07.04.2016 | 08h24


GERAL / CRESCIMENTO ORDENADO

Plano diretor prevê que bairros de Cuiabá tenham 'autonomia'

Tendo a cidade como um “organismo vivo”, o plano diretor da capital deverá priorizar a qualidade de vida das pessoas, garantindo aos bairros mais vida própria e menos desgaste para o dia-a-dia dos cuiabanos.


DA REDAÇÃO

Prestes a completar 297 anos nesta sexta-feira (08), a capital mato-grossense deve ganhar de presente em seu tricentenário uma completa reformulação de seu espaço urbano e a consequente melhoria da qualidade de vida de sua população com a revisão do plano diretor do município. Essa é a proposta do projeto conduzido pela Prefeitira de Cuiabá.

“A ideia é fazer com que Cuiabá seja uma cidade policêntrica, com vários pólos de serviços que viabilizem a seus moradores ter moradia, trabalho e lazer em uma mesma região, promovendo a qualidade de vida das pessoas e desenvolvendo as sub-regiões da cidade”, explica o superintendente do IPDU.

O plano diretor é um dispositivo garantido por lei, através do Estatuto das Cidades, para promover o desenvolvimento estrutural e social das populações de cidades com mais de 20 mil habitantes. A medida visa organizar a cidade, que não teve o crescimento planejado e hoje abriga cerca de 560 mil habitantes. É a partir do plano diretor que Cuiabá desenvolverá projetos de urbanização para o médio e longo prazo. A proposta é que a capital cresça sob um novo modelo de desenvolvimento, mais humanizado e eficiente.

Em entrevista ao , o superintendente do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá (IPDU), Benedito Libânio de Souza Neto, afirmou que a ideia é fazer com que a moradia, o trabalho e o lazer estejam no mesmo lugar “Essa é a tendência”, segundo ele, o que ocorrerá por meio dos chamados policentros, desenvolvendo o setor de serviços em bairros estratégicos, o que geraria empregos e facilitaria a mobilidade urbana, uma vez que as pessoas não teriam que fazer grandes deslocamentos no seu cotidiano.

"A gente pode desenvolver o modelo que se chama policentro, subcentros da cidade”, explica, dando como exemplo de policentro a região da Grande CPA e Morada do Ouro.

“A ideia é fazer com que Cuiabá seja uma cidade policêntrica, com vários pólos de serviços que viabilizem a seus moradores ter moradia, trabalho e lazer em uma mesma região, promovendo a qualidade de vida das pessoas e desenvolvendo as sub-regiões da cidade”, explica Libânio.

Segundo o urbanista, “um dos grandes males que a cidade de Cuiabá, e as grandes cidades têm, é que a população de baixa renda é deslocada para longe, para o perímetro da cidade. Isso é muito ruim para a mobilidade, para as pessoas. Imagine a pessoa que mora lá no Pedra 90 e tem que vir trabalhar no Centro, que tem que demorar uma hora e meia para chegar aqui. A gente precisa evitar esse processo de política habitacional que chega até a ser perversa, que joga as pessoas de baixo poder aquisitivo morando longe”.

Libânio sugere como solução o encurtamento das distâncias percorridas pelas pessoas ao longo do dia. “A gente tem que criar modelos onde tenha habitação de interesse social mais próxima das atividades. A gente pode desenvolver o modelo que se chama policentro, subcentros da cidade”, explica, dando como exemplo de policentro a região da Grande CPA e Morada do Ouro, que conta com os mais diversos tipos de serviços, como lojas de todos os portes, agências bancárias, Correios, etc, o que permite a muitos moradores daquela região desenvolver todas as suas atividades ali mesmo, sem ter que se deslocar para o Centro.

 

“Eu acredito que é um presente para Cuiabá e seus próximos 300 anos porque um bom plano diretor tem que pensar os seus próximos 20, 30 50 anos", frisou.

Participação da sociedade na revisão do plano

O estatuto das cidades, que rege a elaboração do plano diretor de todos os municípios, determina que o planejamento das cidades deve ser feito de forma participativa, abrangendo os diversos setores da sociedade, tanto técnicos quanto leigos, para convergirem suas experiências com a cidade para, a partir das demandas sociais e dos parâmetros técnicos, definir como a cidade se organizará nos próximos anos.

Esse processo será dividido em três etapas: a primeira com a realização de oficinas voltadas para a capacitação daqueles que se propuserem a construir esse modelo de cidade, a segunda fase será de audiências públicas onde as entidades representativas da sociedade e do Estado poderão unir suas propostas e a terceira etapa que será de debates pelas sub-prefeituras.

Após todo esse processo, o produto final do plano diretor será apresentado ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Estratégico e à Câmara Municipal para aprovação.

A expectativa é que o plano diretor esteja pronto até o final deste ano. “Eu acredito que é um presente para Cuiabá e seus próximos 300 anos porque um bom plano diretor tem que pensar os seus próximos 20, 30 50 anos. É um trabalho árduo, é um desafio gigante porque Cuiabá passou muito tempo sem ter planejamento urbano”, destaca Libânio.











(1) COMENTÁRIOS

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Jomax  07.04.16 08h50
Já tem mais de 10 anos que Cuiabá não sai de 500 e alguma coisa mil habitantes. Será que fizeram alguma lei que proíbe a capital de ultrapassar a população de 600.000 habitantes? Convenhamos, faz muito tempo que Cuiabá já tem quase 700.000 habitantes.

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