03.07.2020 | 17h54


GERAL / MARÍLIA BEATRIZ

MT perde um dos pilares na promoção e difusão da cultura

Aos 78 anos, uma das fundadoras da UFMT, a advogada e professora Marília Beatriz morreu num hospital particular de Cuiabá



Morreu nesta sexta-feira (3), Marília Beatriz de Figueiredo Leite, 78 anos, ex-presidente e imortal da Academia Mato-grossense de Letras (AML). A causa da morte não foi divulgada.

"Grande, grande, grande!", diz Eduardo Mahon sobre Marília

Marília era natural do Rio de Janeiro. Graduada em Direito pela antiga Universidade do Estado de Guanabara e mestre em Comunicação e Semiótica, ela foi uma das fundadoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde foi chefe do Departamento de Artes, diretora do Teatro Universitário, coordenadora de Cultura, onde foi responsável pelos primeiros Projetos Pixinguinha/Funarte.

O ex-presidente da Academia, advogado Eduardo Mahon, disse nas redes sociais que teve o prazer de dar posse a ela como presidente da AML e lamentou a morte. "Minha amiga pessoal, privava da intimidade da minha casa e dividia comigo a sua inteligência aguçada. Seu último ato? Ora que pergunta! Montou uma “cesta básica” com livros a serem distribuídos pela Biblioteca Estevão de Mendonça. Que perda!".

Numa postagem anterior, ele afirmou: "Lamento muitíssimo informar o falecimento da grande Marília Beatriz. Grande, grande, grande! Me ajudou muitíssimo. Serei sempre muito agradecido. Nos encontraremos, tenho absoluta certeza".

A UFMT lamentou o falecimento de uma de suas baluartes e pilares na promoção e difusão da cultura mato-grossense, a professora Marilia Beatriz Figueiredo Leite, ocorrido nesta sexta-feira (03), aos 78 anos, na cidade de Cuiabá.

“O sentimento que tenho é o de perder um olhar doce e tranquilo que nos transmitia uma confiança, um afago, um carinho, traços típicos da professora Marília Beatriz, uma cuiabana de longa data”, sintetizou o reitor da UFMT, professor Evandro Soares da Silva.

"É impossível imaginar a UFMT sem a presença da Marília Beatriz com sua risada, sua voz sempre marcante, e seu espírito alegre", afirma o pró-reitor da UFMT

O pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência, professor Renilson Rosa Ribeiro, afirmou que esta data é um dos dias mais tristes da UFMT. “Nós estamos vivendo também uma data muito triste para toda a cultura e literatura do estado de Mato Grosso. Além de grande escritora, a professora Marília Beatriz é personagem aguerrida na luta da defesa da cultura e das artes, com posições sempre autênticas e firmes”, apontou.

Além de docente da UFMT, a professora Marília Beatriz Figueiredo Leite construiu a história da instituição na chefia do Departamento de Artes, no conselho consultivo do Cineclube Coxipones, na coordenação do histórico Projeto Pinxiguinha, do Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) e como a primeira coordenadora de cultura da Universidade. Também dirigiu o Teatro Universitário e foi autora, em parceria com Wlademir Dias-Pino, do projeto da 1ª Bienal de Poesia Visual, em 1995.

“É impossível imaginar a UFMT sem a presença da Marília Beatriz com sua risada, sua voz sempre marcante, e seu espírito alegre. [A professora foi] uma pessoa sempre muito carinhosa e acolhedora, senhora de si e consciente do seu papel e de que as palavras empenhadas têm sentido e significado”, destacou o pró-reitor.

Homenagem

Em 05 de dezembro do ano passado, a Procev celebrou a professora Marília Beatriz durante o lançamento do programa “A importância da cultura nos 50 anos da UFMT”, no qual a poetisa foi a primeira homenageada

À época, a coordenadora de cultura e vivência da UFMT, Thânia Arruda, destacou que Marília Beatriz, além de defensora da cultura, é uma artista múltipla. “Ela foi a primeira coordenadora de cultura indicada através de portaria, em 1983. As pessoas que a antecederam faziam parte da diretoria do departamento de artes, mas a partir de sua nomeação ela começa a ocupar várias frentes em relação a cultura, às artes e à vivência na UFMT, ampliando o horizonte para outros Estados. Ela foi uma coordenadora que deu um perfil, além de múltiplo, de integração porque não trabalhava sozinha, mas sim em várias mãos. Nessa época, ela fez parcerias muito interessantes com Wlademir Dias-Pino, com Silva Freire. Foi um momento muito rico da Universidade que nós estamos resgatando”, lembrou.

Sua produção literária contempla apresentações de livros, organização de obras artísticas e literárias, colaboração em periódicos, autoria de artigos, bem como prêmios e distinções por sua contribuição à cultura e às artes. 

Desde 2013, Marília Beatriz ocupava a cadeira 02 da Academia Mato-grossense de Letras (AML), que já foi de seu pai, Gervásio Leite. Entre 2015 e 2017, foi a primeira professora da UFMT a ser presidente da Associação.

 










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