16.06.2019 | 07h50


CINCO ANOS DEPOIS

Sem conclusão, obras da Copa se tornam símbolo de corrupção

Das 56 obras para a Copa, no montante de R$ 2,3 bilhões, a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) foi a mais cara e a que mais trouxe decepção aos cuiabanos.


DA REDAÇÃO

Cinco anos desde a abertura da Copa do Mundo em Cuiabá não foram suficientes para que os governos conseguissem concluir as obras de mobilidade urbana na Capital de Mato Grosso e até o mesmo a principal obra do mundial, a Arena Pantanal, que sediou, em 13 de junho de 2014, seu primeiro jogo pelo campeonato, nunca foi entregue à população.

É bom lembrar que a preparação para a Copa começou três anos antes do início da festa esportiva.

RepórterMT

Cot Pari

 COT do Pari custou R$ 21 milhões até este ano e não ficou pronto.

Das 56 obras para a Copa, no montante de R$ 2,3 bilhões, a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) foi a mais cara e a que mais trouxe decepção aos cuiabanos. Cerca de R$ 1 bilhão foi gasto no modal que nem sequer andou um dos 22 km de trilhos. E pior, em delação premiada o ex-governador Silval Barbosa contou que houve um desvio de pelo menos R$ 78 milhões apenas nessa transação, além de esquema de corrupção revelado em outras obras para o mundial.

Atualmente, os vagões comprados, antes que os trilhos tivessem prontos, estão parados e a manutenção custa aproximadamente R$ 16 milhões por mês ao Estado.

O Centro Oficial de Treinamento do Pari (COT), em Várzea Grande, é outro “legado” da Copa. Orçado em R$ 30 milhões, o contribuinte já desembolsou R$ 21 milhões e o que restou para a região metropolitana de Cuiabá foi gramado destruído, vestiários inutilizados, além dos refletores terem sido roubados.

O COT da Universidade Federal de Mato Grosso também nunca foi concluído. Em outubro do ano passado, ganhou uma pista de atletismo 'padrão FIFA' pelo valor de US$ 1,5 milhão e paga com recursos do Ministério do Esporte. O custo inicial era de R$ 15,8 milhões, mas aditivos fizeram o valor ultrapassar os R$ 17 milhões.

Caminho incerto

Em abril deste ano, o governador Mauro Mendes (DEM) admitiu que estuda a possibilidade de trocar o VLT por outro modal que seja mais barato, à exemplo do BRT (Bus Rapid Transit).

RepórterMT/Reprodução

arena pantanal

 Apesar de ter sediado jogos da Copa, a Arena Pantanal não foi entregue ao Estado devido às dezenas de problemas estruturais.

“Hoje existem três ações nas justiças promovidas pelos Ministérios Públicos Federal, Estadual e pelo próprio Governo contra o Consórcio VLT. Queremos entender tudo isso. Já estamos fazendo reunião e iremos apresentar uma solução para o problema”, revelou Mauro.

No último dia 6, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que anulou contrato com as empresas responsáveis pela implantação do Veículo Leve sobre Trilhos, Mauro informou que irá decidir nos próximos 30 dias o destino do modal. O prazo do governador vence no próximo dia 6 de julho.

Já em relação à conclusão dos centros de treinamentos, o Governo ainda não se posicionou.











(1) COMENTÁRIOS

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Paulo Sérgio Bojikian  16.06.19 12h52
Minha sugestão ao governador, pegar os vagões vender, fazer O BRT completo, nos bairros, centros e onde séria o VLT, com pontos e terminais de ótimo qualidade. Com a troca do VLT pro BLT sobraria muito dinheiro para acabar as obras remanescentes da copa com qualidade e ainda sobraria para novos investimentos em novas obras. Não haveria o custo das passagens, das manutenções nem de subsídios do governo. Mas tbm se deve apurar a responsabilidades e punir rigorosamente os responsáveis e mais o ressarcimento dos valores.

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