01.06.2020 | 09h19


GERAL / MUNDO JURÍDICO

Zaid Arbid afirma que se despede da profissão sem ter conhecido 'mercado marroquino'

Advogado de casos polêmicos, como do juiz Geraldo Palmeira e de João Arcanjo Ribeiro, encerra trajetória jurídica após 45 anos



Após 45 anos advogando em Mato Grosso, conhecido por atuar em casos polêmicos e de grande repercussão, o advogado Zaid Arbid, 70, encerra sua trajetória nesta segunda-feira, 1º de junho. Zaid estima que nestes quase 45 anos, atendeu quase mil clientes, e garante que deixa a profissão sem ter conhecido o "mercado marroquino", se referindo à venda de sentenças.

Entre os casos que Zaid Arbid atuou e mais ganharam destaque na mídia estão em 1994 o do juiz José Geraldo Palmeira, envolvido no favorecimento nos presídios de Pascoal Ramos, Carumbé e Agrícola das Palmeiras, na aposentadoria compulsória deste, em 2004, após acusação de envolvimento em um plano para facilitar a fuga de uma grande traficante. Na lista de clientes também estão políticos como Jonas Pinheiro, Gilmar Fabris, Ondanir Bortolini, o Nininho. Há agropecuaristas, como é o caso do pioneiro e plantador de arroz em Mato Grosso, Wellington Mercante Campos, que inclusive foi quem vendeu as primeiras terras a André Maggi.

E, é claro, João Arcanjo Ribeiro, que Zaid afirma ter sido um cliente que lhe ofereceu desafio profissional e produziu satisfação pessoal. Destaca o julgamento público antecipado, retaliações estendidas a seus defensores e muitas dificuldades para resgatar a legalidade dos atos processuais. E satisfação pessoal porque garante que conheceu e conviveu com uma pessoa que poucos conheceram e conhecem.

Apesar de não assinar mais nenhuma peça processual e não ir mais a audiências e julgamentos a partir desta segunda-feira, Zaid definiu que fará uma transição de todos os processos aos novos advogados escolhidos pelos clientes, pelo período de um ano. Até 31 de maio de 2021, vai manter seu escritório na avenida Historiador Rubens de Mendonça, em Cuiabá.

Zaid Arbid afirma que a decisão de parar, é sem dúvida alguma pela força do tempo e para poder justamente fazer essa transição. “Acho que não é necessário esperar acender o sinal vermelho. Você se conhece e ao acender o sinal amarelo basta”. Ele afirma ainda não querer “passar do tempo”. “Tenho receio de ficar com aquela conversa pastosa, vencida e repetitiva. Eu acho que não se precisa ir ao sacrifício. O profissional tem que se gostar e respeitar o cliente. Saio porque estou bem e por estar bem é que vou conseguir repassar aquilo que o cliente me confiou”.

Ele destaca que ao longo de todos esses anos, clientes se tornaram amigos e ele terá o prazer de encontrá-los pessoalmente para informar a sua decisão. O que o advogado não queria era uma interrupção abrupta, “pela força maior, sempre sem agenda e traumática”.

“É muito frio você pegar uma pasta e devolver. A pessoa quer informações. No andar das ações, uma coisa ou muitas das coisas você sabe por que fez daquele jeito e quem vai assumir quer saber onde você quis chegar. Toda defesa tem um começo, um meio e um fim. Tem um silogismo natural nisso. Eu acho ser o senso de gratidão que tenho. Vou parar, mas não vou deixar o cliente sem a informação e sem a prestação de contas dos serviços”.

Sem nenhuma punição disciplinar, sem ter sido envolvido em nenhuma investigação policial ou ação criminal, se despede da profissão com leveza. “Entro e saio pela porta da frente”.

Sobre o que vai fazer, Zaid diz que ainda é cedo para pensar, que é precipitado. “Entre a terra e o mar tem a praia e eu vou caminhar nesta praia para ver para que lado eu vou, o que eu vou fazer. O tempo é o senhor da razão”.

'Mercado marroquino'

Zaid Arbid considera o Judiciário mato-grossense como referência nacional e afirma que se despede da profissão sem ter conhecido o “mercado marroquino”, se referindo às denúncias de venda de sentenças.

“Posso dizer que nesses 45 anos ninguém me ofereceu uma decisão à venda e nunca comprei e nem negociei. Eu não conheço esse mercado, apesar de haver quem diga existir. Penso que muitos vendem, mas não entregam. Não acredito que um juiz, um desembargador, vai dar a decisão dele por um vil metal. Nunca fui procurado por lobistas, e nem os procurei, porque não acredito”.

Zaid lembra uma situação da época da CPI do Judiciário, em 1999. Em uma conversa, o senador Ramez Tebet afirmou que não acreditava que a venda de sentenças era na proporção que falavam.

OAB

Todo órgão representativo precisa ter a liberdade e a independência que apregoa também como lição de casa. Já se foi o tempo das capitanias hereditárias. É preciso que a representação da classe seja buscada da vontade direta e não indireta dos advogados inscritos. Existem profissionais exemplares em Mato Grosso, assim conhecidos pelos colegas, mas desconhecidos pelos seus representantes. Deve existir a escolha de todos, na forma de plebiscito, para qualquer indicação aos Tribunais de Justiça, Eleitoral e do Trabalho.











(1) COMENTÁRIOS

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vanecir ferreira de paula  01.06.20 10h25
ai sim um caboclo arrojado o conheço da epoca do antigo banco bamerindus guando eu bancario e ele cliente...

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