06.10.2012 | 10h30


CONTROLE

MT formata até novembro plano para erradicar tuberculose bovina

A intenção é fechar o cerco contra a doença que costumeiramente acomete mais o gado leiteiro



Até o início do mês de novembro Mato Grosso deve finalizar a formatação de um plano inédito e voltado exclusivamente à erradicação da tuberculose bovina. O estado que detém o maior plantel bovino do Brasil - atualmente superior a 29 milhões de cabeças - será o primeiro do país a contar com o programa, construído em conjunto entre os agentes de controle sanitário e setor produtivo.

A intenção é fechar o cerco contra a doença que costumeiramente acomete mais o gado leiteiro em função do sistema de criação (animais ficam mais aglomerados). Em 2009, quando foi realizada a última coleta para averiguar a incidência do problema, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) confirmou 14,3 mil animais infectados em 1.213 propriedades.

Pelo plano pretende-se tornar mais rígido o controle e monitoramento dos animais fornecidos às indústrias frigoríficas. Vai propor, por exemplo, que em caso de confirmação da tuberculose em um animal todos os bovinos da mesma propriedade sejam obrigatoriamente submetidos a exames. Hoje o procedimento ocorre de forma voluntária pelo pecuarista.

Já em frigoríficos, estender àqueles de inspeção municipal e estadual a coleta de materiais com indicativo de tuberculose. Consumidores mundiais de carne bovina como os países da chamada União Aduaneira (Rússia, Cazaquistão e Bielorrussia) já restringem inclusive a compra de animais criados em áreas onde testes detectaram a tuberculose.

"Hoje se um animal der positivo é sacrificado. Mas agora a propriedade terá que ser examinada como um todo. A vigilância é também sobre as propriedades que fornecem animais positivos [à tuberculose]", adiantou a fiscal federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Janice Barddal.

A União Aduaneira já exige a coleta de materiais com suspeita de lesão naqueles frigoríficos que atuam sob inspeção federal. Caso sejam positivos, a exportação fica proibida aos consumidores aduanos. Desde 2009, pelo menos em 49 propriedades detectou-se a ocorrência da tuberculose bovina em animais. Deste total, 41 constatações ocorreram a partir de testes realizados em frigoríficos e outros 5 por exames feitos por veterinários nas propriedades rurais.

As novas medidas propostas pelo plano de erradicação podem diminuir as pressões internacionais sobre a carne brasileira, dando mais competitividade à proteína animal. "Os países já estão observando doenças como a tuberculose e a brucelose, uma vez que a aftosa já é acompanhada. O mercado tornou mais rígido o controle e com as medidas [do plano] ele mesmo terá condições de realizar sua própria seleção", lembra Janice Barddal.

Ao operacionalizar o plano, Mato Grosso pretende elevar a vigilância sobre o trânsito interestadual. A entrada de bovinos no estado só será permitida mediante apresentação de exames que demonstrem ser negativa a presença de tuberculose. A exceção será feita ao rebanho enviado para os frigoríficos.

Na unidade federada são sete postos de fiscalização em operação pelo Instituto de Defesa Agropecuária. O plano também deve incluir à lista de exigência exames por amostragens nas propriedades que fornecerem animais.

Em caso de abates naqueles animais que acusarem a presença de tuberculose os proprietários serão ressarcidos. O valor ainda será estabelecido.


Mais eficiência

Para o médico veterinário e diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, com a doença erradicada o setor vai ganhar competitividade dentro e fora da porteira. "Não é só uma preocupação de se atingir um mercado consumidor, mas também porque o produtor consegue melhores resultados dentro da fazenda", avaliou.

Desde 2001 estados brasileiros vêm cumprindo as determinações do Programa Nacional de Controle de Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (Pncebt). Agora, a própria unidade federada formata seu programa, estabelecendo diretrizes para o combate.

"Os pecuaristas estão preocupados em se ter uma fazenda livre [de doenças]", ressalva o diretor da Acrimat.

A doença

A tuberculose bovina é provocada por uma bactéria (Mycobacterium bovis). Como lembra o médico veterinário e diretor da Acrimat, é considerada uma zoonose e oferece riscos também à saúde humana. Provoca enfraquecimento e definha o animal.

"A atenção com a doença é que ela pode não só causar uma diminuição da produtividade, mas porque é uma zoonose e pode ser transmitida ao homem", considerou ainda Fanzi. 











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