25.05.2020 | 10h43


NACIONAL / CAOS NA SAÚDE

Mulher com suspeita do vírus morre em casa após não conseguir leito

Familiares de Patrícia haviam procurado a UPA de Seropédica, mas foram orientados a continuar o tratamento em casa.



Mais uma pessoa com suspeita de coronavírus morreu em casa nesta sexta-feira (22), após não conseguir atendimento em uma unidade de tratamento especializado no Rio de Janeiro.

Familiares de Patrícia, auxiliar de dentista de 47 anos, informam que fizeram diversas visitas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Seropédica, na Região Metropolitana do Rio, mas que a paciente foi mandada de volta para casa.

"Estava enfrentando a Covid mais ou menos há uns 14, 15 dias e sempre passando que estava melhor, que estava bem. E, toda vez que nós buscávamos atendimento, socorro na UPA de Seropédica, eles falavam que não tem muito que possam fazer. O melhor que tem que fazer é ficar em casa e se tratar. Se tratar como?", questiona Matheus Lima, sobrinho da vítima.

 

Matheus conta que Patrícia morreu enquanto tomava banho, por volta das 14h. O sobrinho questiona o tratamento dado pelo Estado às pessoas com sintomas do coronavírus. " É mesmo para ficar em casa? Ou seria melhor já tratar a pessoa logo de primeira que já deu confirmado pra Covid?", diz.

Em toda a rede pública do estado, 308 pessoas com suspeita ou confirmação de coronavírus aguardam transferência para um leito de UTI, e 184 esperam por um leito de enfermaria.

Também na sexta-feira (22), o secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, desistiu de aplicar o protocolo que havia anunciado de iniciar mais cedo o atendimento aos pacientes com Covid-19, que eram internados apenas em estados mais avançados da doença.

Ferry disse que ele chamou de protocolo o que, na verdade, seria uma nova conduta. A diferença, na prática, é que um protocolo tem caráter obrigatório, diferente de uma conduta médica, que é apenas uma recomendação.

Apesar da recomendação de pneumologistas para pessoas com sintomas de falta de ar procurarem imediatamente uma unidade hospitalar, especialistas também informam que a ideia de antecipar o atendimento só funcionaria se houvesse leito para todos.

O cenário do Rio de Janeiro, no entanto, apresenta mostra poucas chances de efetivar a ideia, já que seis dos sete hospitais de campanha do estado estão atrasados.

O diretor médico da UPA de Seropédica, Bruno Duarte, diz que as denúncias sobre o descaso de atendimento de Patrícia estão sendo apurados e que, no livro de atendimento da unidade, não consta o nome da paciente nos meses de abril ou maio.

O médico afirma também que investiga se a paciente passou por alguma das três tendas que foram montadas para atendimento aos pacientes com Covid-19.











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