24.05.2019 | 09h00


ADOÇÃO NA PASSARELA

Juiz da Infância defende desfile e vê críticas de exposição como exagero

Para Túlio Duailibi não houve exposição e nem exploração da imagem das crianças e adolescentes disponíveis à adoção, que participaram do desfile.


DA REDAÇÃO

O juiz auxiliar da presidência do Tribunal de Justiça Túlio Duailibi Alves Souza, coordenador da Comissão de Infância e Juventude (CIJ), defende que o evento “Adoção na Passarela”, realizado na terça-feira (21), em Cuiabá, potencializou e preservou os interesses das crianças e dos adolescentes, ao contrário das críticas feitas por meio das redes sociais, às quais rebateu como exagero.

Crianças e adolescentes de quatro a 17 anos, aptos para à adoção, participaram de um desfile, no Pantanal Shopping, o que gerou polêmica nacional devido à exposição dos mesmos.

As críticas em redes sociais geraram repercussão nacional negativa ao evento, que foi “comparado por internautas a uma "vitrine" de loja e uma "feira de adoção" de animais de estimação”.

“Se houvesse a mesma intensidade de participação social como foram as críticas lançadas seria bom, para auxiliar no acolhimento desse público”, declarou.

Já o site R7 divulgou que o advogado e escritor Eduardo Mahon comparou o evento à feira de escravos, frequentada por latifundiários em busca de “trabalhadores”, os quais avaliavam pelo porte e pelos dentes.

Segundo Duailibi, houve uma preparação para esse evento e a discussão foi tratada diferente dos fatos ocorridos, “houve um exagero no sentido de atacar o evento”, acredita.

A Comissão de Infância e Juventude (CIJ), a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) e a Associação de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), que são responsáveis pela organização do desfile, destacaram que a intenção era dar "visibilidade aos jovens".

Para o magistrado é preciso que a sociedade discuta essa realidade. “Se houvesse a mesma intensidade de participação social como foram as críticas lançadas seria bom, para auxiliar no acolhimento desse público”, declarou.

O coordenador da CIJ vê a necessidade que atos sejam realizados, para que os menores disponíveis à adoção tardia sejam lembrados. “A ideia de visibilidade dessas crianças não é só do Estado de Mato Grosso, é de diversos estados do país”, argumenta.

“É possível notar pelos registros de vídeos e imagens do evento um ambiente festivo, com crianças felizes, em um momento de lazer”, ressalta o Tulio Duailibi.

Os juízes da Infância e Juventude concederam autorização para que os disponíveis para adoção participassem do evento e avaliaram que não havia situação que expusesse de forma irresponsável ou vulnerável os mesmos.

A presidente da Ampara, Lindacir Rocha Bernardon, justifica que "a proposta era mostrar a diversidade da adoção, que existem situações em que pais adotam crianças mais velhas ou com algum tipo de deficiência ou até mesmo adolescentes que já foram rejeitados muitas vezes".

Crianças e adolescentes, que desfilaram, foram de forma voluntária e por espontânea vontade.

“É possível notar pelos registros de vídeos e imagens do evento um ambiente festivo, com crianças felizes, em um momento de lazer”, ressalta o Tulio Duailibi.

O Poder Judiciário continuará apoiando todas as iniciativas que promovam visibilidade da ‘adoção tardia’, que hoje está no campo da invisibilidade.

“Não existe a possibilidade de discutir perspectivas de danos, sem ter participado do evento e ter a base do fato”, argumenta.

Outro lado

O Pantanal Shopping emitiu nota repudiando a objetificação de crianças e adolescentes e esclarecendo os fatos.

Confira a nota do Pantanal Shopping na íntegra

O Pantanal Shopping informa que repudia a objetificação de crianças e adolescentes e esclarece que o único intuito em receber a ação foi contribuir com a promoção e conscientização sobre adoção e os direitos da criança e adolescente com palestras e seminários conduzidos por órgãos competentes que possuem legitimidade no assunto. O shopping afirma que a ação foi promovida pela Associação Mato Grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) em parceria com Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da OAB-MT e reitera que o evento contou ainda com o apoio do Ministério Público do Estado do Mato Grosso, Poder Judiciário do Estado do MT, Governo Estadual do MT, Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, Sindicato dos Oficiais de Justiça, Associação Nacional do Grupo de Apoio à Adoção e Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, além do Tribunal de Justiça do Mato Grosso.

OAB

A OAB-MT emitiu nota esclarecendo que nunca foi objetivo do evento apresentar as crianças e adolescentes a famílias para a concretização da adoção. A ideia da ação visa promover a convivência social e mostrar a diversidade da construção familiar por meio da adoção com a participação das famílias adotivas.

 

CONFIRA A NOTA DA OAB NA ÍNTEGRA 

Diante da repercussão do evento “Adoção na Passarela”, realizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (AMPARA) e pela Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), as instituições vêm a público esclarecer que:

- Nunca foi o objetivo do evento – parte integrante de uma série de outros que compõem a “Semana da Adoção” – apresentar as crianças e adolescentes a famílias para a concretização da adoção. A ideia da ação visa promover a convivência social e mostrar a diversidade da construção familiar por meio da adoção com a participação das famílias adotivas;

- Nenhuma criança ou adolescente foi obrigado a participar do evento e todos eles expressaram aos organizadores alegria com a possibilidade de participarem de um momento como esse. A ação deu a eles a oportunidade de, em um mundo que os trata como se invisíveis fossem, poderem integrar uma convivência social, diretriz do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária. Esse evento, inclusive, ocorre pela segunda vez;

- Crianças e adolescentes que desfilaram o fizeram na companhia de seus “padrinhos” ou com seus pais adotivos. A realização do evento ocorreu sob absoluta autorização judicial conferida pelas varas da Infância e Juventude de Cuiabá e Várzea Grande, bem como o apoio do Poder Judiciário.

- A OAB-MT e a Ampara repudiam qualquer tipo de distorção do evento associando-o a períodos sombrios de nossa história e reitera que em nenhum momento houve a exposição de crianças e adolescentes;

- Vale destacar que o desfile foi apenas uma das ações da “Semana da Adoção”. Ao longo dos dias do evento foram realizados também palestras, seminários e recreação para as crianças;

- A falta de interessados na chamada “adoção tardia” faz com que seja urgente a adoção de medidas como a Semana da Adoção, que tornam público esse problema social. Conforme o Relatório de Dados Estatísticos do Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 8,7 mil crianças e adolescentes aguardam por uma família.

- Na edição anterior do evento, realizado em 2016, dois adolescentes, cujo perfil está fora dos parâmetros de preferência da fila de interessados, foram adotados graças ao trabalho realizado, que deu visibilidade à questão. A iniciativa tem sido tão exitosa na forma como aborda o problema que outros Estados realizaram eventos semelhantes, como “Esperando por você” (ES), “Adote um Pequeno Torcedor” (PE) e “Adote um Pequeno Campeão” (MG);

- Por fim, a Ampara e a OAB-MT, realizadoras do evento, agradecem a disposição de todos os demais órgãos e entidades apoiadores, dentre eles o Tribunal de Justiça de Mato Grosso e o Pantanal Shopping, por entenderem a grandeza de sua finalidade e abraçarem, de forma voluntária, a causa da adoção no Estado. Também conclamam a sociedade em geral para uma discussão séria e efetiva sobre o tema para que mais estratégias possam ser adotadas em prol do direito de possibilitar o acolhimento familiar a essas crianças e esses adolescentes.

 

 

 

 

 











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