21.07.2015 | 15h00


LEVADO VIVO PARA NECROTÉRIO

Polícia abre inquérito para apurar culpa da equipe médica, que pode ser indiciada

Familiares do pedreiro Vitalino, que foi dado como morto por uma hora no PS de Cuiabá, serão ouvidos nesta quarta-feira, iniciando as investigações policiais do caso, que pode indiciar a médica plantonista.


DA REDAÇÃO

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte do pedreiro Vitalino Valente de 57 anos, que estava internado no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá e foi encaminhado, ainda vivo, para o necrotério, pronto para o funeral.

A DHPP ouvirá familiares do paciente, na manhã desta quarta-feira, para iniciar a investigação, que pode terminar com o indiciamento da médica plantonista que assinou equivocadamente o atestado de óbito do pedreiro.

A delegada da Polícia Civil, Anaíde de Barros, titular da DHPP e que vai conduzir o inquérito, ouvirá familiares do paciente, na manhã desta quarta-feira (22), para iniciar a investigação, que pode terminar com o indiciamento da médica plantonista que assinou equivocadamente o atestado de óbito do pedreiro.

Vitalino foi dado como morto durante uma hora e, no corredor do necrotério, um rapaz que ia passando, observou que, apesar de enrolado no lençol e com tufos de algodão no nariz e boca, ainda respirava. O rapaz filmou a cena inusitada e chamou socorro.  Depois disso, a equipe médica mandou levá-lo de volta à Sala Vermelha, onde estava em estado grave.

Relato médico

Relatório médico.

"O paciente respirava por aparelhos e precisamos verificar se, nesta uma hora em que ficou fora dos aparelhos, isso de alguma forma antecipou a morte dele, se houve dolo (culpa) eventual"

“O paciente respirava por aparelhos e precisamos verificar se, nesta uma hora em que ficou fora dos aparelhos, isso de alguma forma antecipou a morte dele, se houve dolo (culpa) eventual”, comenta a delegada.

Se o inquérito finalizar com o indiciamento da médica que assinou o óbito, ela responderá a processo criminal.

A advogada da família, Rafaela Galeski, afirma que o P.S será processado por danos morais.

Ela informou ao que visitou o médico de Vitalino, para saber se de fato a situação dele era de doente terminal de câncer. Ele chegou a operar a laringe, mas o tumor voltou, como confirmou o especialista que o acompanhava.

O pedreiro deu entrada no PS dia 13,  uma quarta-feira, com muita falta de ar, e até sexta-feira (17), o estado dele era crítico.

O óbito foi registrado às 23h e zero hora ele já estava de volta na Sala Vermelha.

Até a segunda-feira, os filhos ainda não sabiam se Vitalino estava vivo ou morto. Ao meio dia, de fato ele veio a falecer.

O sepultamento do corpo, que foi liberado pelo Instituo Médico Legal (IML) na noite de terça-feira (20) à noite,  após exame de necropsia, que será realizado hoje à tarde, após velório, que ocorre, na casa dele mesmo.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) abriu sindicância para apurar a conduta da médica que assinou o óbito errado e não descarta que o doente tenha sofrido do fenômeno de Lázaro, em que o corpo perde sinais vitais depois retoma.

A Secretaria Municipal de Saúde, que afirma que também irá averiguar o caso, afastou 12 profissionais que estavam de plantão no dia do óbito errado, sendo três médicos, seis técnicos em enfermagem e três enfermeiros.











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