15.07.2020 | 16h20


NACIONAL / ESTUDA.COM

FTD compra fatia de startup cuiabana que já ultrapassou marca de 4 milhões de estudantes

Uma das maiores empresas de apostilas e livros didáticos investe na digitalização do negócio



Em meio à pandemia da covid-19 que obrigou os alunos assistirem aulas on-line, a editora de livros didáticos FTD fechou a aquisição de fatia minoritária da Estuda.com, startup cuiabana de aprendizado adaptativo que por meio de inteligência artificial mostra as deficiências acadêmicas dos estudantes. “A partir desse diagnóstico feito na plataforma, montamos um plano de estudo modelado para o aluno”, disse Ricardo Tavares, presidente da editora FTD, que assumiu o cargo em janeiro deste ano.

Trata-se de uma das poucas aquisições feita pela editora que cresceu basicamente de forma operacional desde sua fundação, há mais de um século. A FTD tem entre 22% e 25% do mercado de livros didáticos, cujo principal cliente é o Ministério da Educação (MEC), que adquire obras para escolas públicas. No atual ano letivo, a editora vendeu 36 milhões de exemplares para a rede pública de educação.

A startup adquirida presta serviços para 150 colégios privados e a meta é aumentar esse número em três a quatro vezes no período de dois anos com aportes da editora, que não revela o montante pago pela participação acionária. Entre os novos clientes estão os colégios Marista, que pertencem ao mesmo grupo da FTD.

Com as escolas precisando manter uma parte dos alunos com aulas virtuais, a fim de evitar aglomerações, pelos próximos seis meses a demanda por ferramentas digitais educacionais tende a ser maior. “O acesso à nossa plataforma aumentou em 30 vezes na pandemia. As escolas já tinham essa ferramenta, mas agora é que estão usando bastante”, disse Tavares. Em muitas escolas, ainda é comum o professor utilizar basicamente o livro impresso, e não os materiais digitais, mesmo estando disponível.

Questionado sobre como os alunos da rede pública estão usando os conteúdos digitais, Tavares contou que nas escolas municipais que usam sistemas de ensino o resultado tem sido melhor porque os professores precisam seguir as orientações das apostilas. Já nas escolas dos Estados, a performance é variada dependendo da região. Ele lembra que um dos desafios nas escolas, que se tornam ainda mais evidentes com as aulas remotas, é o professor estar capacitado com metodologias pedagógicas para que o conteúdo didático seja ministrado de forma eficiente.
 

A plataforma da FTD está aberta para outros usuários e até o momento já foram registrados 400 mil acessos únicos. Desse total, um terço são alunos e famílias baixando algum conteúdo. A expectativa é que parte desses novos usuários que hoje usam a plataforma gratuitamente torne-se cliente pagante no próximo ano letivo. Essa tem sido uma das estratégias de grupos educacionais como Somos Educação e Affya, que também abriram suas plataformas de conteúdo.

Em relação a um aumento de receita com esses potenciais novos clientes, Tavares afirmou que ainda é cedo para ter essas projeções, uma vez que pode haver evasão de alunos da rede privada para a pública devido à crise econômica, o que compensaria os possíveis ganhos. A receita líquida da FTD no período de 12 meses, encerrado neste mês de junho, ficou em R$ 900 milhões. “É um crescimento de dois dígitos sobre o período anterior. Na média dos últimos três anos, crescemos 14,5%”, disse.

Segundo o executivo, em 2019, a FTD passou por reestruturação que deu prioridade à transformação digital e a trabalhos integrados entre as equipes nos moldes do que ocorre nas startups. “Essa reestruturação, que contou com o apoio da Accenture, ajudou muito a atender as demandas na pandemia”, disse o executivo. Na rede privada, 2,5 milhões de alunos de 12 mil escolas privadas usam um dos livros da editora. Já os sistemas de ensino são adotados por 700 mil alunos de 2,3 mil colégios".











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