23.05.2020 | 13h40


NACIONAL / MINISTRO DA EDUCAÇÃO

'Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF'



O ministro da Educação, Abraham Weintraub, chamou os ministros do Supremo Tribunal Federal de "vagabundos" na reunião ministerial de 22 de abril e disse que queria prendê-los. "Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF", disse ele. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), viu possível crime de injúria.

Weintraub começou sua participação no encontro explicando o motivo para compor o governo, que seria "a luta pela liberdade" e "acabar com essa porcaria, que é Brasília", "um cancro de corrupção, de privilégio", e lamentou as dificuldades que estaria enfrentando.

Sobre o trecho do vídeo, Celso de Mello determinou que todos os ministros da Corte sejam oficiados para que, caso queiram, adotem as medidas cabíveis. “Constatei, casualmente, a ocorrência de aparente prática criminosa, que teria sido cometida pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que, no curso da reunião ministerial realizada em 22/04/2020, no Palácio do Planalto, assim se pronunciou em relação aos Ministros do Supremo Tribunal Federal.”

Segundo o ministro, a declaração “põe em evidência, além do seu destacado grau de incivilidade e de inaceitável grosseria, que tal afirmação configuraria possível delito contra a honra (como o crime de injúria)”.

gravação da reunião foi incluída no inquérito aberto pelo STF, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), para investigar se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal.

Em 24 de junho, quando anunciou a demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro disse que Bolsonaro tentou interferir na corporação. Segundo Moro, a gravação da reunião ministerial de 22 de abril comprova a tentativa do presidente da República.

No vídeo, que o Planalto resistiu em entregar ao Supremo sob o argumento de que o encontro tratou de "assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de relações exteriores”, Weintraub também disse que enfrenta "um monte de processo aqui no Comitê de Ética da Presidência".

"Eu vim aqui pra lutar, eu luto e me ferro. Eu tô com um monte de processo aqui no Comitê de Ética da Presidência. Eu sou o único que levou processo aqui. Isso é um absurdo. O que tá acontecendo aqui no Brasil; a gente tá conversando com quem a gente tinha que lutar. A gente não tá sendo duro o bastante contra os privilégios, com o tamanho do Estado. Odeio o partido comunista. Ele tá querendo transformar a gente numa colônia", afirmou o ministro da Educação, que ainda fez críticas a "esse negócio de povos e privilégios".

 

A reunião ministerial

A reunião ministerial citada por Moro aconteceu em 22 de abril. Além do presidente Bolsonaro, estavam presentes o vice, Hamilton Mourão, Moro e outros ministros. Ao todo, 25 autoridades participaram do encontro.

Conforme diálogos do encontro, transcritos pela Advocacia-Geral da União, Bolsonaro reclamou da falta de informações da Polícia Federal e afirmou que iria "interferir". A declaração, no entanto, não deixa claro como ele faria isso.

A defesa de Moro pediu ao STF que divulgue a íntegra do material. Celso de Mello, então, pediu pareceres à AGU e à PGR.

As respostas foram:

·         Procuradoria Geral da República: defende a divulgação somente de falas do presidente. Quer que o recorte seja dos trechos que tratam da atuação da Polícia Federal, da "segurança", do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência e da alegada falta de informações de inteligência das agências públicas.

·         Advocacia Geral da União: defende a divulgação das falas de Bolsonaro, mas não das falas dos demais participantes de reunião.











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