07.04.2020 | 09h48


NACIONAL / ESPERANÇA

Estudo com cloroquina tem primeiros resultados, e especialistas traçam dosagem para equilíbrio em tratamento

Após duas semanas de protocolo ativo de tratamento com medicação, pesquisadores observaram taxa de letalidade de 13% em pacientes do estado. Segundo líder do estudo, média mundial é de 18% a 20%.



Em duas semanas, 81 pacientes do Amazonas passaram - e passam - por um protocolo de tratamento com o uso de cloroquina no combate ao novo coronavírus. No estudo, feito em tempo recorde e seguindo recomendações do Ministério da Saúde, pesquisadores deram os primeiros passos para identificar uma dosagem ideal para a aplicação do medicamento em casos de Covid-19. A taxa de letalidade no estado durante testes iniciais foi de 13%. Em pesquisas mundiais, a média varia de 18% a 20%.

A pesquisa é liderada pelo médico infectologista da Fiocruz Amazônia, Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda. Em coletiva na manhã desta segunda-feira (6), ele anunciou que os resultados iniciais obtidos pela equipe de pesquisadores do Amazonas estão em fase final para publicação de artigo científico. A primeira grande conclusão do estudo CloroCovid-19 é de que a aplicação de doses mais baixas diárias da cloroquina em pacientes graves é menos letal.

"Identificamos que a dose muito alta, feita por 10 dias, levou mais pacientes para a internação. Então estamos nesse estudo desaconselhando que sejam usadas altas doses. A toxicidade é muito alta. Fizemos monitoramento cardíaco desses pacientes. (...) A cloroquina, numa dose mais alta, pode dar arritmias graves e levar à morte", articulou Dr. Marcus.

O medicamento faz parte de protocolo de pesquisa científica aprovado pelo Ministério da Saúde para o tratamento de coronavírus. Entretanto, é indicado apenas para pacientes hospitalizados e em casos graves.

A cloroquina ou hidroxicloroquina – nome genérico do produto – é um remédio usado para o tratamento da malária desde a década de 1930. Ela também foi usada no tratamento de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. O uso incorreto pode causar insuficiência cardíaca, comportamento suicida e até cegueira.

Testes com cloroquina

Os testes da pesquisa nesta fase incial foram feitos da seguinte forma: 81 pacientes entraram no protocolo e foram divididos em dois grupos. Um de 40 e outro de 41 pessoas. Entre eles pacientes em quadros graves ou sérios, todos internados. Um grupo recebe doses altas da cloroquina, método aplicado na China, por exemplo. O outro grupo recebeu doses mais baixas, como foi o caso dos Estados Unidos e outros países.

Do total de 81 pacientes no protocolo, 11 morreram de Covid-19, por agravamento de quadro. O infectologista detalha que a letalidade identificada com os estudos no Amazonas apontam para uma média de 13%. "No restante do mundo, em pesquisas, este número tem ficado entre 18% e 20%", aponta Lacerda.

O Amazonas tem, até a última atualização do governo, 417 casos de Covid-19 e 16 óbitos. Com apenas 81 pacientes sob uso efetivo dentro do protocolo do estudo científico, o grupo de pesquisadores aguarda, também, pesquisas em andamento por todo o país - e mundo. A partir de uma coleta geral de informações, os números passarão a entrar em ainda mais coesão, explica.

"Depois que a cloroquina foi tida como curadora ou salvativa, várias pesquisas estão em andamento. Temos hoje uma pesquisa controlada. O pesquisador não pode achar, ele tem que mostrar o que acontece efetivamente. É muito importante que outras pesquisas saiam para que a gente reúna essas informações. O nível de evidências ainda é muito pequeno", justifica.

Além das pesquisas com a cloroquina, o grupo de pesquisadores do Amazonas, formado por especialistas da Fiocruz e da Fundação de Medicina Tropical - instituição conhecida mundialmente por tratamentos de doenças infecciosas - , a equipe também trabalha e acompanha quadros de tratamento com outras medicações.

"A cloroquina é apenas um anti-inflamatório. existem outros até mais fortes. temos pessoas acompanhando a literatura o dia inteiro para termos o maior número de informações. Não estamos exclusivamente tentando defender que a cloroquina funciona ou não, mas buscando em tempo hábil estudar outros protocolos. Fizemos essa pesquisa em tempo recorde. Seria algo para um ano, pelo menos, mas já conseguimos resultados em duas semanas seguindo todas as regras internacionais de estudos clínicos. Graças à nossa fundação, que faz pesquisas há 45 anos.











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