10.10.2019 | 10h11


CRUELDADE

Menina de 6 anos é encontrada morta após sair com tio

De acordo com a família, o pescoço de Estela tem com manchas escuras, como se tivesse sido enforcado ou quebrado.



Parentes da menina Estela Evangelista, de 6 anos, encontrada morta na quarta-feira no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central do Rio, chegaram ao Instituto Médico Legal (IML), no Centro, às 10h desta quinta-feira. A mãe, Luciana José Evangelista, de 24 anos, caminhava amparada. Eles vão fazer a liberação do corpo, que vai passar por uma perícia para identificar a causa da morte. De acordo com a família, o pescoço de Estela tem com manchas escuras, como se tivesse sido enforcado ou quebrado.

Luciana chegou a desmaiar duas vezes no IML e foi atendida pelos funcionários do local. Ela está há dois dias sem comer. Chorando muito, repete a todo instante "Por que ele fez isso com a minha filha? Ele levou a minha filha. Quero ela de volta", referindo-se ao irmão Paulo Sérgio Evangelista da Costa, de 29 anos, última pessoa a ser vista com Estela e que está desaparecido.

Madrinha da menina, a diarista Edileusa Evangelista afirma que a menina era uma criança querida por todos. Ela pede justiça após a morte da afilhada.

— Ela era muito meiga, carinhosa, muito inteligente, uma estrelinha. Estou muito chocada e muito triste. Ela não merecia morrer desse jeito que morreu. O meu coração está partido, quero justiça. Quem fez essa barbaridade com ela vai pagar — afirma a madrinha, que é tia de Luciana e ia batizar a menina numa cerimônia em dezembro.

O corpo estava dentro de um saco preto, no alto do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, a poucos minutos de distância da casa onde a família mora. Estela saiu de casa no último sábado, por volta de 9h, em companhia de Paulo Sérgio. Ele disse a parentes que levaria Estela para a praia e não apareceu mais. Só depois a família estranhou o fato dele ter ido de calça jeans e sapatos, roupas incomuns para ir à praia.

— Eles moravam juntos. Não sabemos se ele (Paulo Sérgio) está vivo ou morto, não sabemos se foi ele que matou, ninguém sabe. Era uma boa relação, eles viviam juntos. Jamais a mãe da menina (Luciana) ia suspeitar que ele fosse fazer isso — diz a madrinha, afirmando ainda que a família buscou a polícia no domingo: — Falaram que a gente deveria esperar as 48 horas.

Antes de ser encontrada, a criança teria sido vista acompanhada de uma mulher negra no Bairro de Fátima.

— Falaram para a minha sobrinha que viram ela na Rua do Riachuelo. Ela está em estado de choque ainda, não consegue falar nada. Não tem palavras para dizer.

Estela é o segundo filho em três meses que Luciana perde. Eron, de apenas 2 anos, morreu em julho deste ano, em decorrência de uma pneumonia. Luciana tem ainda outros dois filhos: um menino de 4 anos, que mora com ela, e uma menina de 9, que mora com a avó materna na Paraíba.

A menina faria, nesta quinta-feira, um passeio com outras crianças de um projeto social do qual ela participava, no Morro dos Prazeres. O grupo iria para o Aqua Rio. Após a trágica morte de Estela, a programação foi cancelada

Tio que estava com Estela teria sido visto no Centro

Edivanio Evangelista dos Santos, primo de Luciana, diz que Paulo Sérgio era usuário de drogas, mas que já estava há algum tempo afastado, e que tem passagem pela polícia. A família recebeu informações de que o tio de Estela foi visto andando pelo Centro do Rio nesta quarta-feira. Ele conta que a relação entre o homem e a menina sempre foi de muito carinho e afeto.

— Ele saiu dizendo que ia para a praia com ela. Outra prima ainda perguntou onde a Estelinha estava indo. Ela, toda meiga e inocente, disse que ia para a praia com o tio. Mas não sabemos se eles realmente foram. Ele (Paulo Sérgio) nunca fez mal a nenhum sobrinho até então. Era usuário, mas tinha dado uma parada, mas sempre foi confiável. Não entendemos o motivo.

Segundo ele, a família não sabe quando a menina foi morta:

— O corpo estava em elevado estado de composição. Não sabemos quando a Estela foi morta, se foi no sábado, se foi no domingo.

De acordo com a cuidadora Mônica Evangelista, tia da menina, Paulo havia uma semana que Paulo estava prometendo levar a criança à praia.

Sem perícia

A família afirma que a Polícia Civil não foi até o local fazer a perícia. Apenas dois militares do Corpo de Bombeiros subiram até o alto do morro para retirar o corpo.

O corpo de Estela estava enrolado em um lençol e num tapete e dentro de sacos pretos. Moradores encontraram e arrastaram o corpo do beco, onde ele estava, até uma área mais aberta, onde a família reconheceu pelas roupas e por um cordão que a menina usava.

Os moradores chegaram a organizar uma manifestação para que o corpo fosse retirado do local, o que só aconteceu por volta das 20h. Segundo eles, a polícia afirmou que a perícia não seria feita por se tratar de uma área de risco.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER