12.07.2016 | 15h30


GERAL / CLIMA DE DESERTO

Cuiabá registra 12% de umidade do ar e MT já lidera ranking de queimadas

Para combater os índices de queimadas no estado, haverá sanções para quem produzir fogo ilegal; punições vão desde multas até prisão.


DA REDAÇÃO

Cuiabá registra, na tarde desta terça-feira (12), 19% de umidade relativa do ar. Nessa segunda-feira (11), foi registrado um pico de 12% de umidade por volta das 14h. O dado alarmante foi registrado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudo Climático do Instito Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe). O índice coloca a capital mato-grossense na classificação de estado de alerta, que indica situação prejudicial à saúde, já que a o índice de umidade deveria atingir ao menos 60%.

Neste ano, Mato Grosso já contabilizou mais de 7 mil focos de queimada, contra 5.324 no mesmo período do ano passado, o que coloca o estado no primeiro lugar no ranking de queimadas no Brasil, de acordo com informações do Inpe.

Neste ano, Mato Grosso já contabilizou mais de 7 mil focos de queimada, contra 5.324 no mesmo período do ano passado, o que coloca o estado no primeiro lugar no ranking de queimadas no Brasil, de acordo com informações do Insituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O segundo colocado, Tocantins já teve 3.447 focos neste ano, seguido por Roraima, que já registrou 3.161 focos até o momento.

De 1º de janeiro a 05 de julho, houve aumento de aproximadamente 32% nos focos de calor em relação ao mesmo período do ano passado. O percentual é inferior ao registrado no Brasil (41%) e nos estados da Amazônia Legal (59%), mas já serviu de alerta para o governo do Estado iniciar seus trabalhos com um mês de antecedência em relação a 2015, com a instituição de um calendário de proibição das queimadas, que vai começar na próxima sexta-feira (15) e vai até o dia 15 de setembro, podendo ser prorrogado conforme as condições climáticas. No ano passado, o mês de novembro ainda registrava um tempo muito seco e o ar muito poluído.

De 1º de janeiro a 05 de julho, houve aumento de aproximadamente 32% nos focos de calor em relação ao mesmo período do ano passado.

O Plano de Combate e Prevenção às Queimadas foi lançado na manhã desta terça-feira (12) pelo Comitê do Fogo, que envolve várias instituições em ações de prevenção, fiscalização e combate às queimadas, tanto na capital quanto no interior. Uma dessas ações foi a inauguração de uma nova base do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), localizada no Parque Massairo Okamura, na região da Morada do Ouro.  

RANKING DAS QUEIMADAS

O ranking dos 20 municípios onde mais são registrados focos de calor são praticamente os mesmos nos últimos cinco anos, com algumas variações de um ano para o outro. Entre os que despertam a preocupação este ano estão: Nova Maringá, Nova Ubiratã, São Félix do Araguaia, Brasnorte, Paranatinga, Tangará da Serra, Gaúcha do Norte, Feliz Natal, Querência, Marcelândia, Santa Carmem, Nova Mutum, Tapurah, Sorriso, União do Sul, Campo Novo dos Parecis, Canarana, Tabaporã, Cláudia e Porto dos Gaúchos.

O bioma mais atingido é a Amazônia, onde se concentram 4.260 focos de calor, seguido pelo Cerrado, com 2.654 focos e 94 no Pantanal.

Para o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Júlio Cesar Rodrigues, a responsabilidade de evitar queimadas é do Estado e também dos cidadãos já que 70% da área de Mato Grosso está nas mãos de proprietários particulares. “Sejam nas áreas urbanas ou rurais, os proprietários precisam adotar medidas mínimas para evitar que o fogo se inicie ou se propague, nas cidades, é preciso manter os terrenos limpos para evitar não só queimada, mas pequenos roedores e mosquito da dengue. Nas áreas rurais, é preciso fazer aceiro, ter reserva de água e manter vigilância para proteger a propriedade”, explica.

COMPLICAÇÕES

É nessa época de seca que as pessoas, principalmente, idosos e crianças, sentem mais dificuldade para respirar o ar seco. E para agravar ainda mais esse quadro, o aumento das queimadas deixa seus prejuízos para a saúde das pessoas e para o meio ambiente.

“Além da insolação terrível que nós temos aqui, agora temos o problema dos poluentes, as grandes construções que estão entrando em nossa cidade, destruindo a vegetação nativa. E Cuiabá, cada vez mais, está se tornando imprópria para nossa habitação”, afirma o médico Celso Saldanha.

Além do tempo seco e das queimadas, o médico cuiabano Celso Saldanha, especializado em alergia e imunologia, afirma que as condições geográficas de Cuiabá também não são favoráveis para a qualidade do ar. Isso porque a capital mato-grossense está localizada em um vale, rodeada por serras que impedem o fluxo de ventos na cidade.

Celso Saldanha, que escreveu uma dissertação sobre a interferência do clima na saúde das pessoas, aponta que Cuiabá, mesmo não tendo um parque industrial, é tão poluída quanto grandes cidades por causa da pouca rotatividade de ventos, fazendo com que as fumaças de veículos e de queimadas fiquem “paradas” no ar, deixando aquela camada cinza no céu durante vários meses.

“Além da insolação terrível que nós temos aqui, agora temos o problema dos poluentes, as grandes construções que estão entrando em nossa cidade, destruindo a vegetação nativa. E Cuiabá, cada vez mais, está se tornando imprópria para nossa habitação”, afirma o médico.

Médico aponta que impactos ambientais deixarão Cuiabá inabitável

PREVENÇÃO ÀS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

Os médicos apontam alguns cuidados necessários para se prevenir de doenças respiratórias, tais como beber muita água e aumentar em 3 litros a quantidade ingerida no período de seca; umidificar o ambiente com umidificadores elétricos, bacias com água ou toalhas molhadas; fazer exercícios físicos em locais e horários adequados; usar roupas leves; organizar a casa de modo a favorecer a ventilação. 

PERÍODO PROIBITIVO

O período proibitivo para as queimadas tem início nesta sexta-feira (15) e segue até o dia 15 de setembro, podendo ser prorrogado. No ano passado, foi até 15 de outubro, com um total de 30 mil focos de calor, ficando em segundo lugar no ranking nacional, conforme o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Nesta época, utilizar fogo para limpeza e manejo nas áreas é crime passível de seis meses a quatro anos de prisão, com autuações que podem variar entre R$ 7,5 mil a R$ 1 mil (pastagem e agricultura) por hectare. Nas áreas urbanas o uso do fogo para limpeza do quintal é crime o ano inteiro.

As denúncias podem ser feitas na ouvidoria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema): 0800 65 3838, no 193 do Corpo de Bombeiros ou diretamente nas secretarias municipais de Meio Ambiente.

Com Assessoria 











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