31.08.2012 | 14h34


DIFERENÇAS

É possível comparar o PIB do Brasil com o dos EUA?

A taxas anualizadas, o Brasil cresceu 1,6% no segundo trimestre, enquanto os EUA, em crise, 1,7%, mas economias passam por fases diferentes



O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e do Brasil cresce a taxas parecidas. Em crise, os Estados Unidos cresceram 1,7% no segundo trimestre a uma taxa anualizada. Já o Brasil, conforme cálculo do banco WestLB feito a partir do dado divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, teve crescimento de 1,6% no segundo trimestre, a uma taxa anualizada.

Apesar dos números de crescimento de PIB parecidos, as duas economias passam por fases diferentes e uma comparação simplista não é válida, segundo analistas.

"A diferença mais importante está relacionada à taxa de desemprego, que nos Estados Unidos está acima do nível normal. No Brasil, apesar do baixo crescimento, está próxima do que se poderia considerar pleno emprego", afirma o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Afonso Ferreira.

Efeitos da crise

O mercado de trabalho norte-americano ainda sente os efeitos da crise financeira de 2008. "Os Estados Unidos ainda não conseguiram recuperar o patamar pré-2008. O desemprego subiu e não voltou. Já o Brasil não só se recuperou como já ultrapassou os níveis anteriores a 2008 há muito tempo", afirma o economista da Medley Global Advisors e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Bernardo Wjuniski.

Na avaliação do professor do Departamento de Economia da PUC-SP, Antonio Corrêa de Lacerda, seria preciso os Estados Unidos crescerem a taxas maiores que as atuais para que o estoque de trabalhadores ociosos fosse reabsorvido pelo mercado de trabalho. "Além do histórico da crise, os  Estados Unidos passaram por um processo de perda de postos de trabalho, com transferência de lugares de trabalho para o exterior, principalmente para a China", diz.

Crescimento da renda

Outro dado relevante para se comparar o atual desempenho das duas economias é o crescimento do PIB per capita. A disparidade em números absolutos é grande: o rendimento médio anual por habitante nos Estados Unidos foi de US$ 48.441 em 2011 e no Brasil de US$ 12.593, segundo dados do Banco Mundial.

"Mas é válido comparar a variação da renda média brasileira e norte-americana nos últimos anos. Nessa comparação, a renda per capita brasileira teve um crescimento maior", diz Wjuniski.

Na comparação entre 2010 e 2011, por exemplo, a renda per capita brasileira cresceu 15%, enquanto a dos  Estados Unidos, 4%. No biênio 2009/2010, logo depois da crise financeira de 2008, o crescimento do rendimento médio do brasileiro foi de 31% e o do norte-americano, 3%.

Oferta x demanda

Segundo Ferreira, da UFMG, a explicação para o baixo crescimento do PIB é diferente nos dois países: nos Estados Unidos tem relação com a fraqueza da demanda. "As famílias estão endividadas e com medo de perder renda ou mesmo o emprego e por isso limitam seu gasto em consumo. O governo tem um déficit alto, está muito endividado e enfrenta forte oposição no Congresso ao aumento do seu gasto. As exportações, inclusive pela baixa demanda de parceiros comerciais, não crescem tanto", exemplifica.

Já no Brasil, de acordo com professor, o setor produtivo tem problemas para ampliar a capacidade de produção da economia. "A taxa de poupança no Brasil é baixa e por isso o investimento também. Problemas de gestão e corrupção paralisaram o investimento público. A qualificação da força de trabalho melhora lentamente", avalia Ferreira.

 











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