21.04.2019 | 17h27


MULHER FOI ASSASSINADA

Pais de marido suspeito denunciam ex-amante por impedir contato com netos

Marido de mulher assassinada perdeu guarda provisória para o amante da esposa há 5 anos, por ser suspeito do crime, mas até hoje não houve denúncia


DA REDAÇÃO

A família do técnico em T.I., Waldemiro de Arruda, de 43 anos, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil, por restrição de direito contra o engenheiro agrônomo Gilberto Bello, que estaria impedindo os avós paternos de ter contato com os netos; uma menina de nove e um menino de 12 anos.

Uma disputa judicial envolve a guarda das crianças, há quase cinco anos, depois que a ex-mulher de Waldemiro, Solange  Fátima Willer, 33 anos, que teve um caso com Gilberto, foi assassinada a tiros em frente à Prefeitura de Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá), em junho 2014. Waldemiro foi apontado pela Polícia Civil como o único suspeito do crime, mas o inquérito possui provas e laudos inconsistentes e o caso segue cercado de ministérios e longe de uma solução definitiva. "Até hoje, 5 anos após o crime, não foi oferecida denúncia alguma contra ele", diz a advogada Joana Moro.  

No boletim de ocorrência é relatado que desde 2016 a avó paterna das crianças, Nilse Pinto de Arruda tenta falar com os netos, porém sendo impedida constantemente por Gilberto, que atualmente está com a guarda provisória das crianças e reside na cidade de Matupá (a 695 km de Cuiabá). A última tentativa de contato ocorreu no dia 26 de março, quando Nilse falou por poucos minutos com a neta.

No entanto, ela disse no boletim ocorrência, que a voz da criança estava estranha, e que ela dava apenas respostas monossilábicas, como que se estivesse sendo coagida por alguém de alguma forma.

No documento, a avó destaca  ainda que teme que a neta esteja sendo mal tratada por Gilberto, “já que existe um processo de alienação parental”.

A advogada de Waldemiro, Joana Moro, também lembrou de uma conversa por telefone celular entre a mãe de seu cliente  e o engenheiro agrônomo.

No diálogo, Joana afirma que Gilberto confundiu  Nilse como sendo a mãe de Solange. Na oportunidade, segundo a advogada, ele teria dito que as crianças não iriam falar com ela, já que Nilse estaria protegendo "o cara que matou a filha dela", no caso, Solange.  

No processo judicial, Gilberto conseguiu comprovar que é pai do menino de 12 anos, por meio de um exame de DNA. Mas Joana destacou que um novo exame está sendo feito e que, independente do resultado, Waldemiro se considera pai das duas crianças, por tê-las criado desde o nascimento. O casal havia se separado e Solange voltou para casa grávida e disse que Waldemiro era o pai. 

Atualmente Waldemiro e sua família moram no Estado do Paraná.   

Entenda

Depois que a esposa foi assassinada, os filhos de Waldemiro foram entregues a Gilberto, o pai biológico do menino.

Ele conseguiu ficar com a guarda das crianças – que na época tinham 8 e 4 anos – depois de um laudo da assistência social apontar que Waldemiro sofria de transtorno de personalidade.

Mas segundo a advogada de Waldemiro, o laudo foi feito sem a profissional conhecer ou sequer ter entrevistado seu cliente.

Em relação ao assassinato da esposa, Waldemiro prestou depoimento à Polícia Civil e disse que a mulher foi morta a tiros por dois homens que estavam em uma moto.

Ele afirmou que o caso se tratou de um latrocínio, já que os bandidos teriam anunciado o assalto, mas Solange correu dos bandidos enquanto ele protegia as crianças.  Os motoqueiros fizeram vários disparos atingindo cinco tiros nas costas da vítima.

Outro lado 

Gilberto nega a restrição das visitas. No entanto pondera que os encontros dependem de uma ordem judicial.

Acrescenta que a Justiça permitindo não haveria nenhum problema de Waldemiro ou mãe dele em visitar as crianças.

“Que eu sabia é a Justiça que determina se pode ou não pode. Eu não digo nada, nem que sim, nem que não. Tanto é que eles já visitaram durante mais de anos as crianças. Mas isso é feito via fórum”.

Reforçou que a autorização judicial é necessária devido à complexidade do caso. “É um processo complicado, que não à toa está em segredo de Justiça. Ele [Waldemiro] é suspeito de um assassinato. Então existe toda uma situação e as visitas têm que ser feitas com regras de horário e acompanhamento psicológico”, disse. “Mediante as regras é obvio que as crianças vão lá (Paraná) para ter as visitações com os parentes”, acrescentou.   

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