29.05.2020 | 13h58


NACIONAL / POLÍCIA INVESTIGA

Delegado falou com ex, citou gravidez e medo antes de crime

Paulo Bilynskyj foi ferido por disparos feitos pela modelo Priscila Delgado, que acabou morta com um tiro no peito; polícia investiga se ela cometeu suicídio ou foi executada após ataque



Do dia em que passaram a morar juntos, o ápice de uma incandescente história de amor, ao desfecho trágico, foram 20 dias. Tudo havia começado apenas cinco meses antes. No final de dezembro de 2019, o delegado paulista Paulo Bilynskyj, de 33 anos, uma subcelebridade das redes sociais com quase meio milhão de seguidores, deu um like numa foto publicada no Instagram pela modelo gaúcha Priscila Delgado de Barros, de 27. Ela correspondeu, curtindo também uma foto do policial. Por dois meses, conversaram por mensagens privadas na rede social e pelo WhatsApp. Foi tempo suficiente para os dois descobrirem que tinham sido feitos um para o outro. Pela internet, selaram namoro e juras de amor. Em fevereiro, Bilynskyj viajou de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde mora, para Curitiba, onde a modelo vivia. Lá, se viram ao vivo pela primeira vez. Em um dia de convivência, eles perceberam que tinham os mesmos projetos de vida: casar e ter filhos. Em menos de 48 horas, decidiram morar sob o mesmo teto. Em abril, ela se mudou para a casa do delegado e marcou a data de casamento para 5 de junho. Mas o sonho acabou de forma tão veloz quanto começou. No dia 20 de maio, ela deu seis tiros no noivo e morreu em seguida, com um tiro no coração, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas. Ele diz que a noiva se matou. A família dela duvida.

Uma das linhas da investigação da polícia não descarta a possibilidade de o casal ter iniciado uma discussão e, no auge da briga, furiosa, a modelo ter atirado seis vezes contra o delegado. Mesmo ferido, ele teria pego a arma da mão dela e disparado um único tiro certeiro em seu peito. O que reforça essa tese são as mensagens trocadas entre Bilynskyj e a ex-namorada na noite da véspera do crime, onde ele revela ter pavor de Delgado. Na conversa, o policial diz a Juliana Trovão que terminou o namoro com a modelo naquele instante e relata o desdobramento da situação. O delegado assume que está com “muito medo” de ela fazer “algo errado”. O policial relata ainda que a modelo está chorando muito. Como resposta, Trovão diz que não conseguiria dormir ao lado de Delgado com tantas armas no apartamento. Bilynskyj responde ter pedido para a namorada dormir em um hotel, mas que ela se recusava a sair. Ele então, segundo as mensagens, diz que vai dormir no quarto de hóspedes, onde estão as armas da casa. Trovão aconselha o delegado a trancar a porta. Nas primeiras horas da manhã do dia seguinte, Bilynskyj mandou outra mensagem a Trovão contando que a namorada poderia estar grávida. “O que eu faço?”, perguntou o delegado. “Sai de casa!”, respondeu a ex-namorada. Bilynskyj não chegou a ver essa mensagem porque foi alvejado pela modelo.

Nos 20 dias em que morou com Bilynskyj, Delgado aprendeu a atirar. Ela chegou a postar em seu Instagram fotos segurando armas. O delegado não chegou a conhecer os pais da noiva, mas fez uma visita a um casal de primos dela em Curitiba. Eles seriam os padrinhos de casamento. Num jantar, Bilynskyj chamou a atenção dos parentes da modelo por causa da pistola que manteve na cintura o tempo inteiro. “Como ele é policial, achamos que fazia parte. Mas levar a arma a um jantar achei desnecessário”, comentou o primo, Marco Aurélio de Lima. Ele contratou um advogado para acompanhar toda a investigação. “Ninguém na família acredita na versão do delegado. Para nós, a Priscila foi executada”, frisou. Ele contou que tentou impedir que a modelo se mudasse para a casa do delegado com tão pouco tempo de namoro. “Mas ela disse que estava vivendo uma paixão arrebatadora. Foi impossível detê-la.”











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