22.02.2020 | 11h24


NACIONAL / BATALHÕES OCUPADOS

Número de assassinatos durante motim da PM no Ceará passa de 70

Da tarde de sexta-feira até a manhã deste sábado foram 22 homicídios



O Ceará registrou, pelo menos, mais 22 homicídios entre a tarde de sexta-feira (21) e a manhã deste sábado (22), em meio à paralisação de policiais no estado. Com isso, sobe para 73, no mínimo, o número total de assassinatos contabilizados no estado durante o motim dos agentes de segurança, que teve início na terça-feira (18). Neste quinto dia de movimento, batalhões em Fortaleza, na região metropolitana e no interior permanecem fechados e com PMs amotinados.

Desde terça-feira, homens encapuzados que se identificam como agentes de segurança do Ceará invadiram quarteis e depredaram e esvaziaram pneus de veículos da polícia. Policiais militares reivindicam aumento salarial acima do proposto pelo governador Camilo Santana.

Os assassinatos ocorridos entre a tarde de sexta-feira e a madrugada de sábado foram levantados pelo G1 em três delegacias do estado, junto a policiais nos locais dos crimes, e a partir de fontes da polícia. Dos 22 homicídios contabilizados, 15 aconteceram em Fortaleza e região metropolitana, e sete no interior.

Os números mais recentes da Secretaria da Segurança do Ceará (SSPDS) se referem ao período entre 6h de quarta-feira (19) e 6h de sexta-feira (20), e apontam 51 homicídios. O balanço atualizado ainda não foi divulgado pelo órgão.

A onda de violência continua apesar dos reforços na segurança com a presença de 2,5 mil soldados do Exército Brasileiro, dentro da Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) decretada pelo presidente Jair Bolsonaro para o Ceará, além de 150 agentes da Força Nacional que já estão no estado para conter a crise na segurança pública após o motim de parte dos policiais militares.

Dupla armada é morta em tentativa de assalto

Em Fortaleza e região metropolitana, pelo menos 15 assassinatos foram contabilizados. No Bairro Montese, duas pessoas armadas foram mortas a tiros quando tentavam assaltar um policial à paisana, em um posto de gasolina, na noite de sexta-feira. O agente estava dentro do carro com a família no momento da abordagem. Os suspeitos ordenaram que os passageiros saíssem do veículo, mas foram atingidos por disparos feitos pelo policial.

Na cidade de Pacatuba, na Grande Fortaleza, duas irmãs foram mortas na calçada de casa, por dois homens em uma motocicleta, também na noite de sexta-feira. As vítimas tentaram fugir, mas foram perseguidas pelos suspeitos e tombaram sem vida no quintal da residência.

Homicídios também foram registrados no interior. Os municípios de Juazeiro do Norte, Crato, Campos Sales e Missão Velha, no sul do Ceará, somaram sete mortes entre a tarde de sexta e a manhã deste sábado.

Batalhões seguem ocupados

 

Batalhões da Polícia Militar seguem ocupados na manhã deste sábado (22) em várias regiões do estado. Pelo menos três unidades seguem inoperantes e com PMs amotinados. Na noite de sexta-feira (21), um carro da polícia foi alvo de tiros

Um dos primeiros a registrar motim, o 18º Batalhão da Polícia Militar, no Bairro Antônio Bezerra, na capital, está rodeado de carros da polícia com pneus esvaziados nesta manhã, e há policiais e familiares ocupando a unidade.

O G1 percorreu batalhões de Fortaleza e da região metropolitana neste sábado e constatou que, além do 18º Batalhão, pelo menos outras duas unidades estão inoperantes e com PMs amotinados: o 22º, no Bairro Papicu, e o 12º Batalhão, na cidade de Caucaia. No 12º, há cerca de 30 carros da corporação parados e movimentação de policiais paralisados na rua.

Em Juazeiro do Norte, PMs do 2º Batalhão se concentram no estacionamento do Vapt-Vupt da cidade. Até esta sexta-feira (21), ao menos 10 dos 43 batalhões do estado estavam ocupados pelos manifestantes.

Outros 150 agentes da Força Nacional devem chegar ao Ceará neste fim de semana, segundo o comandante de 10ª região militar, Fernando da Cunha Mattos. As Forças Armadas atuam, principalmente, no patrulhamento em cidades da Região Metropolitana de Fortaleza desde a manhã desta sexta, e o envio para o interior vai depender da necessidade, segundo o Exército.

Resumo:

5 de dezembro: policiais e bombeiros militares organizaram um ato reivindicando melhoria salarial. Por lei, policiais militares são proibidos de fazer greve.

31 de janeiro: o governo anunciou um pacote de reajuste para soldados.

6 de fevereiro: data em que a proposta seria levada à Assembleia Legislativa do estado, policiais e bombeiros promoveram uma manifestação pedindo aumento superior ao sugerido.

13 de fevereiro: o governo elevou a proposta de reajuste e anunciou acordo com os agentes de segurança. Um grupo dissidente, no entanto, ficou insatisfeito com o pacote oferecido.

14 de fevereiro: o Ministério Público do Ceará (MPCE) recomendou ao comando da Polícia Militar do Ceará que impedisse agentes de promover manifestações.

17 de fevereiro: a Justiça manteve a decisão sobre possibilidade de prisão de policiais em caso de manifestações.

18 de fevereiro: três policiais foram presos em Fortaleza por cercar um veículo da PM e esvaziar os pneus. À noite, homens murcharam pneus de veículos de um batalhão na Região Metropolitana.

19 de fevereiro: batalhões da Polícia Militar do Ceará foram atacados. O senador Cid Gomes foi baleado em um protesto de policiais amotinados.

20 de fevereiro: policiais recusaram encerrar o motim após ouvirem as condições propostas pelo Governo do Ceará para chegar a um acordo.

21 de fevereiro: tropas do Exército começam a atuar nas ruas do Ceará.











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