de que a complexa trama familiar tenha sido iniciada em outubro de 2018.

Carlos também teria alertado o pastor sobre uma mensagem que viu no celular de Flordelis na qual a deputada dizia a Lucas dos Santos que bastava entrar no quarto e executar o serviço.

A suspeita de que o pastor vinha sendo envenenado também é investigada pela Delegacia de Homicídios de Niterói. Ele tomava remédio frequentemente e sem conhecimento, segundo depoimento de outra filha adotiva de Flordelis, Roberta dos Santos.











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