12.07.2020 | 09h02


NACIONAL / DISQUE-COMPANHIA

Estudante carioca cria projeto de bate-papo com idosos para acabar com a solidão na quarentena

Voluntários telefonam para idosos em casas de repouso; ligação é importante para quem não pode receber visita e não tem intimidade com celular ou redes sociais.



O confinamento imposto pela quarentena do coronavírus fez a estudante Manuela Pinheiro, de 17 anos, lembrar do quão difícil está sendo esse momento para sua avó Gilse, que mora sozinha e adora conversar. Foi pensando no isolamento dela, que a jovem teve a ideia de criar o Disque-Companhia, para bate-papo por telefone com idosos que, em casa de repouso, ainda não podem receber visitas.

"Minha avó é super ativa e adora bater papo com o porteiro, na padaria, no mercado, com os amigos, com todo mundo. Se esse momento estava sendo difícil para ela, que está trancada em casa, imagina para idosos que não podem receber visitas e que não têm intimidade com a tecnologia para para fazer lives ou entrar em redes sociais. Foi então, que pensei em simplesmente telefonar para levar um pouco de conforto e diminuir a solidão dessas pessoas", contou Manuela.

Mas aí surgiu a primeira dificuldade: para quem ligar? Com a ajuda das colegas de turma da Nossa Senhora da Misericódia - uma escola americana, em Botafogo, na Zona Sul - Maria Eduarda e Maria Fernanda, Manuela passou a divulgar a ideia em suas redes sociais buscando pessoas que estivessem procurando alguém com quem conversar.

 

As meninas criaram um formulário, onde são anotados os horários e dias que cada idoso gostaria de receber a chamada, o tema de interesse da conversa será preenchido para que o aluno consiga se preparar e dominar de maneira mais ampla o assunto antes do contato. As ligações devem ter, no máximo, uma hora de duração.

O CEO Leonardo Pisani, do Grupo Acasa - que tem três casas de repouso para idosos - gostou da ideia e entrou em contato com o trio. Ele selecionou os idosos que gostariam de receber ligações das jovens. E o Disque-Companhias ganhou 20 idosos dispostos a conversar com as meninas.

"Essa ligação que os idosos estão recebendo durante a quarentena está sendo muito importante. Sem poder receber visitas, eles estavam muito tristes, se sentindo muito sozinhos, isolados de tudo. Eles ficam mas animados, gostam de contar as experiências deles e trocar ideias com os jovens. O afeto que eles estão recebendo pelo telefone traz um ganho muito grande inclusive para a saúde mental deles", disse Pisani.

Manuela conta que o projeto que começou com três pessoas, já conta com 18 voluntários do colégio. Meninos e meninas que estão trocando experiências e descobrindo coisas novas a cada telefonema.

 

"É muito gratificante. A gente sente a alegria deles em poder compartilhar as histórias de vida deles. Eles gostam de conversar sobre família, filhos, as vivências de trabalho e a gente fala para ele sobre como está sendo o nosso dia, como estamos na escola, essas coisas", disse a estudante.

Manuela, que vai fazer prova para ingressar no curso de química numa universidade americana - diz que sente que, desses telefonemas estão nascendo amizades que estão ajudando os voluntário em seu desenvolvimento pessoal. E cultural também:

"Outro dia teve uma idosa que queria conversar sobre Roberto Carlos. Tivemos de pesquisar informações e buscar no grupo quem sabia mais da vida e do trabalho do cantor para conversar com ela. A gente ajuda a acabar com a solidão deles e eles nos enriquecem com o conhecimento de tantos anos de vida", disse Manuela.

A estudante acrescenta ainda que o Disque-Companhia, que era um projeto para suportar a quarentena, pelo visto, veio para ficar por muito mais tempo.











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