30.07.2015 | 16h25


ESPORTES / MEMÓRIAS DO CÁRCERE

Riva fala da prisão, descarta delação e frisa que do lado de fora há mais 'usurpadores'

“Eu me adequo com muita facilidade. Eu sei conviver com o poder e sem o poder. Aliás, muito mais fácil sem o poder porque muitos usurpadores deixam de estar nas suas costas para tentar te extorquir, o que existe na política”


DA REDAÇÃO

José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALMT), já havia sido preso na Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal no fim de 2014, e levado para o presídio da Papuda em Brasília, mas foram as investigações da Operação Imperador que o deixaram por mais tempo encarcerado.

“Eu me adequo com muita facilidade. Eu sei conviver com o poder e sem o poder. Aliás, muito mais fácil sem o poder porque muitos usurpadores deixam de estar nas suas costas para tentar te extorquir, o que existe na política”

 

Foram quatro meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá, por suposto desvio de recursos na ordem de R$ 62 milhões por meio de empresas do setor gráfico. Riva só deixou a prisão após uma liminar do Supremo Tribunal de Federal (STF) no último dia 24 de junho. Como ele 'encarou' esse período de abstinência de liberdade, poder e exposição pública, é o que vamos saber na segunda parte da entrevista.

Neste período as informações que chegavam à imprensa eram de que Riva estudou a possibilidade de fazer delação premiada, além do mistério sobre as anotações feitas pelo ex-parlamentar. Muitos, que o consideram 'um homem bomba' prestes a explodir informações, que comprometeriam boa parte da classe política e empresarial, acreditavam que seria esta a sua intenção.

Primeiro, o ‘ex-cacique' da Assembleia, falou sobre a brusca mudança que o fez trocar a vida agitada de um deputado, que era líder no Legislativo, por uma cela no CRC. Para nossa surpresa, o social democrata relata que não foi difícil se adaptar à vida de presidiário.

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Riva julgamento

"Eu acho que enquanto puderem vão colocar mil ações sobre mim. Mas vou me defender nem que seja no último grau para fazer Justiça”, dispara Riva. (Este registro fotográfico foi feito, em junho, período em que o ex-deputado ainda estava preso).

“Eu me adequo com muita facilidade. Eu sei conviver com o poder e sem o poder. Aliás, muito mais fácil sem o poder porque muitos usurpadores deixam de estar nas suas costas para tentar te extorquir, o que existe na política”, reclama.

Sobre os rascunhos em que muitos acreditavam ser sua delação premiada, Riva se declara incapaz de usar informações privilegiadas para atacar colegas de parlamento ou servidores. Segundo ele, as anotações que eram feitas dentro da cela não passavam de reflexões e, principalmente, planos para o futuro para quando deixasse a prisão. “Não fico remoendo e fazendo anotações para usar [contra ninguém], isso é coisa de gente fraca. As anotações que eu fiz foram no sentido de tentar melhorar a vida das pessoas. Se não for pra ajudar, não faz sentido eu ficar fazendo esse tipo de coisa que estão falando [sobre a delação premiada]”, afirmou o ex-presidente.

“Não fico remoendo e fazendo anotações para usar [contra ninguém], isso é coisa de gente fraca. As anotações que eu fiz foram no sentido de tentar melhorar a vida das pessoas”, afirmou

Entre esses planos ele não descarta a possibilidade de escrever um livro, já que conforme seus relatos, o que não faltariam seriam testemunhas, segundo ele, sobre seus feitos em Mato Grosso.

Confrontado se acredita em algum um tipo de linchamento, tanto pela imprensa quanto pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, ele é enfático ao afirma “essa é uma questão que me reservo a não falar porque terei que citar nomes de pessoas que estavam muito próximas a mim e que mudaram de posição. Algumas pessoas acham que me execrando vão fazer média com o governador Pedro Taques”.

OS MAIS DE 100 PROCESSOS

O programa global Fantástico, que realizou reportagem pouco antes da prisão de Riva em 21 de fevereiro, apontou o ex-deputado como o maior ficha suja do Brasil devido aos mais de 130 processos em que responde na Justiça e sobre isso ele voltou a rebater. “O mundo sabe que isso é mentira, basta procurar quantas ações eu tenho

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José Geraldo Riva

Riva recebe a equipe do RepórterMT e afirma não ter roubado.

trânsito em julgadas [quando não há mais possibilidade de recorrer]. Quem faz isso são as pessoas oportunistas e eu não ligo pra isso”.

Quanto aos processos e a acusações de perseguição ele desconversa. “Eu não quero falar sobre Paulo Prado [procurador-geral do Estado] e doutora Selma [juíza responsável por 28 ações criminais em que é réu], mas eu acho que enquanto puderem vão colocar mil ações sobre mim. Mas vou me defender nem que seja no último grau para fazer Justiça”

O uso da tornozeleira eletrônica é questionado pela defesa do parlamentar, mesmo assim diz não se sentir incomodado com o uso da mesma, além disso garante não temer nova prisão.“Não faz sentido colocar uma tornozeleira em mim, sou incapaz de causar mal a alguém. Se quiserem me prender é só me ligarem e pedir que me apresente no Centro de Custódia que eu vou pra lá. Não precisa daquele aparato todo, achando que eu vou fugir. Até porque posso ter cometido erro, mas não roubei e essa injustiça será desfeita, né!”.

A entrevista é encerrada com uma pergunta. O senhor se julga injustiçado e acusa muitas pessoas de perseguição política sem citar nomes. Então eu pergunto, é difícil ser o Riva?

“Pra mim é fácil, eu levo a vida numa boa e nunca precisei ser ator”.











(2) COMENTÁRIOS

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Dornele$  01.08.15 13h54
O cara só tem no lombo, 212 ações. Também só é acusado de desviar mais de 500 milhões de reais. Em uma ação responde por desvio de mais de 62 milhões de reais e ainda se acha o cara? Só mesmo nesta republiqueta de bananas!

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osvaldo da cunha lins  30.07.15 17h10
Grande deputados estadual,os parceiros sumiram, não os falsos parceiros,como disse a muito tempo a voce, que tinha muito trairas bem perto, agora voce sabe quem e, tamos juntos, aos fofoqueiros nunca precisei de nada do RIVA, mais sei o ser humano que e na hora da doença e da morte, fica com deus meu parceiro amigo de politica estamos juntos com JANAINA.ABRAÇOS A TODOS DA FAMILIA.

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