20.07.2019 | 18h30


EXPORTANDO CULTURA

Livro escrito por professora de MT compõe acervo da maior biblioteca do mundo, nos Estados Unidos

A obra “Capoeira: da senzala a imaterialidade” da professora de Mato Grosso, Adinéia da Silva Lemes, vai levar a história da nossa capoeira e a cultura afro-brasileira para fazer parte do acervo da biblioteca do orgão legislativo norte-americano.


DA REDAÇÃO

O livro “Capoeira: da senzala a imaterialidade”, da professora Adinéia da Silva Lemes, que atua rede estadual de ensino de Mato Grosso, vai levar a história da nossa capoeira e a cultura afro-brasileira para o Congresso Nacional dos Estados Unidos, onde passou a fazer parte do acervo da biblioteca legislativa norte-americana.

Nascida no Paraná, Adinéia se formou em História na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), estado onde mora até hoje.

O livro conta o início da história da capoeira no Brasil, trazida pelos negros e como eles utilizaram essa arte como forma de resistência e de manter as origens, identidade e cultura, apesar de todo o sofrimento, mesmo com o fim da escravidão.

O livro conta o início da história da capoeira no Brasil, trazida pelos negros e como eles utilizaram essa arte como forma de resistência e de manter as origens, identidade e cultura, apesar de todo o sofrimento, mesmo com o fim da escravidão.

“Os capoeiristas tinham a capoeira como uma das formas de manter o ideal de liberdade e resistência, tão sonhado e buscado por essas pessoas, apesar de todo o sofrimento”.

Adinéia foi atrás dos mestres de capoeira mais antigos de Cuiabá para conhecer sobre como a arte chegou ao estado e com isso poder transmitir aos mais novos e fazer com que eles se sintam parte dessa história.

“Trabalhei com a História Oral, com entrevistas com os primeiros mestres de capoeira de Cuiabá, pois, não tinha nada escrito sobre a Capoeira em Mato Grosso até então. As memórias dos mestres pioneiros na capoeira mato-grossense é o suporte sobre o qual os novos ou as novas integrantes desse universo passem a valorizar essas vivências e possam senti-las como suas também. E ao se sentirem como parte integrante dessa história e reconhecer a sua importância possam dar continuidade a sua valorização e perpetuação”.

Em conversa ao a professora contou como chegou na escolha do tema do livro:

“Estamos em pleno século XXI, mas muitas pessoas não tem conhecimento sobre sua própria história ou seus antepassados. E apenas pela cor da pele se acham no direito de discriminar, e principalmente serem racistas. Temos que levar ao conhecimento da população um pouco da nossa História e de nossos antepassados. E como a identidade do povo brasileiro foi construída com a miscigenação entre: europeu, indígena e africano”.

Foi uma bênção. A ficha demorou um pouco para cair. É um reconhecimento sem tamanho. Para poder publicar o livro tive que sair perturbando meus amigos e conhecidos para que comprassem antecipadamente o livro”, disse aos risos

Sobre o que a obra retrata, Adinéia se preocupou em deixar claro o quanto a cultura africana contribuiu para enriquecer a cultura brasileira e, especificamente, em Mato Grosso.

“Meu livro retrata da trajetória da África ao Brasil. A escravidão imposta a eles, o processo de dominação e resistência e o fim da escravidão. A vida dessas pessoas após a escravidão. Também retrato as contribuições culturais dos povos africanos para a formação da cultura afro-brasileira e, principalmente, a capoeira. E o processo da origem da capoeira a nível nacional e em MT. E como deixou de ser Vista como coisa de negros, saiu da marginalidade e alcançou o Registro de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e da Humanidade”.

Sobre seu livro fazer parte do acervo do Congresso Nacional dos EUA, a professora disse ter sentido o reconhecimento e satisfação de contar nossa história lá fora:

“Foi uma bênção. A ficha demorou um pouco para cair. É um reconhecimento sem tamanho. Para poder publicar o livro tive que sair perturbando meus amigos e conhecidos para que comprassem antecipadamente o livro”, disse aos risos ao concluir afirmando que “graça de Deus e as bênçãos de São Benedito e Nossa Senhora de Nazaré deu tudo certo!”.

O livro “Capoeira: da senzala a imaterialidade” foi lançado em Recife entre os dias 15 a 19 de julho no 30º Simpósio Nacional de História. A obra passa a fazer parte também como referência dentro da Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio do Brasil.

 

 

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