20.11.2019 | 11h16


MT NA LISTA

Com medo de violência, Uber quer suspender pagamentos em dinheiro

Esta modalidade seria um dos motivos para aumento de crimes contra condutores no DF. Empresa diz que medida é demanda antiga da categoria



A Uber anunciou nessa terça-feira (19) que irá ampliar para Brasília os testes com a ferramenta que permite aos motoristas do aplicativo não aceitarem viagens com pagamento em dinheiro. Ao ativar a opção, somente corridas pagas com cartões de débito ou crédito irão aparecer para o profissional dessa modalidade.

A empresa justifica o uso desse mecanismo como uma demanda dos condutores do aplicativo. A liberação para pagamento em dinheiro é vista como um dos motivos para o crescimento de casos de violência contra os trabalhadores da categoria.

Um levantamento feito pela Polícia Civil do DF (PCDF) aponta que o número de vítimas de roubo com restrição de liberdade ou sequestro relâmpago, como o crime é popularmente conhecido, saltou de 22 em 2017 para 71 apenas nos seis primeiros meses deste ano.

Os episódios, no entanto, podem acontecer em maior número, considerando que a Polícia Civil não tem o recorte específico que aponte quantos motoristas de aplicativos de transporte foram vítimas de outros crimes.

A possibilidade de não aceitar as viagens pagas em dinheiro já é testada pela empresa em outras 10 cidades brasileiras, nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Com base na experiência, a Uber pode fazer novos aprimoramentos no recurso.

“Mais seguro”

O presidente do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo do Distrito Federal (Sindmaap-DF), Marcelo Rodrigues Chaves, afirma que a opção traz segurança ao motorista por causa das informações oferecidas pelo usuário do serviço no momento do cadastro do cartão de crédito ou débito. A categoria aprova o teste feito pela empresa. “Somos a favor de qualquer ferramenta que nos traga mais segurança”, diz Chaves.

“É excelente. Todo mundo acha bom, pois vai filtrar muito o cliente e ficar muito mais seguro”, disse um motorista, que pediu para não ter o nome divulgado. Um de seus colegas de trabalho foi assassinado por criminosos que se passaram por passageiros, fato que o levou a evitar pegar clientes em certos endereços do DF. “Espero que não seja só teste, mas definitivo”, completou.

Em outubro deste ano, dois motoristas de aplicativos de transporte foram mortos em menos de 48 horas, enquanto realizavam corridas no DF. À época, seis adolescentes foram apreendidos pela Polícia Militar pela morte de Henrique Fabiano Dias, 25 anos.

Os garotos deram detalhes do crime e disseram que estrangularam Henrique porque o rapaz teria reagido ao assalto. O corpo do jovem foi localizado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) por um taxista.

O outro motorista morto foi Tiego Cavalcante, 28. Ele foi encontrado sem vida, de barriga para cima, com um tiro no rosto, na Quadra 517 de Samambaia.

Regiões perigosas

Em julho deste ano, a empresa já havia liberado ao motorista a possibilidade de ver o destino do usuário antes mesmo de aceitar a viagem, além de mostrar se o usuário tem poucas viagens pelo aplicativo.

Há regiões administrativas na capital que deixam os profissionais dessa modalidade em alerta. Samambaia, por exemplo, registrou 32 casos de violência contra esses trabalhadores nos primeiros seis meses deste ano. O número representa 45% dos casos.

Ceilândia aparece em seguida, com 11% dos casos. Já Taguatinga contabiliza 8% dos registros de violência contra a categoria. Motoristas chegam a recusar corridas nas regiões mais perigosas depois de certo horário.

Por outro lado, Cruzeiro, Águas Claras e Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) possuem os menores índices de violência. As regiões não contabilizam sequestros desde 2017, quando tiveram apenas uma ocorrência em cada.











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