06.04.2020 | 09h34


NACIONAL / DESUMANO

Brasileira morre de malária no Quênia após abandono por medo da Covid-19

Os médicos e enfermeiras, porém, não quiseram se aproximar e não fizeram nenhum exame de sangue na paciente. A equipe mantinha distância por medo de ser contaminada.



A brasileira Rachel Varoto morreu no dia 21 de março no Quênia, país na costa leste da África, em decorrência de complicações por conta de malária. Amigos e parentes contaram, em depoimento exclusivo para Universa, que os médicos negligenciaram o atendimento à vítima por medo de ela estar contaminada com coronavírus.

Rachel, que era guia de turismo, estava no meio de um mochilão pelo continente africano quando ficou doente. Ela já tinha passado por outros oito países do continente e acabara de chegar em Kisumu, terceira maior cidade do Quênia. Maria*, dona do Airbnb em que a brasileira ficou hospedada, diz que por pouco não cancelou a reserva da visitante por medo da pandemia de coronavírus, que se agravava mundo afora.

No período seguinte à chegada de Rachel ao AIRBNB, Maria conta que a hóspede ficou isolada em seu quarto durante três dias, até o final da reserva. Ela foi encontrada pela host com um quadro debilitado de saúde e foi levada a um hospital público no centro da cidade, Jaramogi Oginga Odinga.

Rachel chegou ao hospital no dia 20, mas só foi internada na madrugada do dia 21. Pela suspeita de coronavírus, ela foi levada à área de isolamento. Os médicos e enfermeiras, porém, não quiseram se aproximar e não fizeram nenhum exame de sangue na paciente. A equipe mantinha distância por medo de ser contaminada.

A culpa foi da malária, mas também do coronavírus

"Falei com ela por volta do meio-dia e ela não estava sendo atendida, ninguém queria chegar perto dela com medo de ser coronavírus. Com a ajuda da Maria e do consulado, conseguimos a transferência dela para outro hospital. Levou muitas horas e muitos telefonemas, e ela ainda ficou mais de uma hora na ambulância. O primeiro hospital estava com receio de ser corona e disseram que a área de isolamento já estava lotada", conta Inês Varoto, irmã de Rachel

"Falei com ela por volta do meio-dia e ela não estava sendo atendida, ninguém queria chegar perto dela com medo de ser coronavírus. Com a ajuda da Maria e do consulado, conseguimos a transferência dela para outro hospital. Levou muitas horas e muitos telefonemas, e ela ainda ficou mais de uma hora na ambulância. O primeiro hospital estava com receio de ser corona e disseram que a área de isolamento já estava lotada", conta Inês Varoto, irmã de Rachel.

Este era o terceiro grande mochilão de Rachel, que já tinha viajado sozinha pela Ásia e pela América Latina. Ela foi cremada e as cinzas ainda não foram enviadas ao Brasil..











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